sábado, maio 14, 2011

Festival de Cannes 2011 — Dia 2



Depois de um primeiro dia infundido do "romantismo mágico" de Woody Allen, o espírito do Festival rapidamente mudou para ambiências mais sombrias. Curiosidade ou não, por intermédio de duas mulheres realizadoras...

SLEEPING BEAUTY, primeira obra da australiana Julia Leigh, protagonizada por Emily Browning, sobre uma jovem universitária que decide trabalhar para uma estranha rede de prostituição, dividiu plateia e crítica, preconizando uma das obras mais desequilibradas em competição.

Julia Leigh, Emily Browning e Rachael Blake

Emily Browning, motivo de atenção por parte de muitas objectivas

Embora alguns considerem que se trata de «uma auspiciosa estreia» para Julia Leigh, o veredicto mais consensual indica um exercício «frustrante, com escassa profundidade na caracterização psicológica das personagens». Na conferência de imprensa, Emily Browning juntou-se à realizadora na defesa de SLEEPING BEAUTY, afirmando que concordou em fazê-lo «assim que terminei de ler o argumento. Era muito desafiador».

Mas o verdadeiro "choque" do dia apareceu sob a forma de
WE NEED TO TALK ABOUT KEVIN
, a história da mãe de um jovem norte-americano que cometerá, no futuro, um massacre na sua escola.

Ezra Miller, Tilda Swinton, Lynne Ramsay e John C. Reilly

Ezra Miller, o Kevin sobre quem temos de conversar

Capaz de «estremecer Cannes», o filme de Lynn Ramsay cativa pelo seu «intenso e distintivo trabalho visual» para criar uma «tremenda experiência para à qual ninguém está preparado» e onde Tilda Swinton, no papel principal, forja uma performance «à altura dos seus melhores desempenhos».

A conferência de imprensa foi dominada pela imagem maternal que o filme transmite, imediatamente justificada por Tilda Swinton: «Quando uma pessoa tem um filho sente-se às vezes como se estivesse a escrever uma carta que nunca lhe enviará. A vida torna-se complicada. Uma mãe sente-se às vezes isolada com o seu bebé. É difícil ser mãe, sobretudo de uma criança como o Kevin».

Ontem marcou, igualmente, o regresso de Gus Van Sant (galardoado em 2003 com a Palma de Ouro por ELEFANTE) ao Festival de Cannes. RESTLESS, a abrir a Secção Un Certain Regard, é o seu mais recente filme, história de amor e tragédia entre dois jovens interpretados por Mia Wasikowska e Henry Hopper (filho de Dennis Hopper).

Mia Wasikowska, Henry Hopper, Gus Van Sant, o argumentista Jason Lew e Bryce Dallas Howard, produtora de RESTLESS

Mia Wasikowska, pretty in pink

Contudo, e atentando ao que a imprensa especializada tem divulgado, não estamos perante o melhor dos retornos, sendo considerado como «o mais banal e indulgente estudo de Van Sant sobre adolescentes problemáticos» e onde «os protagonistas estão longe de ser interessantes». Por outro lado, há quem defenda os méritos de RESTLESS e interprete-o como «algo da ordem da superação».

[Crédito de imagens: Site Oficial do Festival e Getty Images.]

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