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domingo, junho 26, 2011

Críticas da Semana

Breve resumo dos principais filmes visualizados esta semana.

BALADA TRISTE DE TROMPETA (2010), de Álex de la Iglesia



Javier (Carlos Areces) e Sergio (Antonio de la Torre), dois palhaços de circo terrivelmente desfigurados, lutam até à morte pelo amor ambíguo de uma acrobata (Carolina Bang), numa Espanha dominada pelo regime de Franco.

Sexo, amor louco e circo: os motes perfeitos para o filme em que o cinetismo irónico e cáustico de Iglesia (premiado com o Leão de Prata no último Festival de Veneza) encontra argumento e atmosfera ideais para a sua total consagração. Deliberadamente kitsch, com um olhar crítico sobre os anos da ditadura franquista em Espanha, convence tanto os fãs do realizador como permitirá o brotar de toda uma nova falange de admiradores. E ainda possibilita a descoberta de uma talentosa guapa chamada Carolina Bang, em torno da qual a história se desenvolve e as obsessões dos protagonistas se precipitam. Uma extravagância de grande "calibre".

PRIEST (2011), de Scott Charles Stewart



Após séculos de devastadoras guerras, a raça humana conseguiu derrotar a ameaça de hordas de vampiros assassinos através de um grupo de elite denominados como Padres, agora discriminados pela população mundial. Um deles (Paul Bettany) é informado de um ataque de vampiros, no qual a sua sobrinha de 18 anos foi raptada. Contrariando a lei e os seus votos sagrados, decide partir em busca da rapariga.

O único elemento suportável neste projecto incompreensível manifesta-se na direcção artística, inspirada em universos steampunk e, a espaços, reminiscente de obras como BLADE RUNNER — PERIGO IMINENTE. De resto, é-se confrontado com um Paul Bettany cabotino, personagens inexpressivas, diálogos repletos de lugares comuns e um argumento assinado por alguém pouco devoto em lógica. E já são palavras a mais acerca disto...

RIO (2011), de Carlos Saldanha



Blu (Jesse Einsenberg) é uma arara domesticada que nunca aprendeu a voar, tem uma vida confortável com a sua dona Linda (Leslie Mann) numa pequena cidade do Minnesota e julga-se ser o último da sua espécie. Contudo, é descoberta outra arara no Rio de Janeiro, chamada Jewel (Anne Hathaway), e Blu e Linda viajam para o Brasil a fim de reunir os dois espécimes. Pouco tempo depois, Blu e Jewel são raptados por um grupo de traficantes de aves exóticas.

Divertido, atmosférico e simpático, mas RIO está longe de constituir-se como título obrigatório para a compreensão do actual estado da animação digital, tanto a nível tecnológico como narrativo. Existe a nítida (e conseguida) vontade de acertar no ritmo mas, no cômputo geral, sabe a pouco. O trabalho do duo de vozes protagonistas (Eisenberg e Hathaway) valem o preço de admissão.

9/11 (2002), de Jules e Gédéon Naudet



Originalmente pensado como um retrato sobre o quotidiano de um bombeiro nova-iorquino, a receber formação num quartel situado a poucos quarteirões do World Trade Center, as objectivas dos irmãos Jules e Gédéon Naudet capturam, em primeira mão, o início e desenrolar dos atentados terroristas do 11 de Setembro de 2011.

Para mim, o melhor cinema documental será sempre aquele que mostra a realidade sem filtros, sem propagandas e elaborado, quase integralmente, a partir de raw footage. E foi com essa filosofia que os realizadores construíram um filme televisivo — mas que nada fica a dever aos documentários ditos "cinematográficos" — cru e imediato sobre um dos eventos mais marcantes da nossa época. Não se dissecam razões, consequências, responsáveis ou moralismos; as imagens e os sons tornam qualquer voz-off inútil perante a veracidade de uma peculiar e trágica situação à qual, acidentalmente, os irmãos Naudet ficaram associados.

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