terça-feira, junho 08, 2010

Festival de Xangai 2010



Prestes a cumprir 13 edições, o Festival Internacional de Xangai é considerado como um dos maiores certames cinematográficos do continente asiático. Palco perfeito para a descoberta e revelação de talentos ocultos, os filmes em competição primam sempre pela diversidade temática e geográfica.

Este ano, entre 12 e 20 de Junho, o júri (presidido por John Woo e composto por nomes como Amos Gitaï, Leos Carax e Zhao Wei) avaliará 16 títulos candidatos ao Golden Goblet.

O Keyzer Soze destaca, de seguida, os principais filmes a concurso:

  • Em Competição


  • . DÉTOUR (Canadá), de Sylvain Guy



    Há mais de vinte e dois anos que Leo Huff trabalha no mesmo escritório, reside com a mesma mulher no mesmo apartamento suburbano decorada com a mesma mobília velha e nutre a mesma rotina diária. Resumindo, a sua vida é um manifesto de monotonia. Este panorama altera-se quando Leo faz-se passar por engenheiro junto de uma comunidade rural, onde conhece Lou, uma rapariga jovem e angustiada, e embarca numa viagem emocional recheada de inesperados contornos.
    Sylvain Guy é um dos realizadores canadianos mais emergentes da actualidade, tendo sido galardoado, em 2005, com o Genie Award (o equivalente no Canadá aos Óscares) de Melhor Argumento por MONICA LA MITRAILLE.

    . BACIAMI ANCORA (Itália), de Gabriele Muccino



    Dez anos depois, Muccino reúne o elenco de O ÚLTIMO BEIJO. Carlo e os seus amigos — tanto os casados como os divorciados, todos procuram conciliar as obrigações familiares com as profissionais — reúnem-se para fortalecer laços, descobrir novas relações e reacender antigas paixões numa busca pelo amor duradouro. Uma homenagem à amizade e amor vitalícios.

    . LA PRIMA COSA BELLA (Itália), de Paolo Virzì



    Bruno Michelucci retorna à estância balnear de Livorno onde, trinta anos antes, uma série de acontecimentos levou-o a romper com todos os seus laços familiares. Sobretudo com a mãe, um espírito inquieto e vibrante, que conseguirá fazer Bruno reconciliar-se com o passado, apesar das novas e surpreendentes descobertas que o momento actual lhe apresenta.
    Paolo Virzì é ainda um nome a descobrir do Cinema Italiano contemporâneo, apesar de já somar presenças de peso nos festivas de Veneza (OVOSODO, 1997) e Locarno (BACI E ABBRACCI, 1999).

    . OCEAN HEAVEN (China), de Xue Xiao-Lu



    Sam Wong cuida do seu filho David, um autista apreciador de natação e que nunca se apercebeu da morte da sua própria mãe. Com enorme carinho e perseverança, Sam faz tudo para cuidar de David, embora saiba que, um dia, não poderá continuar a viver com ele — e esse dia chegará mais cedo do que se espera...
    Um dos argumentistas mais regulares de Chen Kaige, Xue Xiao-Lu estreia-se na realização com um conto moral interpretado por Jet Li, aqui totalmente afastado da imagem internacional que possui como estrela de filmes de acção.

    . ONDINE (Irlanda), de Neil Jordan



    A história de um pescador irlandês (Colin Farrell) que descobre, arrastada pela sua rede de pesca, uma mulher que ele acredita tratar-se de uma sereia.
    Provavelmente o filme mais comercial em competição, assinala o regresso de Neil Jordan aos dramas fantásticos (lembram-se do onirismo de A COMPANHIA DOS LOBOS?) e a sua estreia no festival asiático de cinema com maior reputação.

    . PAY BACK (Irão), de Tahmineh Milani



    Quatro mulheres, vítimas de diversos problemas sociais, conhecem-se numa prisão. Decididas em obter vingança do jugo masculino que as rodeia, formam um gang criminoso. Após uma série de incidentes, irão perceber que a origem dos seus problemas não está relacionada com a luta entre géneros, mas sim com a ausência de entendimento social...
    Tahmineh Milani é, a par de Samira Makhmalbaf e Mona Zandi, uma das principais cineastas da Nova Vaga Iraniana, cujos filmes — e PAY BACK não é excepção — lidam principalmente com os direitos das mulheres e a Revolução Iraniana de 1979.

    . LA DERNIÈRE FUGUE (Canadá), de Léa Pool



    Os Lévesque reúnem-se para celebrar o Natal. Contudo, a ocasião é assombrada pelo patriarca da família: uma figura habituada a controlar a vida de todos, padece rapidamente ao efeitos debilitantes do síndroma de Parkinson. Prisioneiro no seu próprio corpo, os filhos "estremecem" sempre que leva um pedaço de comida à boca. Como lidar com alguém a quem foram negados todos os prazeres da vida?
    Segunda presença canadiana em competição, Léa Pool possui uma carreira com mais de vinte anos, tendo sido premiada em Berlim (com EMPORTE-MOI, 1999) e motivo de inúmeros tributos e retrospectivas por todo o mundo. O seu estilo cinematográfico emocional ainda está para ser descoberto pelo público português.

    . SALVE GERAL (Brasil), de Sérgio Rezende



    Inspirado em factos verídicos, recorda os ataques terroristas de 2006, em São Paulo, levados a cabo pela organização criminosa Primeiro Comando da Capital contra as autoridades civis da cidade — no que ficou conhecido como o «11 de Setembro Brasileiro» — pelos olhos de Lúcia, uma professora de piano viúva, que atravessa dificuldades financeiras enquanto tenta, desesperadamente, tirar o filho adolescente da prisão.
    Um dos realizadores mais activos na história recente do Cinema Brasileiro, Sérgio Rezende é presença constante em diversos festivais internacionais (o seu filme MAUÁ — O IMPERADOR E O REI esteve em competição na edição de 2000 do Festróia).

    . DESAUTORIZADOS (Colômbia/Peru/Uruguai/Venezuela), de Elia Schneider



    No meio de uma surrealista cidade de Caracas, Elia Schneider embarca numa fantástica viagem rumo à sua própria imaginação, onde um dramaturgo chamado Elias vê-se confrontado com o dilema de escrever uma peça que não o entusiasma ou enfrentar as consequências da sua liberdade artística.
    Com background teatral, Elia Schneider revelou-se ao mundo, em 2004, com PUNTO Y RAIA, uma sátira sobre o absurdo dos cenários de guerra, vencedor de vários prémios internacionais.

    . ZONAD (Irlanda), de John Carney e Kieran Carney



    A chegada de Liam, um toxicodependente que fugiu da clínica de desintoxicação onde estava internado, a uma pequena cidade irlandesa coincide com o avistamento de um raro cometa. O espanto causado pelo fenómeno faz com que a comunidade local veja Liam como um extraterrestre de outra galáxia.
    Oriundos da televisão irlandesa, os irmãos John e Kieran Carney assinalam, com esta comédia politicamente incorrecta, a sua estreia no grande ecrã. Escusado será dizer que ZONAD, pela sua sinopse, revela-se como uma das propostas mais sui generis da presente edição.

    A lista completa dos filmes Em Selecção pode ser consultada aqui.

    Sem comentários: