quinta-feira, maio 19, 2011

Festival de Cannes 2011 — Dia 8



Oitavo dia de Festival marcado pelas habituais postura e visão artística controversa de Lars von Trier. Dois anos depois de ANTICRISTO (chocou a plateia mas valeu a Charlotte Gainsbourg o prémio de Melhor Actriz), o cineasta dinamarquês regressa à competição com MELANCHOLIA, drama "operático" sobre o choque de emoções entre duas irmãs durante a iminente e literal destruição, ao som de Wagner, do nosso planeta.

Lars von Trier, sem dúvida ainda a remoer acontecimentos de Festivais passados

Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg, irmãs desavindas em MELANCHOLIA

Desta vez, a indignação foi provocada mais pelas declarações de simpatia nazi afirmadas por Lars von Trier durante a conferência de imprensa do que pelo filme, considerado como «o trabalho mais contido do realizador desde EUROPA». «Introspectivo, sombrio e absolutamente devastador», MELANCHOLIA possui «o retrato mais gentil de aniquilação» proporcionado em cinema nos tempos recentes. Do outro lado da "contenda crítica", unanimidade no veredicto de ser «um estudo letárgico, vazio e frustrante sobre vida e morte».

Também em concurso pela Palma de Ouro, HANEZU NO TSUKI, da nipónica Naomi Kawase, narra a história de um triângulo amoroso situado na região montanhosa de Asuka, vista como o berço da nação japonesa.

A realizadora Naomi Kawase, ou a presença do kimono em Cannes

Num projecto cuja "filosofia", de acordo com Kawase, só ficou totalmente estabelecida após o terramoto que atingiu o Japão em Março último, «a sua delicada direcção de fotografia» não esconde o facto de ser «um dos títulos com ritmo mais lento do Festival» e «enorme teste à capacidade de resistência do espectador». Abundam relatos de que alguns adormeceram, ruidosamente, durante a projecção de HANEZU NO TSUKI...

O romeno Catalin Mitulescu (EU CAND VREAU SA FLUIER, FLUIER, 2010) apresentou hoje, na secção Un Certain Regard, LOVERBOY, centrado nos conflitos de um homem que seduz mulheres para mais tarde vendê-las a uma rede de tráfico humano.

George Pistereanu e Ada Condeescu com o realizador Catalin Mitulescu (à direita)

Apesar de ter sido apenas visualizado pela crítica romena e pelo júri da secção, os primeiros "ecos" apontam para uma obra «execução quase experimental, mas cuja mensagem formulada não é propriamente original».

Fora de competição, foi possível observar LA CONQUÊTE, de Xavier Durringer, um polémico biopic sobre o caminho até ao poder do actual Presidente Nicolas Sarkozy.

Denis Podalydes, o Sarkozy de LA CONQUÊTE

«Prometendo muito mas concretizando pouco», a coragem do realizador resulta apenas numa «divertida mas inócua farsa política». Denis Podalydes, numa imitação quase perfeita do líder francês, é merecedor de elogios totalmente consensuais.

Belmondo, acompanhado de Barbara Gandolfi, na passadeira vermelha

Destaque final para o tributo, prestado ontem à noite, a Jean-Paul Belmondo: ao seu percurso pessoal, carreira artística e influência no Festival de Cannes.

[Crédito de imagens: EPA, Site Oficial do Festival e Associated Press.]

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