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terça-feira, outubro 02, 2012

Dias de Festival de Veneza

O testemunho, único e pessoal, do Diogo Lima em Veneza.

Estudante de cinema, mas já duplamente premiado no Panazorean Film Festival com PDL-LIS, e o melómano autor do blog Edição Limitada, fruiu, recentemente, da invejável oportunidade de acompanhar o Festival de Veneza em primeira mão. Em discurso directo, eis o seu relato de dez dias em Veneza.




Há coisa de três semanas um grupo de 27 jovens (um por cada nacionalidade da UE) teve a oportunidade de visitar o Festival Internacional de Cinema de Veneza e de integrar uma série de conferências e workshops promovidos pela secção independente Venice Days, a casa-mãe da iniciativa promovida pelo Parlamento Europeu, Europa Cinemas com colaboração do site Cineuropa.org. Eu fui o português seleccionado em representação do Cinema City Classic Alvalade (ao qual aproveito para deixar, mais uma vez, um enorme obrigado!) e este é um relato muito compacto da minha experiência.

Não te apercebes que vais viver um dos melhores momentos da tua vida quando recebes um e-mail a dizer que foste seleccionado para ir a um dos maiores festivais do mundo. Não te apercebes disso quando recebes as passagens de avião ou quando, a 20 minutos da viagem para o aeroporto, perdes as chaves do cadeado que — maravilha das maravilhas — já está posto na mala.

Não te apercebes disso quando chegas ao Marco Polo e encontras o gajo de Malta com quem vais apanhar o barco para o Lido nem quando te dão as chaves para ficares num apartamento com uma holandesa, uma lituana e um dinamarquês.

Os primeiros momentos de conversa que tens com o resto do pessoal dão-te logo a entender que há ali uma "conexão latina" — Portugal, França, Itália e Espanha dão-se sempre às mil maravilhas. Independentemente de nacionalidades, o gelo quebra-se com todos à medida que a vergonha se perde.

A rotina constrói-se e entranha-se involuntariamente em cada um. Depois de acordar às 7, grunhem-se dois dedos de conversa entre um espresso e um croissant no Caffè Bahiano (com um daqueles muy tugas azulejos a dizer "evite ressacas, mantenha-se bêbado"). Seguem-se as conferências matinais, o almoço numa das piores "cantinas" que este mundo já viu dar à luz e uma tarde entre passeatas e doses cavalares de longas-metragens que se estendem até à meia-noite, hora em que num inglês mais ou menos abrutalhado se trocam opiniões e se criam laços fortalecidos por uma Nastro Azzurro ou por uma Spritz numa esplanada qualquer.

A correria para as filas pré-filme (condição à qual até o detentor de uma mera credencial da Giornate Degli Autori está sujeito) faz parte da rotina e é como uma imperial: quando se está acompanhado sabe melhor. Rapidamente se dá com o jeito ao recinto quando tanta vez se procura pelas Sala Darsena, Volpi, Pasinetti, PalaBienale...

"Signore e signori, vi preghiamo di prendere posto, la proiezione sta per iniziare."

Poucas vezes senti um arrepio tão forte quando vi pela primeira vez a animação introdutória do festival, obra do italiano Simone Massi (http://www.youtube.com/watch?v=oYdnOUAWKu0). Infelizmente a primeira sessão acaba por ser um prenuncio da mediania a que os meus olhos foram sujeitos nos dias que se sucederiam.

As expectativas depressa foram abaixo: WOMAN’S TALES — uma série de curtas realizadas por mulheres financiada pela MIU MIU — e PINOCCHIO — uma animação de Enzo D’Alò capaz de dar ataques epilépticos até ao homem mais são numa narrativa demasiado curta e compactada para uma história tão grande — revelaram-se desilusões para quem estava à espera de algo mais.

Apesar do vasto leque de narrativas desastrosas e personagens inconstantes/inconsistentes, Veneza não tem o nome que tem por magia; houve tempo para revelações como QUEEN OF MONTREUIL, de Solveig Anspach, a afirmação de Jesper Ganslandt (BLONDIE) como um realizador muito a ter em conta ou a mesmerizante aventura de Harmony Korine pelos meandros da degradante cultura pop actual em SPRING BREAKERS. TABU, de Miguel Gomes (nomeado para o LUX PRIZE da UE), é definitivamente um arthouse crowd pleaser. IO SONO LI, de Andrea Segre, uma calma e melancólica abordagem à história de uma chinesa no meio de pescadores italianos. THE MASTER, de Paul Thomas Anderson, deixou-me com as voltas trocadas (tanto no bom como no mau sentido). TAI CHI ZERO, um Scott Pilgrim chinês com cheiros de Spielberg.

As manhãs eram preenchidas com panel sessions com gente do mundo do cinema como Giorgio Gosetti, director do Venice Days; Derek Malcolm, crítico internacional; Solveig Anspach, realizadora islandesa; Frédéric Boyer, o director artístico do Tribeca Film Festival; Domenico LaPorta, editor do Cineuropa.org.

Não te apercebes que estás a viver um dos melhores momentos da tua vida a meio da experiência. Discutes isso com quem te acompanha diariamente, mas estás demasiado ocupado a absorver tudo à tua volta. Os workshops e panel sessions, as noites passadas entre discussões infrutíferas sobre a qualidade do trabalho de Terrence Malick e danças ao som dos hits que só os italianos sabem condicionar numa playlist.

A quilometragem vai pesando nas pernas à medida que o Lido se vai tornando habitat natural e até o Hotel Des Bains de MORTE EM VENEZA, pelo qual passamos diariamente, se torna quase invisível. Há tempo para uns desvios em S. Maria Elizampetta ou até mesmo a Veneza que todo o mundo conhece, mas o percurso de 20 minutos a pé entre apartamento e casino vai parecendo cada vez mais e mais longo. Até a Spritz já começa a saber bem.

E chegamos ao último dia de festival: na cerimónia de encerramento concentram-se centenas de jornalistas e jovens com acreditações em frente a um LCD pequeníssimo para tanta gente. Sabem-se os vencedores dos cobiçados leões e batem-se palmas aos vencedores. A tensão é maior que numa final de campeonato europeu. O Leão de Prata vai para THE MASTER, palmas. Tudo em aberto para o Leão de Ouro. É PIETÀ, de Kim-Ki Duk. Um favorito do juri, crítica e público com um realizador estranhamente carismático que faz até os jornalistas berrarem um "Yes!".

Começas a aperceber-te à séria que viveste uma das melhores experiências da tua vida quando te começas a despedir a pouco e pouco das outras 20 e quantas pessoas que fizeram parte dos últimos dez dias. Mais do que uma série de conferências, filmes e debates, o 27 Times Cinema foi uma oportunidade para discutir, conhecer e aprofundar sabedoria com outros europeus com a mesma sede, alargar horizontes (e até arranjar oportunidades de emprego!) e afins.

Pouco me importa que Toronto esteja a ganhar relevância no panorama dos festivais; Veneza ficará para sempre no coração deste vosso companheiro que vos escreve como o primeiro grande (e grandioso) festival de cinema. E só por aí já dá para perceber que a coisa foi MESMO boa.

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Obrigado, Diogo, por teres aceite o convite em partilhar a tua experiência nos Venice Days!

sábado, setembro 08, 2012

Festival de Veneza 2012 — Os Vencedores



Ao décimo primeiro e último dia de Festival, num atribulado anúncio marcado pela confusão na entrega de alguns dos prémios, o júri presidido por Michael Mann atribuiu o Leão de Ouro da 69ª edição do Festival de Veneza a PIETÀ, de Kim Ki-Duk.



Outro grande vencedor do certame é THE MASTER, com Paul Thomas Anderson a arrecadar o Leão de Prata (Melhor Realizador), enquanto Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman receberam, ex-aequo, a Coppa Volpi de Melhor Actor.



O prémio de Melhor Actriz foi para Hadas Yaron por LEMALE ET HA’CHALAL (de Rama Bursthein).





Os restantes prémios ficaram assim distribuídos:

Prémio Especial do Júri: PARADIES: GLAUBE, de Ulrich Seidl.

Prémio Marcello Mastroianni (Melhor Actor/Actriz Jovem): Fabrizio Falco, por LA BELLA ADDORMENTATA (Marco Bellocchio) e È STATO IL FIGLIO (Daniele Ciprí).

Melhor Argumento: Olivier Assayas, por APRÈS MAI.

Prémio Melhor Contributo Técnico (Fotografia): È STATO IL FIGLIO, de Daniele Ciprì.

Prémio 'Luigi de Laurentiis' para Melhor Filme de Estreia: KÜF, de Ali Aydin.

O palmarés completo pode ser consultado aqui.

[Imagens: AFP e Getty Images.]
[Vídeo: canal do YouTube do Festival.]

sexta-feira, setembro 07, 2012

Festival de Veneza 2012 — Dia 10



Último dia de sessões antes do veredicto do júri presidido por Michael Mann. Amanhã, por esta hora, o Leão de Ouro estará atribuído...

. PASSION, de Brian De Palma (Selecção Oficial)

De Palma e Noomi Rapace na passadeira vermelha

«In general, however, the impression is that De Palma is indulging himself with homages to his own Hitchcockian greatest hits.»
Neil Young in The Hollywood Reporter.

«So the De Palma themes of betrayal, doubles, and identity switches are all there, but what’s missing, initially, is some of his visual panache. His camera lurches where it once danced.»
Jamie Dunn in indieWIRE.



. UN GIORNO SPECIALE, de Francesca Comencini (Selecção Oficial)

Francesca Comencini, exuberante para os fotógrafos



. DU HAST ES VERSPROCHEN, de Alex Schmidt (Fora de Competição)



«Stylish and atmospheric, this is entertainingly old-school horror for much of its running time, stuffed with such tried-and-true ingredients as creepy children, a creaking, isolated house, seemingly spectral presences and whispering woods on a misty island full of cagey locals.»
David Rooney in The Hollywood Reporter.

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[Imagens: CBS News e Ansa.]
[Vídeos: canal do YouTube do Festival.]

quinta-feira, setembro 06, 2012

Festival de Veneza 2012 — Dia 9



. SINAPUPUNAN, de Brillante Mendoza (Selecção Oficial)

Brillante Mendoza (à direita) posa com as actrizes Lovie Poe, Mercedes Cabral e Nora Aunor

«Alluring scenery and a sympathetic lead performance help elevate an otherwise tepid, underdeveloped slice of Philippine ethno-drama.»
Neil Young in The Hollywood Reporter.



. LA CINQUIÈME SAISON, de Peter Brosens e Jessica Woodworth (Selecção Oficial)

A comitiva numerosa de ilustres desconhecidos de LA CINQUIÈME SAISON

«A loopy arthouse fable in which the rhythms of life in a rural Belgian community come apocalyptically unstuck.»
Robbie Collin in The Telegraph.



. THE COMPANY YOU KEEP, de Robert Redford (Fora de Competição)

O classicismo de Robert Redford preencheu Veneza

«While nostalgia is otherwise generally the order of the day here, it's not entirely filtered through rose-colored granny glasses, and the pic's colorful, almost-wastefully impressive cast limns a sociologically convincing rogue's gallery of reformed revolutionaries.»
Leslie Felperin in Variety.

«Adapted with clarity and intelligence, and lent distinguishing heft by its roster of screen veterans, this gripping drama provides an absorbing reflection on the courage and cost of dissent.»
David Rooney in The Hollywood Reporter.



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[Fotos: AFP e Getty Images.]
[Vídeos: canal do YouTube do Festival.]

quarta-feira, setembro 05, 2012

Festival de Veneza 2012 — Dia 8



Oitavo dia de Festival dominado pela presença multigeracional de vedetas femininas. De Claudia Cardinale, passando por Isabelle Huppert, até Selena Gomez, Veneza conheceu uma invulgar agitação de actrizes na passadeira vermelha.

. BELLA ADDORMENTATA, de Marco Bellocchio (Selecção Oficial)



«With typical intelligence and complexity, director Marco Bellocchio weaves three stories around the politically hot topic of euthanasia, turning a real-life Italian national drama into engrossing narrative for sophisticated audiences.»
Deborah Young in The Hollywood Reporter.

«The film doesn’t really have anything new to add to the debate (and doesn’t always engage with the thornier aspects of it), but there’s real humanity and tenderness in the way that it says it.»
Oliver Lyttelton in indieWIRE.

. SPRING BREAKERS, de Harmony Korine (Selecção Oficial)

Selena Gomez, da Disney até Veneza em poucos passos

«Harmony Korine shows how woozy and debauched the mainstream can be in a college-kid caper that is the weirdest, wildest film at Venice so far.»
Xan Brooks in The Guardian.

«It has hypnotic visual style and a dense, driving soundscape. But it’s also too monotonous and thematically empty to be seriously provocative.»
David Rooney in The Hollywood Reporter.



. SENNEN NO YURAKU, de Koji Wakamatsu (Orizzonti)

Exotismo nipónico em todo o seu esplendor

«A strangely sedate seaside saga from one of Japan's most revered mavericks.»
Neil Young in The Hollywood Reporter.



. O GEBO E A SOMBRA, de Manoel de Oliveira (Fora de Competição)

Michael Lonsdale, Claudia Cardinale e Luis Miguel Cintra, testemunhas da energia impressionante de Manoel de Oliveira

«Old-school charm and expert performances elevate a somewhat creaky theatrical adaptation by the tireless centenarian Manoel de Oliveira.
Neil Young in The Hollywood Reporter.



