sexta-feira, janeiro 18, 2013

00:30 A HORA NEGRA (2012), de Kathryn Bigelow



A caça ao lider da al-Qaeda, Osama Bin Laden, iniciada após os atentados terroristas de 11 de Setembro, preocupou o mundo e dois Governos Americanos durante mais de uma década. Por fim, foi uma pequena e dedicada equipa de operacionais da CIA que o conseguiu localizar. — filmspot.pt



A ambiguidade moral do realpolitik da Guerra ao Terror encontra em 00:30 A HORA NEGRA objecto sagrado, um filme onde as desventuras de uma década da CIA pelo Médio Oriente até ao assassinato de Bin Laden são cimentadas pela árdua recordação dos eventos que conduziram uma nação àquele estado de espírito — a audição, logo nos primeiros minutos, das gravações verídicas de vítimas do 11 de Setembro não deixa margens para dúvida quanto a essa postura artística — e que trilha, corajosamente, uma linha ténue entre o semi-documental e o propagandístico.

No entanto, a robusta atitude cinematográfica de Kathryn Bigelow (demonstrada cabalmente em títulos como DEPOIS DO ANOITECER, RUPTURA EXPLOSIVA e o oscarizado ESTADO DE GUERRA) perante o tema converte 00:30 A HORA NEGRA numa obra cuja tensão é gerada pela mera observação de "procedimentos", movida a bom ritmo sem sonegar a reflexão ética em torno dos métodos utilizados (tortura, vigilância, contra-informação) para o desfecho que todos conhecem — o assalto ao bunker no Paquistão onde o fundador da Al-Qaeda se refugiou, ou trinta minutos de cinema de acção como só Bigelow, no actual panorama do cinema norte-americano, consegue produzir — e que transporta para Jessica Chastain (segura e eficaz, caindo por vezes em algum overacting quase imperceptível) o estatuto de personagem-tipo e fusão dos diversos intervenientes envolvidos na caça a Bin Laden.







Almejando dois fabulosos trabalhos de fotografia e sonoplastia, 00:30 A HORA NEGRA, na forma e conteúdo, está longe de ser o típico filme de acção e, por aqui, privilegiar-se-à sempre qualquer excepção às "normas". Todavia, a sua natureza moral é "movediça", atraiçoando, nesse processo, a verosimilhança e previsibilidade de um argumento «baseado em depoimentos» e que, no cômputo geral, revela-se acentuada e exclusivamente fabricado para uma apreciação positiva pelo público norte-americano.

A ameaça do terrorismo é internacional, 00:30 A HORA NEGRA dificilmente merecerá tal adjectivo. Mas eis o óptimo filme de guerra sobre a guerra invisível que apenas jaz na nossa imaginação.

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