quarta-feira, novembro 21, 2012

A OESTE DE MEMPHIS (2012), de Amy Berg



Começando com uma análise incisiva da investigação policial de 1993 sobre o assassinato de três rapazes de oito anos Christopher Byers, Steven Branch e Michael Moore na pequena cidade de West Memphis, no Arkansas, o filme revela novas provas acerca da prisão de outros três jovens — Damien Echols, Jason Baldwin and Jessie Misskelley — acusados e condenados por este crime.

Os três eram ainda adolescentes quando se tornaram alvo da investigação policial; perderam 18 anos das suas vidas, presos por um crime que, veio agora a descobrir-se, não cometeram. O documentário é, em si, parte fundamental da história da luta de Damien Echols, condenado a pena de morte, para salvar a sua própria vida.
— cinema.sapo.pt



O enviesamento factual, no âmbito do cinema documental, assume-se sempre como perigoso e natural influenciador das conclusões finais para o espectador. E, nos últimos tempos, A OESTE DE MEMPHIS será um dos exemplos mais flagrantes dessa circunstância: documentário activista, exaustivo na recapitulação de eventos, tecnicamente magistral e, sobretudo, frontalmente tendencioso no pior sentido da palavra. Amy Berg, Peter Jackson e Fran Walsh assumem a sua luta pela inocência dos — tal como foram denominados pela imprensa norte-americana — West Memphis Three; ilibam, incriminam e estigmatizam suspeitos com argumentos tão ou mais suspeitos quanto os apresentados no julgamento de 1994; e munem-se da exibição de vedetas para uma suposta legitimação de intenções.

O sentimento de frustração em relação a A OESTE DE MEMPHIS agrava-se quando analisamos a sua construção formal, pois trata-se um documentário capaz de provar (criativa e empiricamente), perante a câmara e através de interessantes pormenores de montagem e som, os factos que deitam por terra as penas impostas a Echols, Baldwin e Misskelley. Ou observe-se a forma como algumas testemunhas-chave no processo dos West Memphis Three confessam ter mentido em tribunal provocam ressonância imediata e duradoira.

A resolução alternativa do crime, proposta pelos cineastas, não se revela tão inspirada e ameaça, inclusivamente, desperdiçar o potencial do documentário. Na sua explanação, somos brindados com propaganda activista, emocionalmente esforçada e, a partir de certa altura, extenuante (a duração do filme — 150 minutos —, embora favoreça o discurso de todos os contornos do processo, nem sempre encontra razão de ser).







Grande parte do movimento que originou a produção de A OESTE DE MEMPHIS tomou outro documentário, PARADISE LOST: THE CHILD MURDERS AT ROBIN HOOD HILLS (1996, Joe Berlinger e Bruce Sinofsky), como ponto de partida. Deste lado, fica a sugestão que também se comece por esse título.

2 comentários:

Inês Moreira Santos disse...

Concordo com tudo o que aqui dizes sobre o documentário, apesar de achar que lhe bates um bocadinho na nota. :P

É realmente pouco bonito ver as acusações que acabam por ser sugeridas.

Ainda assim, é um filme que vale a pena ver.

Cumprimentos cinéfilos :*

Sam disse...

Inês, também concordo com a tua apreciação mais positiva a este filme.

Caso existisse maior distanciamento por parte dos cineastas em relação ao assunto documentado, muito provavelmente teria visão mais agradável a este A OESTE DE MEMPHIS :)

Cumps cinéfilos :*