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[Fotos: CBS News e La Biennale.]
[Vídeos: canal do YouTube do Festival e NonSoloCinema.]

terça-feira, setembro 04, 2012

Festival de Veneza 2012 — Dias 6 e 7



Sexto e chuvoso dia de Festival...



... mas, em Veneza, o Cinema é sempre o melhor abrigo.

. OUTRAGE BEYOND, de Takeshi Kitano (Selecção Oficial)

Takeshi Kitano, a distribuir autógrafos, só é antipático nos seus filmes

«The Japanese action aesthete plays it cool and smooth in a picture that exerts a steadily tightening grip, though not until after a first hour of near-impenetrable gangster gab that may leave the uninitiated feeling stranded. »
Justin Chang, in Variety.

«A tough slog at first, Takeshi Kitano's latest yakuza crime spree should come with an explanatory manual, but the cumulative payoff of nasty humor, intrigue and visceral kill thrills is considerable.»
David Rooney, in The Hollywood Reporter.



. APRÈS MAI, de Olivier Assayas (Selecção Oficial)

Assayas, ao centro, com o elenco do seu novo filme

«Olivier Assayas has made a distinctive and nuanced film about the much-chronicled post-1968 years of radical European politics, as well as providing droll insight into his self-discovery as an artist.»
David Rooney, in The Hollywood Reporter.

«The press notes for the film talk of the present generation living in an 'eternal present', with no sense of history or purpose. This could well be the case, but on the evidence of his latest effort, it would appear that Assayas' nostalgia is misplaced - and, more importantly, cinematically uninteresting.»
John Bleasdale, in Cine-Vue.



. DISCONNECT, de Henry Alex Rubin (Fora de Competição)

O compositor Max Richter, Henry Alex Rubin e Lily Cole na sessão de gala

«Sleekly assembled and propelled by some strong performances, Henry-Alex Rubin's drama about the toll of technology on human connection says little that hasn't been said many times before.»
David Rooney, in The Hollywood Reporter.

Sétimo dia de Festival com importante presença portuguesa.

. PIETA, de Kim Ki-Duk (Selecção Oficial)

O realizador Kim Ki-duk com os actores Lee Jung-jin e Jo Min-soo

«As is often the case with Kim’s work, it’s far from an easy watch: repetitive, bruising and grim, set in a scuzzy part of the world, full of even scuzzier people. The filmmaking is unshowy and relatively matter-of-fact, yet the content is almost anything but.»
Oliver Lyttelton, in indieWIRE.

«Though the appreciable ending will be what festival juries remember when the prizes are being handed out — and female lead Cho Min-soo is bound to be a contender at Venice — it’s not an exaggeration to say there’s not a single pleasant moment in the film’s first half, and most Western audiences are going to find this very tough going.»
Deborah Young, in The Hollywood Reporter.



. LINHAS DE WELLINGTON, de Valeria Sarmiento (Selecção Oficial)

Valeria Sarmiento com o elenco feminino de LINHAS DE WELLINGTON

«Sarmiento sometimes risks spinning the film into a memorial special; an overstuffed revue show, pulling in too many directions. For all that, she delivers the tale with a gusto that would have made Ruiz proud.»
Xan Brooks, in The Guardian.

«Somewhat turgid, and hardly exceptional. But it’s also handsome, generally well acted when the performers stick to their first language, and a detailed and smart look at a point in history that’s likely little-known outside of Portugal.»
Oliver Lyttelton, in indieWIRE.



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[Fotos: AFP, Reuters e Getty Images.]
[Vídeos: Canal do YouTube do Festival.]

domingo, setembro 02, 2012

Festival de Veneza 2012 — Dia 5



Ao quinto dia de Festival, Terrence Malick, apupos, aplausos e muito debate aceso. Sucedeu o mesmo em Cannes com A ÁRVORE DA VIDA (2011) e o resultado foi o que se conhece...

. TO THE WONDER, de Terrence Malick (Selecção Oficial)

Olga Kurylenko posa para os fotógrafos. Malick, uma vez mais, não marcará presença

«Is unlikely to win over many who’ve sworn off Malick in the past, but it’s certainly one that leans towards traditional narrative a little more than THE TREE OF LIFE. And to our eyes at least it felt like a more coherent, deeply felt and satisfying film than its predecessor, and one of the highlights of the festival so far.»
Oliver Lyttelton, in indieWIRE.

«A slighter (and more repetitive) version of THE TREE OF LIFE in most respects, its flowing, exquisite imagery and elegant soundscape certainly pleasing to the eye and ear but the moves and motives of its sketchy characters failing to offer enough substance to nourish the spirit.»
Matt Mueller, in indieWIRE.



