segunda-feira, março 28, 2011

Críticas da Semana

Breve resumo dos filmes visualizados esta semana.

IN A BETTER WORLD (2010), de Susanne Bier



Anton é um médico sueco dividido entre a residência que fixou na Dinamarca e o seu trabalho num campo de refugiados no Sudão. Contudo, são os problemas em casa que mais dominam a sua consciência: o casamento encontra-se num impasse e o filho mais velho, Elias, é vítima de bullying na escola. Entretanto, o jovem Christian, ainda em luto pela morte da mãe, cria amizade com Elias, a qual fomentará nos dois sentimentos de vingança com potenciais consequências trágicas.

Quando uma criança desequilibrada demonstra tendências para "brincar" com pólvora, a tragédia é iminente e previsível. E este último adjectivo é o ideal para descrever o vencedor menos consensual de um Óscar para Filme Estrangeiro dos últimos anos. Um enorme lugar-comum do princípio ao fim, que nem na sua bonita direcção de fotografia encontra remissão.

OUTRAGE (2010), de Takeshi Kitano



No auge do "processo de modernização" da máfia japonesa, Ototomo (o próprio Kitano) é figura principal numa família criminosa e apercebe-se de que uma aliança pouco desejada, inclusive perigosa para a sua vida, está a ser forjada entre a família Murase e o Presidente da yakuza. A sua retaliação desencadeará numa "orgia" de homicídios, invasões de território e ajustes de contas que as corruptas forças da lei nem se atrevem a deter.

O regresso de Takeshi Kitano às histórias de poder e crime da yakuza não traz novidades, excepto na infusão de um constante sentido de humor negro que é quase indistinguível de sadismo pueril. A anos-luz do fabuloso SONATINA (1993), mas uma prova de que, actualmente, ninguém encena melhor vigorosos murros ou climáticos banhos de sangue como Kitano.

CONFESSIONS (2010), de Tetsuya Nakashima



Uma professora de liceu anuncia à turma não só a sua demissão, como também os responsáveis pela morte da filha: dois estudantes daquela mesma turma. A partir desta acusação, somos testemunhas dos pensamentos mais íntimos de quem esteve envolvido naquele acontecimento. Entretanto, a professora delineia uma arguta vingança...

Melodrama juvenil com elementos de thriller psicológico, as atenções vão, obrigatoriamente, para o seu realizador, Tetsuya Nakashima. Exibe um primoroso mas abusivo virtuosismo em cada cena (com o slow-motion em destaque), as suas homenagens vão de Yasujiro Ozu a Sofia Coppola e constrói um argumento fragmentado que nunca perde a sua coesão. Em suma, um mistério cinematográfico... de obrigatória visualização.

INCENDIES (2010), de Denis Villeneuve



O testamento da mãe dos gémeos Jeanne e Simon Marwan obriga-os a uma viagem até ao coração do Médio Oriente numa busca pelas suas raízes. Aos poucos, vão desenterrando o turbulento passado da mãe, repleto de sofrimento, guerra e resistência.

Uma história de surpreendente redescoberta pessoal, funcionando totalmente como conto moralista sobre os horrores e coincidências da guerra, seja ela nos intermináveis conflitos do Médio Oriente ou noutra localidade do planeta. Contudo, a sua austera concepção formal suscita no espectador uma impassividade tal que nem o interessante twist final consegue esbater. É pena: INCENDIES poderia ter sido um dos grandes filmes da presenta década.

I SAW THE DEVIL (2010), de Kim Jee-woon



Kyung-chul, um obstinado serial killer que mata por prazer, escolhe como vítima a filha de um inspector policial reformado. O noivo dela, um agente secreto, decide perseguir e castigar o assassino, numa vingança que se revelará inumana e sanguinária.

Vencedor da secção Orient Express na mais recente edição do Fantasporto, prova que se a vingança serve-se fria, então o gore deverá surgir em doses generosas e da forma mais criativa possível. Outra coisa não seria de esperar de Kim Jee-woon (A TALE OF TWO SISTERS), sem receio de enfrentar os aspectos incongruentes do argumento com um conjunto de sequências impecavelmente filmadas. E o inspirado Choi Min-sik, cada vez mais à vontade na pele de "desajustados sociais" (lembram-se dele em OLDBOY — VELHO AMIGO?), confirma-se como um dos melhores actores asiáticos da actualidade.

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