quinta-feira, setembro 02, 2010

Festival de Veneza 2010 — Dia 2



Dez anos depois de ter arrecadado o Prémio do Júri por ANTES QUE ANOITEÇA, o eclético Julian Schnabel regressa ao Lido com MIRAL (Em Competição), uma história acerca do conflito entre Israel e a Palestina visto pelos olhos de uma órfã judia.



Sob o espectro das notícias vindas a lume que relatam a proibição de viajar imposta ao cineasta iraniano Jafar Panahi pelo governo do seu país, MIRAL manteve as atenções do Festival viradas para as turbulências políticas no Médio Oriente. Tanto pelo seu tema como pelas individualidades com que Schnabel se apresentou, nomeadamente a palestiniana Rula Jebreal, autora do livro que inspirou o filme.

Sobre os motivos que convenceram Schnabel a filmar MIRAL, o nova-iorquino foi peremptório: «Uma das razões foi ter percebido que existem mais semelhanças que diferenças entre os dois povos. É um conflito que tem de acabar. Não há motivos para que continuem a morrer crianças de cada lado».

Um nobre empenho que não está a encontrar ressonância na crítica. O tema do filme "emerge como um tímido mosaico sobre esperança" e a interpretação de Freida Pinto demonstra "mais esforço que expressividade".

Julian Schnabel deixa-se fotografar diante de um retrato seu

Schnabel e a escritora palestiniana Rula Jebreal

O cinema meditativo de Anh Hung Tran regressa ao Lido com NORWEGIAN WOOD (Em Competição), a adaptação do best-seller de Haruki Murakami.



Confessando que a transposição do livro para o grande ecrã representou uma tarefa intrincada, o cineasta contou, durante a conferência de imprensa, que se reuniu com Murakami para solicitar conselhos. Segundo Anh Hung Tran, o romancista nipónico apenas pediu que «fizesse o filme tal como tinha em mente. Só estava "obrigado" a torná-lo atraente».

Uma característica totalmente louvada pela crítica especializada. NORWEGIAN WOOD capta brilhantemente a paisagem rural japonesa e merece, em alguns momentos, a alcunha de "sumptuoso festival visual". No entanto, o ritmo imposto ao filme, vagaroso e demasiado contemplativo, é o ponto fraco mais destacado. "O humor do romance foi severamente omitido ou reduzido" e "poucos terão paciência para se deixarem enredar em duas horas de amor e sexo adolescente": sinal de desempenho irregular na presente edição do Festival?

'Cast and crew' de NORWEGIAN WOOD

Uma saudação muito especial de Kiko Mizuhara e Rinko Kikuchi

Imagens retiradas de: Site Oficial do Festival, AFP e Reuters.

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