. LEMALE ET HA’CHALAL, de Rama Burshtein (Selecção Oficial)

Rama Burshtein, uma estreia sorridente em Veneza

«Stunningly shot in shallow focus, giving the ladies a soft incandescence, the film looks with great sympathy on a young woman being pressured by her mother to marry her late sister's husband.»
Jay Weissberg, in Variety.

«A serious romantic drama (though there are more than a few moments of rom com) in the context of a closed group with strict rules relating to marriage and relationships.»
Deborah Young, in The Hollywood Reporter.



. LOVE IS ALL YOU NEED, de Susanne Bier (Fora de Competição)

Estrelas e equipa técnica de LOVE IS ALL YOU NEED, com Pierce Brosnan ao centro

«It's neither unpredictable nor exactly fresh, but audiences willing to surrender to Susanne Bier's gently comic romance will find plenty of rewards.»
David Rooney, in The Hollywood Reporter.



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[Fotos: Associated Press, AFP e Getty Images]
[Vídeos: canal do YouTube do Festival.]

sábado, setembro 01, 2012

Festival de Veneza 2012 — Dia 4



Antes do quarto dia de Festival, em que THE MASTER, novo e antecipadíssimo filme de Paul Thomas Anderson, foi "rei e senhor" das atenções, outro mestre foi homenageado: Francesco Rosi, recipiente do Leão de Ouro de Carreira e com a oportunidade de ver o seu filme IL CASO MATTEI (1972) em edição restaurada:



. THE MASTER, de Paul Thomas Anderson (Selecção Oficial)

Joaquin Phoenix, os produtores Daniel Lupi e JoAnne Sellar, Philip Seymour Hoffman e Paul Thomas Anderson

«Perhaps the element of the film that’s lingered the most for us, even above the fantastic performances, is the rhythm of the film. Languid and dreamlike, it’s as hypnotic as the ‘processing’ that’s central to the Cause, until you’re released blinking and dazed into the daylight once the credits roll.»
Oliver Lyttelton, in indieWIRE.

«The themes may be contentious, but the handling is perfect. If there were ever a movie to cause the lame to walk and the blind to see, THE MASTER may just be it.»
Xan Brooks, in The Guardian.



. È STATO IL FIGLIO, de Daniele Ciprì (Selecção Oficial)

Daniele Ciprì, siciliano de naturalidade e atenção artística

«Although the film’s faintly surreal depiction of the Mediterranean island’s freaks and foibles is entertaining enough, it fails to gel into a satisfying story.»
Lee Marshall, in ScreenDaily.

. LULLABY TO MY FATHER, de Amos Gitai (Fora de Competição)

O realizador Amos Gitai saúda os fotógrafos



. CHERCHEZ HORTENSE, de Pascal Bonitzer (Fora de Competição)

Bonitzer ladeado pelas actrizes Kristin Scott Thomas e Isabelle Carré

«Generally, the film is less about story points than about the characters' relationships and the world they live in, a contempo society that's clearly multicultural but doesn't grant the same value to all cultures.»
Boyd van Hoeij, in Variety.

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[Fotos: CBS News, La Tercera, AFP e Cineblog.it]
[Vídeos: canal do YouTube do Festival]

sexta-feira, agosto 31, 2012

Festival de Veneza 2012 — Dia 3



No dia em que Veneza teve a oportunidade de ver a versão restaurada de AS PORTAS DO CÉU (1980), a magnus opus de Michael Cimino cuja ambição quase faliu a United Artists, foram exibidos alguns dos títulos em competição menos conhecidos mas, artisticamente, mais "agitadores".

Michael Cimino a receber o Prémio Persol 2012

. PARADIES: GLAUBE, de Ulrich Seidl (Selecção Oficial)

Ulrich Seidl, criador das primeiras imagens memoráveis de Veneza 2012

«The second part of an interconnected trilogy, this portrait of a middle-aged femme missionary is a bit more accessible than its predecessor, if any film that features masturbation with a crucifix could be called accessible.»
Leslie Felperin, in Variety.

«Seidl almost entirely uses languid, symmetrical, static tableaus of shots, (...) and it’s the kind of stark, European feel that could well alienate some.»
Oliver Lyttelton, in indieWIRE.

. AT ANY PRICE, de Ramin Bahrani (Selecção Oficial)

Zac Efron e Maika Monroe na sessão de gala para AT ANY PRICE

«Out of nowhere, it's heading to violence, crime, guilt. But Bahrani doesn't seem to know how to handle these darker themes and finally, evasively, the movie behaves as if it hasn't happened.»
Peter Bradshaw, in The Guardian.

