quarta-feira, janeiro 30, 2013

BARBARA (2012), de Christian Petzold



Verão de 1980. Barbara é uma médica que pediu visto de saída da República Democrática Alemã. Como castigo, foi transferida para um pequeno hospital na província, longe de tudo. Jörg, o seu namorado do ocidente, está a planear a fuga dela. Barbara aguarda. O novo apartamento, os vizinhos, o verão, o campo - nada disso lhe diz alguma coisa. — filmspot.pt



No seio da aparente normalidade social, reina o espectro da opressão política e humana.

Eis, em poucas palavras, BARBARA, um filme sobre a Guerra Fria sem os habituais mecanismos do sub-género. Ao invés da descrição pormenorizada da vigilância militante de AS VIDAS DOS OUTROS (2006, Florian Henckel von Donnersmarck) ou do calor quase nostálgico de ADEUS, LENINE! (2003, Wolfgang Becker) — só para citar dois títulos germânicos recentes —, BARBARA assenta no impassível e fleumático estilo cinematográfico de Petzold para encenar um retrato naturalista de perseguição e repressão, para o qual a contida interpretação de Nina Hoss, assim como o inteligente recurso ao som e à música diegéticos, muito contribuem para a envolvência do espectador no passado, presente e futuro da protagonista. E, por inerência, nos da própria Europa.







É no drama, encarnado por Nina Hoss, que o filme se desenrola. Virtualmente omnipresente, carregando no seu semblante uma aura de simultâneo mistério e sensibilidade e, nas relações pessoais que alimenta, a possibilidade de ser promotora e vítima de jogos de espionagem dos quais somente apreendemos a superfície, BARBARA permite-nos a "redenção" da personagem — talvez, uma das criações femininas mais complexas que o ano transacto ofereceu — como desfecho surpreendente, mas gerador de outras dúvidas: redenção de quê e face a quem? E tratar-se-à mesmo de redenção, ou apenas um novo capítulo no pesar ideológico de Barbara?

É através da subtileza que se captura a aspereza e tirania da era retratada, elegantemente consubstanciada em Hoss e merecedora de atenção pública. O triunfo crítico está garantido.

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