sexta-feira, janeiro 30, 2009

Filmes da Semana



Breves considerações acerca dos filmes observados durante a semana que agora termina:

ROCKnROLLA - A QUADRILHA (2008), de Guy Ritchie



História sobre as consequências, em várias personagens, de negócios imobiliários pouco claros, assinala o regresso à boa forma de Guy Ritchie (mais conhecido para o mundo como o "ex" de Madonna), que não produzia uma fita tão boa desde SNATCH - PORCOS E DIAMANTES (2000). Ritchie povoa a Londres deste ROCKnROLLA com agiotas repugnantes, estrelas musicais que encenam a sua própria morte, ladrões de segunda linha, contabilistas aborrecidas com o alto mundo financeiro e até um bilionário russo ansioso por investir no Reino Unido e que efectua as suas reuniões na «Sala Vip» de estádios de futebol (lembra-vos alguém?).

O argumento, direcção de fotografia e montagem - dinâmicos e frenéticos - remontam, imediatamente, para os ambientes que aclamaram os primeiros filmes de Guy Ritchie. A única nuance é o "refreio" que o cineasta imprime ao estilo, assinando uma obra menos visceral e muito episódica. Certo de que não se vai tornar num filme incontornável da sua filmografia, ROCKnROLLA é o aquecimento perfeito para essa curiosidade que dá pelo nome de SHERLOCK HOLMES, com Robert Downey Jr. e Jude Law, a qual conhecerá estreia durante o presente ano.

O ESTRANHO CASO DE BENJAMIN BUTTON (2008), de David Fincher



Como o próprio narra, Benjamin Button (Brad Pitt) nasceu em circunstâncias peculiares: quando bebé, ostentava a aparência de um idoso; aos 80 anos, enfrenta o fim de vida com o aspecto de um adolescente. Durante esta sua existência sui generis, Benjamin cruza-se com o mais variado leque de pessoas - amigos de longa data, outros passageiros - e um grande amor chamado Daisy (Cate Blanchett), cujo romance será toldado pelas tais «circunstâncias peculiares» do protagonista.

O filme mais fantástico e acessível da carreira de David Fincher (SETE PECADOS MORTAIS, CLUBE DE COMBATE), O ESTRANHO CASO DE BENJAMIN BUTTON é um dos principais favoritos à conquista do Óscar de Melhor Filme, ganhando, para já, o maior número de nomeações (a saber, treze) da edição do presente ano. Apesar de sofrer duma duração excessiva e alguns motivos "delicodoces" exagerados, é uma experiência agradável mas (para mim) rapidamente olvidável.

GRAN TORINO (2008), de Clint Eastwood



A recente morte da sua esposa e uma tormentosa experiência como soldado durante a Guerra da Coreia transformaram Walt Kowalski (Eastwood) num indivíduo com personalidade inflexível, sentimentos racistas e palavras amargas relativamente a tudo e todos. Resistente a qualquer mudança, nem mesmo a abandonar o bairro onde sempre viveu (agora um autêntico melting pot de raças e credos), Kowalski encontra uma inesperada amizade em Thao (Bee Vang) e Sue (Ahney Her), os seus jovens vizinhos de descendência vietnamita, que forçará o aparecimento de um altruísmo desconhecido na sua vida.

Propagado como o último filme em que veremos Clint Eastwood a representar, GRAN TORINO apresenta-nos a pseudo-visão de Dirty Harry aquando da sua reforma, tal é a raiva e intolerância ostentadas pelo protagonista. No entanto, é a interpretação de Eastwood (escandalosamente privado de uma nomeação ao Óscar de Melhor Actor) que segura o filme do princípio ao fim, tornando-o num título de obrigatória recomendação. Destaque, também, para o inseguro Thao, um dos melhores papéis secundários, por parte de um estreante, de 2008.

SUICIDE CIRCLE (2002), de Sion Sono



Uma "corrente" de suicídios em massa por parte de adolescentes japoneses - realce para a sangrenta cena inaugural, passada numa estação de metropolitano - deixa as autoridades perplexas e sem qualquer pista sólida acerca do motivo desse estranho fenómeno. Culto perverso? Moda passageira? Estranha e maléfica obsessão? As respostas vão indicando a influência de um website e de um popular conjunto musical, tipo girls band, como os responsáveis pelo misterioso comportamento de centenas de jovens nipónicos.

A provar que o cinema de horror mais criativo do momento é o produzido na terra do Sol Nascente, este filme independente de 2002 demonstra que no Japão, em termos de Sétima Arte, tudo é possível desde que exista imaginação, vontade e coragem. O argumento procura incluir, na última meia hora, mensagens de reflexão acerca da sociedade contemporânea japonesa, mas tal decisão acaba por se revelar desnecessária, já que a miscelânea de terror e mistério conseguem agarrar o espectador até ao seu último frame. Recomendado para os irredutíveis aficionados do J-Horror.

3 comentários:

CinemaBox disse...

Eu achei o ROCKnROLLA bastante fraquinho... vamos lá ver, agora que a "Mandona" se foi embora, se o Guy Ritchie volta a estar em grande com este novo SHERLOCK HOMES

Fifeco disse...

Eu não gostei nada do Rock n Rolla. A par do Valkyrie, sao as grandes desilusões do ano.

Já o Curious, adorei. Para mim é uma fábula inacreditável repleta de momentos memoráveis. É o meu favorito para os Oscars. Ainda assim, o meu filme de eleição do realizador (e não só) é e será sempre o Fight Club.

Abraço

Os Filmes de Frederico Daniel disse...

"RocknRolla: A Quadrilha": 4*

"RocknRolla: A Quadrilha" é um filme de ação repleto de crime, adrenalina e com luta à mistura.
"RocknRolla" surpreendeu-me pela positiva e recomendo que o vejam, dá para passar muito bem o tempo.

Cumprimentos, Os Filmes de Frederico Daniel.