«An engrossingly serious-minded heartland drama, rich in moral ambiguity, that examines the challenging relationship of fathers and sons in the difficult terrain of modern commercial farming.»
David Rooney, in The Hollywood Reporter.

. WADJDA, de Haifaa Al Mansour (Orizzonti)

A realizadora Haifaa Al Mansour com a jovem protagonista Waad Mohammed

«It tells the story of this ten-year-old schoolgirl, and many like her, and it is the best thing I have seen at this year’s Venice International Film Festival so far.»
Robbie Collin, in The Telegraph.

. BAD 25, de Spike Lee (Fora de Competição)

Spike Lee, definitivamente vestido a rigor

«In his warm and affectionate study of Michael Jackson's Bad, Spike Lee displays an exuberant reverence for the King of Pop.»
Peter Bradshaw, in The Guardian.

«Even those of us who developed a Michael Jackson allergy during the saturation attention that followed his death will find rich rewards in Spike Lee's terrific documentary tribute.»
David Rooney, in The Hollywood Reporter.

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[Fotos: AFP, CBS News e The Guardian.]

quinta-feira, agosto 30, 2012

Festival de Veneza 2012 — Dia 2



Antes dos destaques deste segundo dia — o qual foi preenchido por outsiders aos grandes prémios —, recapitulemos os momentos principais da cerimónia de abertura da 69ª edição do Festival:



. IZMENA, de Kirill Serebrennikov (Selecção Oficial)



«However, the conclusions drawn in IZMENA are bleak and the characters all seem in one way or another to be going to their self-appointed hells. One is just left wishing they hadn't meandered so much along the way.»
John Bleasdale, in Cine-Vue.

«Strong performances and stylish direction are undermined by some seriously credibility-stretching plot developments in this overwrought, overlong Russian tale of adulterous passions.»
Neil Young, in The Hollywood Reporter.

. SUPERSTAR, de Xavier Giannoli (Selecção Oficial)

Os actores Kad Merad e Cecile De France com o realizador Xavier Giannoli na passadeira vermelha do Palazzo del Cinema

«It's a decent performance by Kad Merad, but the whole film is just so redundant and fundamentally unconvincing.»
Peter Bradshaw, in The Guardian.

«Giannoli keeps SUPERSTAR moving at a fair clip, almost like a paranoid conspiracy thriller, but at some stage the film becomes predictable, the satire all too familiar.»
John Bleasdale, in Cine-Vue.



. TANGO LIBRE, de Frédéric Fonteyne (Orizzonti)

Um divertido Sergi López (à direita) posa com o realizador Frédéric Fonteyne e uma gravidíssima Anne Paulicevich

«The inflamed passions of the tango ignite this soulful, well-acted drama, even if that same extravagant spirit eventually throws the storytelling off course.»
David Rooney, in The Hollywood Reporter.

. THE ICEMAN, de Ariel Vromen (Fora de Competição)

Michael Shannon, Winona Ryder e Ray Liotta posam para os fotógrafos

«Michael Shannon is chilling as America's most notorious hitman, but his cold heart must thaw to be more engaging as drama.»
Peter Bradshaw, in The Guardian.

«There are some good instincts at work in the film from Vroman. It’s never a painful watch, more of a faintly dull, seen-it-all-before one. If nothing else, it’s evidence that these days, being based on a true story isn’t enough to elevate a film in a well-worn genre ahead of the pack.»
Oliver Lyttelton, in indieWIRE.



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[Fotos: CBS News e elPeriódico.]
[Vídeos: canal do Youtube do Festival de Veneza e Collider.com.]

quarta-feira, agosto 29, 2012

Festival de Veneza 2012 — Dia 1



Os destaques do primeiro dia da 69ª edição do Festival de Veneza.



. THE RELUCTANT FUNDAMENTALIST, de Mira Nair (Filme de Abertura; Selecção Oficial)

Elenco e a realizadora posam para os fotógrafos

Kate Hudson na passadeira vermelha

Naomi Watts e Liev Schreiber

«This is bold and muscular storytelling with a plausible performance from Riz Ahmed in the lead role — though there is something flabby and evasive in the inevitable equivalence it winds up proposing between Islamic fundamentalism and aggressive American capitalism.»
Peter Bradshaw, in The Guardian.

«Ultimately, heavy-handed is the operative word. The brief moments of nuance suggest the kind of film it might have been, but for the most part Nair is interested in telling, rather than showing, and she’s not telling you anything you didn’t know before.»
Oliver Lyttelton, in indieWIRE.

«Nair is extremely careful not to demonize the American or the Pakistani but rather to suggest how much they have in common, had politics not put them on opposite sides of the table sipping tea, but inches away from a loaded gun.»
Deborah Young, in The Hollywood Reporter.

