segunda-feira, maio 07, 2012

HISTÓRIAS DE SHANGAI — QUEM ME DERA SABER (2010), de Zhange Ke Jia



Dezoito pessoas relembram a sua vida em Shangai, uma metrópole que albergou todo o tipo de pessoas – revolucionários, capitalistas, políticos, soldados, artistas, gangsters —, foi palco de revoluções, assassinatos e histórias de amor, que muda a cada instante, um porto onde pessoas chegam e partem.



A lista de filmes dedicados às cidades mais emblemáticas do mundo é quase interminável, mas poucos demonstram a atmosfera e vivências de um local de forma tão cinematograficamente nostálgica como em HISTÓRIAS DE SHANGAI — QUEM ME DERA SABER. Entrecruzando os relatos de memórias pitorescas e ricas em detalhe dos entrevistados, Zhange Ke Jia ilustra as vivências passadas de Shangai com excertos de filmografias chinesas fundamentais: Fei Mu, Xie Jin, Hou Hsiao-hsien, Wong Kar-wai... Mais do que um pormenor, tal decisão transforma o documentário em algo de profundamente atractivo para cinéfilos.

Com uma das melhores demonstrações de fotografia urbana dos últimos tempos, e unindo realidade e ficção através de uma personagem (Zhao Tao, actriz habitual de Jia) que nos conduz pelas ruas, monumentos e símbolos industriais da cidade de modo poético e melancólico, os seus últimos trinta minutos quase deitam por terra toda a composição brilhante que o filme delineara até então, ao converter-se num repentino e torpe anúncio publicitário à Exposição Mundial de Shangai, cuja organização encomendou HISTÓRIAS DE SHANGAI — QUEM ME DERA SABER. Os "imperativos comerciais" são compreensíveis, todavia revelam-se estrondosos em arruinar o espírito liricamente brilhante do documentário.

Apesar disso, é uma original e, a espaços, impressionante aula de história. Recomenda-se a visualização.

1 comentário:

Inês Moreira Santos disse...

Deixaste-me curiosa quanto ao filme, à excepção dos tais 30 minutos. :)

Excelente crítica, como sempre.
Cumprimentos cinéfilos :*