quarta-feira, novembro 14, 2012

DIARIES (1982), de Ed Pincus



Durante cinco anos, Ed Pincus gravou episódios da sua vida com a esposa, Jane, os seus filhos e as várias mulheres com quem Ed teve casos amorosos. É, também, o retrato de uma era particular — o início dos anos 70, ou talvez, de forma mais precisa, o pós-anos 60 —, onde o ensejo de experienciação na vida, no amor e na expressão política ainda estava presente mas, do ponto de vista cultural, já começava a desvanecer. — sinopse traduzida de Harvard Film Archive.



Há quem o considere como um dos melhores documentários alguma vez produzidos. E aplicar esse veredicto a DIARIES, observando como Ed Pincus (realizador de actividade esporádica) "discute" o poder visual persuasivo do cinema de não ficção a partir da sua vida pessoal, ao longo de três horas de filme que mal se sentem e no seio de uma estética simultaneamente home video e cinematográfica — uma possibilidade para a qual o 16mm ainda não encontrou formato rival —, poderá não ser exagerado. Certo é estarmos perante um filme iconoclasta, singular, de culto instantâneo.

Surpreendentemente, e não obstante o seu alargado período de produção, não se sente em DIARIES qualquer natureza episódica nas cenas de convívio familiar, mais ou menos harmonioso, da casa de Pincus, ou nas interacções que o realizador vai tecendo com "personagens" geradas pela sociedade norte-americana da Administração Nixon — destaque para a fulgurante e, a espaços, surreal aparição de Dennis Sweeney, um jovem activista dos direitos humanos.









O desenvolvimento pessoal e emocional dos intervenientes no filme apresenta-se natural, fluído e, acima de tudo, real. Rapidamente, a omnipresença da câmara de Ed Pincus deixa de ser pressentida, e é então que percebemos o feito técnico e humano que DIARIES representa.

Retrato único de uma geração que, no actual sabor dos tempos, mostra-se menos distante do que se poderia supor, DIARIES é título obrigatório para os apreciadores do cinema documental e coloca, imediatamente, Pincus ao lado dos principais nomes do género dos anos 60 e 70, como Frederick Wiseman, D.A. Pennebaker ou Jonas Mekas.

2 comentários:

Luís Mendonça disse...

Como arranjaste isto?

Sam disse...

Respondido :)

Cumps cinéfilos.