quinta-feira, maio 21, 2009

Festival de Cannes 2009 — Dia 9



Com a Primeira Guerra Mundial prestes a deflagrar, uma série de estranhos e ameaçadores eventos numa aldeia no Norte da Alemanha servem de base para o novo filme do realizador austríaco, DAS WEIβE BAND (ou THE WHITE RIBBON).



Embora seja claro o recurso à imagem de um grupo de crianças que crescem num ambiente repressivo de hipocrisia religiosa e abuso sexual como convite à reflexão sobre a geração que fabricou a Alemanha Nazi, Haneke afirmou, durante a conferência de imprensa, que «não desejo que o vejam como um filme sobre fascismo. O intuito sempre foi criar uma história sobre um grupo de crianças que assume cegamente os ideais pregados pelos seus pais», acrescentando que «um ideal adoptado nos seus termos absolutos transforma-se em algo desumano. E essa é a raiz de toda e qualquer forma de terrorismo».

Michael Haneke: cineasta de poucos consensos e, agora, ávido de mensagem política...

...mas capaz de partilhar uma gargalhada com Ulrich Tukur, protagonista de DAS WEIβE BAND


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Baseado num artigo de jornal sobre um ex-prisioneiro que, logo após a sua libertação, envereda por uma carreira de 'golpista'. Fingindo representar uma empresa de construção civil, aproveita-se de uma comunidade afectada pela paralisação das obras duma auto-estrada e assume-se como a pessoa capaz de levar o empreendimento até ao fim, procurando lucrar com a fraude.



Possui premissa interessante, mas À L'ORIGINE não reuniu uma quantidade de críticas favoráveis à altura do seu conceito, tendo mesmo sido apelidado de «longo e desinteressante». Todavia, esta vaga depreciativa não coibiu o realizador, Xavier Giannoli, de concordar com o facto de que, do ponto de vista comercial, «um filme de 150 minutos é um risco, um enorme risco», mas nunca deixou de defender À L'ORIGINE: «Pretendi alargar o argumento para além da simples história curiosa. Quis criar uma ficção de genuína humanidade».

O realizador Xavier Giannoli durante a conferência de imprensa

Emmanuelle Devos e François Cluzet: o duo protagonista de A L'ORIGINE


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Não obstante a primazia que foi dada hoje ao cinema europeu, é-me impossível não referir a ante-estreia mundial de DRAG ME TO HELL, ou o regresso de Sam Raimi aos filmes de terror que definiram o início da sua carreira.



Exibido fora de competição, este conto de horror que, deliciosamente, mistura recusas de hipotecas e exortação de pragas maléficas arrebatou o público em Cannes. Confrontado com este favorável "regresso às origens", após anos de dedicação ao franchising HOMEM-ARANHA, Raimi simplesmente afirmou: «Era como conduzir uma orquestra sinfónica. Neste filme, senti-me a improvisar com um quarteto de jazz».

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