segunda-feira, setembro 07, 2009

OS INFORMADORES (2009), de Gregor Jordan



Se fosse necessário enumerar motivos para escutar, "à força", alguns dos clássicos da Pop dos anos 80, então ver este OS INFORMADORES seria um deles. Por outras palavras, só o efeito de nostálgica melomania consegue triunfar nesta passiva (no pior sentido do termo) adaptação do livro de contos de Bret Easton Ellis, uma das mais interessantes — a meu ver — obras do escritor norte-americano e onde, não obstante o seu carácter episódico, as personagens tinham mais ritmo que os seus alter egos no grande ecrã.

O universo literário de Bret Easton Ellis — assumindo em OS INFORMADORES o duplo papel de co-argumentista e produtor executivo — sempre viveu da análise da América dos anos 80, esmiuçando sobretudo as classes sociais de topo, a euforia capitalista da época e a impassibilidade de adolescentes universitários imbuída de consumo de estupefacientes. Esta caracterização sociológica "transpirou", com sucesso inconstante, tanto para as anteriores adaptações dos seus romances ao Cinema (MENOS QUE ZERO, PSICOPATA AMERICANO e AS REGRAS DE ATRACÇÃO) como também para este filme, o qual, é quase legítimo dizer, não perdurará na memória colectiva dos títulos produzidos em 2009. No mínimo, fomentará a curiosidade em ler a sua origem literária.



Num enredo labiríntico situado na Los Angeles de 1983, OS INFORMADORES debruça-se, principalmente, em Graham (Jon Foster) que para além da angústia de saber se a namorada, Christie (Amber Heard), é-lhe ou não fiel, ainda tem de suportar a inesperada reconciliação dos seus pais, William (Billy Bob Thornton) e Laura (Kim Basinger). William, por sua vez, utiliza este regresso à vida conjugal como forma de escapar à onerosa pensão de alimentos que o divórcio lhe custaria, ao mesmo tempo que luta, pateticamente, pela continuação do seu caso extraconjugal com Cheryl (Winona Ryder), uma apresentadora de notícias em ascensão.

Intercalando este "plot point principal", acompanhamos a chegada de Bryan Metro (Mel Raido, numa personagem que parece invocar, a espaços, Bryan Ferry) a Los Angeles, uma estrela rock sem grande consciência da realidade à sua volta, e o confronto entre Peter (Mickey Rourke, sempre over-the-top) e Jack (o último papel de Brad Renfro antes da sua morte em Janeiro de 2008) motivado por um tenebroso esquema de rapto de crianças.



Pelo facto de nenhuma personagem se distinguir neste lúgubre panorama de situações, também é impossível destacar interpretações, embora resida no elenco a principal fonte — deliberada ou não — de sucesso em OS INFORMADORES. A presença de actores que conheceram os seus melhores dias durante os anos 80 — Kim Basinger, Mickey Rourke, até Chris Isaak — permite a apreensão de um irónico teor de familiaridade com aquela década, assim como a já referida banda sonora, composta por guilty pleasures como os Simple Minds ou os Devo.

Mas estes dois pormenores não retiram ao filme o fraco veredicto que lhe atribuo. OS INFORMADORES acaba por ser uma tentativa falhada — inclusive pelo próprio Bret Easton Ellis — em ser fiel à bibliografia de um dos escritores mais proeminentes da actualidade: as personagens nos seus livros são vácuas, é inegável, mas tal facto em Cinema continua a ser mais apropriado para os zombies em filmes do seu género. As figuras que povoam o filme só surgem felizes quando conseguem o engate ocasional ou a cobiçada linha de cocaína — e nisto reside as únicas variações emocionais das personagens. Nem uma ou outra "explosão" de violência física/psicológica consegue retirar o espectador da letargia. Assim, e excepcionalmente da minha parte, recomendo o livro à adaptação cinematográfica.

3 comentários:

Pelicano disse...

Achei o filme interessante e o que está mais de acordo com os livros do Bret Easton Ellis.

Anónimo disse...

Discordo totalmente desta crítica. O filme de Gregor Jordan invoca a atmosfera do livro de BEE, é perfeito na contextualização e tecnicamente soberbo. Além disso - o que não me aconteceu, por exemplo, em "American Psycho" ou "Regras da Atracção" - o desenvolvimento das personagens provocou-me múltiplas emoções: raiva, pena, nojo. Tudo aquilo que sinto ao ler um livro de BEE.

Sam disse...

Caros Pelicano e "Anónimo",

agradeço, desde já, as vossas opiniões à forma como interpretei OS INFORMADORES.

Infelizmente (e, acreditem, não gosto quando tal acontece), não o achei uma boa adaptação ao livro de Bret Easton Ellis. Pode ser que o tempo mude esta minha posição.

Regressem sempre. Cumps cinéfilos.