. ENZO AVITABILE MUSIC LIFE, de Jonathan Demme (Fora de Competição)

Avitabile e Demme, parceiros criativos de documentário

«It isn’t hard to see what attracted the director to the talented 57-year-old musician, a hyper-creative, mile-a-minute talker who sports a fuzzy haircut, a day’s stubble and a dangling crucifix earring.»
Deborah Young, in The Hollywood Reporter.



. STORIES WE TELL, de Sarah Polley (Fora de Competição)



«Making this film was the hardest thing I’ve ever done. It took five years and tormented me. I didn’t want to make it, and I wanted to give up many times along the way, but I also didn’t want this story to be out there in the words of someone other than the many people who lived it.»
Sarah Polley, sobre a experiência de realizar STORIES WE TELL.

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[Fotos: The Guardian e CBS News.]
[Vídeos: canal do Youtube do Festival de Veneza e indieWIRE.]

domingo, agosto 26, 2012

Festival de Veneza 2012 — Antevisão



Veneza prepara-se para acolher, a partir do próximo dia 29 e até 8 de Setembro, a 69ª edição de um dos principais festivais de cinema mundiais.

2012 assinala o primeiro ano de Alberto Barbera enquanto director artístico do Festival, e a mudança já se fez sentir — uma selecção oficial mais reduzida em comparação com as edições anteriores mas enorme em qualidade dos nomes reunidos e consequente expectativa gerada.

O júri internacional, presidido este ano pelo realizador Michael Mann, irá avaliar cerca de vinte obras para decidir qual será o galardoado com o Leão de Ouro para Melhor Filme, de uma selecção que o Keyzer Soze apresenta, de seguida, os seus destaques:

  • Em Competição

  • . THE MASTER, de Paul Thomas Anderson



    Um veterano da Marinha (Joaquin Phoenix) regressa a casa depois da Guerra perturbado e incerto relativamente ao seu futuro — até ao momento em que é aliciado para A Causa e pelo seu carismático líder (Philip Seymour Hoffman).

    . APRÈS MAI, de Olivier Assayas



    Paris, início dos anos 70. Gilles (Clement Metayer) é um estudante secundário completamente embrenhado na efervescência política e criativa do seu tempo, oscilando, tal como os seus colegas, entre o compromisso radical e as aspirações pessoais. Das primeiras experiências sexuais até às revelações artísticas durante uma viagem que termina em Londres, Gilles e os seus amigos terão de fazer escolhas cruciais de forma a encontrarem o seu rumo.

    . BELLA ADDORMENTATA, de Marco Bellocchio



    A história dos últimos seis dias de Eluana Englaro (cujo falecimento nunca ficou totalmente esclarecido) e a sua interacção com uma série de personagens fictícias de diferentes credos e ideologias.

    . PASSION, de Brian De Palma



    Christine (Rachel McAdams) retira prazer do controlo que exerce sobre a jovem e ingénua Isabelle (Noomi Rapace), conduzindo-a cada vez mais longe num jogo de manipulação e sedução, domínio e humilhação. Mas quando Isabelle dorme com um dos amantes de Christine, a guerra instala-se. Na noite do homicídio, Isabelle foi assistir a um bailado, enquanto Christine recebe um convite sedutor. De quem? Ela adora surpresas e dirige-se nua para o quarto onde o amante misterioso a aguarda...

    . PIETA, de Kim Ki-duk



    Contratado por prestamistas, um homem (Jo Min-soo) vive da tarefa, ameaçadora e brutal, de cobrar dívidas a várias pessoas. Sem família nem nada a perder, leva a cabo o seu trabalho independentemente da dor que causa a uma série de famílias. Até ao dia em que uma mulher (Lee Jung-jin) afirma ser a sua mãe. Rejeitando-a friamente à primeira, o homem aceita-a, gradualmente, na sua vida.

    . OUTRAGE BEYOND, de Takeshi Kitano



    A família criminosa Sanno subiu ao estatuto de enorme organização, expandindo o seu poder junto das esferas políticas e das grandes empresas legítimas. Os altos quadros da família Sanno são agora ocupados por jovem executivos, relegando os membros mais velhos para um patamar secundário. Essa fragilidade na hierarquia dos Sanno é exactamente o que detective Kataoka procurava, num momento em que a polícia se prepara para levar a cabo uma rusga a larga escala.

    . SPRING BREAKERS, de Harmony Korine



    Durante uma operação stop, quatro universitárias são detidas pela polícia por posse de estupefacientes. Durante a sua audição em tribunal, a fiança das raparigas é inesperadamente paga por Alien (James Franco), um infame bandido local de coração doce, que lhes proporcionará uma louca viagem de férias.

