sábado, maio 14, 2011

Festival de Cannes 2011 — Dia 3



Nanni Moretti (Palma de Ouro por O QUARTO DO FILHO, em 2001) é outro dos nomes sonantes a apresentar um filme em competição: HABEMUS PAPAM, leve e subtilmente animada reconstrução de um peculiar conclave para a eleição de um novo Papa.

Um efusivo Michel Piccoli saúda os fotógrafos

Nanni Moretti, ao centro, acompanhado de Piccoli e

Longo hábito em Moretti, a crítica nunca é consensual. Há quem considere existir uma «incapacidade para as balançar sequências cómicas com as dramáticas», mas todos são unânimes em nomear a interpretação de Michel Piccoli, no papel do inseguro cardeal eleito para Papa, como o melhor aspecto do filme: «um prazer de observar, mesmo quando o argumento de Moretti parece não saber o que fazer com a personagem».

Na conferência de imprensa, foi discutida a ausência, no filme, de uma abordagem a questões como fé religiosa ou às recentes controvérsias no seio da Igreja Católica. Nanni Moretti, no seu estilo muito peculiar, concordou: «Lamento imenso, mas não acredito em Deus», acrescentando que «quis mostrar o Vaticano da forma que eu o vejo e não realizar um filme a denunciar a instituição».

O terceiro dia de Festival fica marcado pelo regresso ao activo de Kim Ki-Duk com ARIRANG, um diário da solidão que o próprio cineasta escolheu para si durante os últimos três anos e em concurso na secção Un Certain Regard.

Kim Ki-duk, em boa forma física apesar da inactividade

E pelos "ecos" que chegam da Croisette, a projecção foi tudo menos regular: «formalmente interessante» mas afligido por um inexplicável cariz «narcisista e infantil», abundam os rumores de que alguns espectadores não aguentaram tanta "introspecção" e dormiram durante grande parte do filme... Se para alguns ARIRANG revelou-se sonífero, já Kim Ki-Duk foi peremptório em afirmar, na conferência de imprensa, que «andei adormecido mas Cannes acordou-me».

[Crédito de imagens: Site Oficial do Festival e Reuters.]

Sem comentários: