segunda-feira, dezembro 31, 2007

O Labirinto do Fauno (2006), de Guillermo Del Toro



Um conto de fadas para adultos e jovens de espírito maduro, este O LABIRINTO DO FAUNO consegue ser, simultaneamente, um dos melhores filmes de 2006 e a maior surpresa cinematográfica que enfrentei nos últimos tempos.

A partir do momento em que alguém analisa detalhadamente a filmografia anterior de Guillermo Del Toro – do modesto MIMIC (1997) até ao excitante HELLBOY (2004) –, era legítimo conjecturar este título como mais um volume a acrescentar à onda do fantástico que parece alastrar pelo Cinema comercial da última década. Contudo, durante a sua visualização, cedo nos apercebemos de que O LABIRINTO DO FAUNO não é um épico de homenagem à trilogia O SENHOR DOS ANÉIS, nem tão pouco uma adaptação do juvenil HARRY POTTER ou um embaixador da aventura de A BÚSSOLA DOURADA. Se excluirmos o denominador comum que reside na presença de “variadas criaturas sobrenaturais”, este LABIRINTO DO FAUNO é uma obra única em toda a sua extensão.



O estilo impresso ao filme, de uma incessante observação histórica e pleno da lentidão necessária para o espectador assimilar as emoções e caracterizações inerentes às personagens, serve para expor a amarga viagem empreendida por Ofélia e sua mãe, durante o ano de 1944 em Espanha, ao encontro do novo homem das suas vidas, nomeadamente o Capitão Vidal, militar sádico, de cega obediência ao regime crescente de Franco e a braços com as violentas incursões de uma milícia de guerrilheiros opositores que se escondem no bosque em redor do seu acampamento. Neste contexto, Ofélia encontra como forma de combater o tédio, assim como a imagem da instável gravidez da mãe, os desafios que lhe são colocados por uma criatura mitológica que, simplesmente, se auto-denomina de Fauno. Nomeadamente, três desafios que testemunharão a descendência mitológica de Ofélia…

Tal como o próprio Del Toro confessa, numa entrevista concedida aquando da sua estreia mundial, O LABIRINTO DO FAUNO permitiu ao realizador fabular – é este o termo empregue – a partir de todo o material cultural que povoou a sua adolescência. Se somarmos a isto o facto de tratar-se duma história que conheceu uma longa incubação durante mais de cinco anos, é fácil perceber que estamos perante o seu projecto mais pessoal e o melhor filme, até ao momento, da carreira do cineasta mexicano.



Brevemente, Del Toro regressará a actividades mais comerciais, com a encenação da sequela do interessante HELLBOY (novamente com Ron Perlman enquanto protagonista). Acredito que não se repita a fantasia inédita patenteada em O LABIRINTO DO FAUNO; no entanto, se for possível incorporar-lhe um terço dessa magia, HELLBOY 2: THE GOLDEN ARMY será, certamente, um objecto merecedor da minha dedicada atenção.

1 comentário:

_Loot_ disse...

Um filme maravilhoso dos meus favoritos de 2007.

Se gostaste aconselhava-te a ver também o "El Espinazo del Diablo".

Abraços e Feliz 2008