    . TO THE WONDER, de Terrence Malick



    Após visitarem o Mont Saint-Michel — em tempos denominado pelos franceses como "A Maravilha" (the Wonder) — no auge da sua paixão, Marina (Olga Kurylenko) e Neil (Ben Affleck) mudam-se para o Oklahoma, onde os problemas não tardam em surgir. Marina faz amizade com um padre (Javier Bardem) a atravessar uma crise de fé, e Neil renova os laços com uma amiga de infância, Jane (Rachel McAdams).

    . SINAPUPUNAN, de Brillante Mendoza



    Após sofrer o seu terceiro aborto espontâneo, Shaleha agoniza por não conseguir conceber uma criança. Sentindo que o seu marido Bangas An deseja ser pai, ela decide arranjar-lhe uma companheira mais nova. Dia e noite, Shaleha e o marido procuram nas comunidades vizinhas por uma mulher fértil para Bangas An.

    . LINHAS DE WELLINGTON, de Valeria Sarmiento



    Depois das tentativas comandadas por Junot (1807) e Soult (1809), Napoleão Bonaparte envia um novo e poderoso exército, comandando pelo Marechal Massena, para invadir Portugal em 1810. Os franceses alcançam, facilmente, o centro do país, mas o exército Anglo-Português, liderado pelo General Wellington (John Malkovich), aguarda-os...

    . PARADIES: GLAUBE, de Ulrich Seidl



    Para Annamaria, uma técnica de raios-x, o paraíso reside em dedicar as férias a trabalho missionário. Na sua peregrinação diária em Viena, ela vai de porta em porta transportando uma estátua da Virgem Maria. Um dia, depois de vários anos sem dar notícias, o seu marido, um muçulmano egípcio confinado a uma cadeira de rodas, regressa a casa. Os cânticos e as orações de Annamaria confundem-se com quezílias.

  • Fora de Competição

  • . ENZO AVITABILE MUSIC LIFE, de Jonathan Demme



    Filme sobre Enzo Avitabile, a sua música e Nápoles, que surge da estima recíproca entre dois artistas — Jonatham Demme é, há muito, fã do trabalho de Enzo, conhecido no mundo musical como um apaixonado pela pesquisa e experimentação artística.

    . LULLABY TO MY FATHER, de Amos Gitai



    Amos Gitai narra a história do seu pai, Munio Weinraub, estudante na escola de design e arquitectura Bauhaus, na cidade de Dessau, até ao seu encerramento por Hitler em 1933. Em Maio do mesmo ano, Weinraub é acusado de "traição contra o povo alemão", aprisionado e expulso da Alemanha.

    . BAD 25, de Spike Lee



    Documentário comemorativo do 25º aniversário do álbum 'Bad' de Michael Jackson.

    . THE RELUCTANT FUNDAMENTALIST, de Mira Nair



    Demonstrações estudantis grassam por Lahore, enquanto o jovem professor paquistanês Changez Khan (Riz Ahmed) revela ao jornalista Bobby Lincoln (Liev Schreiber) o seu passado como brilhante analista financeiro em Wall Street, o futuro promissor que tinha à sua frente e de como o iria partilhar com a sofisticada Erica (Kate Hudson). Mas o 11 de Setembro alterou todos os seus planos.

    . O GEBO E A SOMBRA, de Manoel de Oliveira



    Apesar da idade e do cansaço, Gebo (Michael Lonsdale) persegue a sua actividade de contabilista para sustentar a família. Vive com a mulher, Doroteia (Claudia Cardinale), e a nora, Sofia (Leonor Silveira), mas é a ausência do filho, João (Ricardo Trêpa), que os preocupa. Gebo parece esconder algo em relação a isso, em particular a Doroteia, que vive na espera ansiosa de rever o seu filho. Sofia, do seu lado, espera também o regresso do marido, ao mesmo tempo que o teme. Subitamente, João aparece e tudo muda.

    . THE COMPANY YOU KEEP, de Robert Redford



    Jim Grant (Robert Redford) é um advogado dos direitos civis e pai solteiro que educa a filha nos tranquilos subúrbios de Albany. A sua vida muda completamente quando um jovem jornalista, Ben Shepard (Shia LaBeouf), expõe a verdadeira identidade de Grant: um fugitivo radical e anti-guerra que, nos anos 70, foi procurado por homicídio.

    O programa completo, incluindo as secções secundárias, pode ser consultado no site oficial do Festival.

    [Fotos: Cine.gr, CINeol, Movieplayer e Screenweek.]

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