quarta-feira, abril 11, 2007

O Efeito Borboleta (2004), de Eric Bress e J. Mackye Gruber



Recordo-me, de modo bastante cristalino, das primeiras reacções que ouvi acerca de quem havia visionado O EFEITO BORBOLETA. Segundo esses interlocutores, tratava-se de um filme imensamente original, com enredo quase viciante, e totalmente merecedor de ser revisto duas ou três vezes. Apesar de todo este hype, resisti à espreitadela.

A história das sucessivas “viagens no tempo psicológicas” de Evan Treborn (Ashton Kutcher), que desde criança experimentou lapsos de memória inexplicáveis, mas preocupantes para a sua mãe, convencendo-a de que o filho sofrerá da mesma patologia que o ex-marido – agora um condenado a pena perpétua. Incentivado por um neurologista a manter diários constantes, Evan descobre, anos depois, que esses manuscritos são o veículo para um automático, mas imprevisível, regresso aos episódios decisivos da sua infância – um retorno que mudará por completo a sua vida, no passado, presente e futuro…



Três anos passados sobre a sua estreia, e tendo finalmente descoberto O EFEITO BORBOLETA, não consegui encontrar os motivos do imenso protagonismo concedido a este título. Inseridos no género dos «thrillers metafísicos», existem imensos exemplos mais cativantes e melhor concretizados. Bastará relembrar VIAGENS ALUCINANTES (1980) ou 12 MACACOS (1995).

Para além disto, não sendo um apreciador de primeira linha dos argumentos que, em detrimento de tudo o resto, preferem apostar nas várias reviravoltas de personagens e situações, detecto este mecanismo narrativo como o principal item da minha reprovação ao filme: não se exige ao espectador um esforço suplementar para recordar o que acontecera durante uma das existências alternativas do protagonista, o guião toma a iniciativa de nos forçar a esquecer os eventos anteriores, já que estes mostram-se totalmente inócuos para o desfecho da película.



No mínimo, há que louvar a tentativa, por parte dos criadores de O EFEITO BORBOLETA, de fabricar algo verdadeiramente singular. Só é pena não ter havido subtileza nessa intenção. Não me refiro à necessidade de se explicar os factos através de conceitos científicos minimamente plausíveis; o problema está no facto de os elementos de “ficção científica” não conseguirem sugerir, tão-pouco, a denominada «suspensão de descrença».

A resposta para este insucesso poderá ser explicada pela ausência dum “peso pesado” em O EFEITO BORBOLETA: Ashton Kutcher revela-se q.b. para uma personagem com potencial para se tornar numa figura memorável do Cinema na presente década; a dupla de realizadores demonstra, a espaços, alguma ingenuidade; e cheguei a sentir um certo tom de tragédia relativamente à participação de Eric Stoltz, actor que nunca chegou a “roçar” o patamar de grandiosidade – apesar das positivas interpretações em PULP FICTION (1994) e 2 DAYS IN THE VALLEY (1996) –, aqui reduzido ao papel do pedófilo intratável, sem direito a absolvição temporária aquando de um regresso ao passado de Evan.

Uma última palavra para o trabalho de fotografia de O EFEITO BORBOLETA: o seu look sombrio é, porventura, o pormenor mais positivo em todo o filme, suscitando algum suspense e possibilitando, assim, o seu visionamento na totalidade.

2 comentários:

wasted blues disse...

Eu até simpatizo com o filme, mas isso deve ser porque adoro histórias de viagens no tempo e conflitos espacio-temporais!

brain-mixer disse...

Eu nem acredito como é que ainda não tinhas visto este filme... Tão falado, tão "polemizado" :P
Eu sou um dos defensores da obra ;)