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domingo, abril 17, 2011

Críticas da Semana

Breve resumo dos principais filmes visualizados esta semana.

NO INVERNO HÁ UM ANO (2008), de Caroline Link



Um ano depois do suicídio de Alexander, a sua mãe, Eliane, encomenda a Max, pintor de renome, um quadro que reúna a imagem do adolescente com a sua irmã Lilli. Inicialmente reticente em fazer parte de tão mórbido retrato, criticando o carácter meramente decorativo que se pretende associar à morte do irmão, Lilli desenvolve uma ligação emocional com o artista, homem isolado do resto do mundo mas o único capaz de ver para lá da atitude resiliente que ela ostenta teimosamente.

Mais do que a história da família que procura reconciliar-se com uma tragédia ainda fresca na memória de todos os seus membros, NO INVERNO HÁ UM ANO expressa a vontade de explorar a essência encoberta e o anseio de erguer barreiras muitas vezes inerente à personalidade humana, algo demonstrado na forma como as personagens são filmadas atrás de superfícies espelhadas ou nos pormenores descortinados pela profundidade de campo e no que está ou não focado. Um profundo e sincero melodrama, ausente de clichés e dificilmente comparável a outros títulos, que merece ser visto.

OS LIMITES DO CONTROLO (2009), de Jim Jarmusch



Um homem solitário e misterioso mantém actividades que permanecem meticulosamente à margem da lei. O seu alvo não é divulgado e o seu destino é incerto. A sua viagem, paradoxalmente determinada como irreal, leva-o não só a percorrer Espanha mas também a sua própria consciência.

Só divulgados mesmo no final, os motivos da tarefa assumida pelo protagonista (de identidade sempre anónima) revelam-se aqui os menos importantes. Jim Jarmusch assina, sobretudo, um exercício de estilo repleto das suas habituais ironias e obsessões visuais, pautado por uma fotografia irrepreensível, onde a repetição, assim como o onirismo, tomam conta de um argumento labiríntico e anti-climático. Não sendo dos melhores do cineasta norte-americano, é um bom filme.

O RITUAL (2011), de Mikael Håfström



Michael, seminarista americano, é enviado para o Vaticano com o objectivo de estudar a prática do exorcismo, perante a qual expressa muitas reservas. Desafiando as próprias convicções dos seus superiores, Michael acompanha o padre Lucas — com centenas de exorcismos no seu "currículo" — e será testemunha de um perturbador caso de possessão demoníaca.

Anthony Hopkins em overacting há-de ser sempre um dos meus prazeres cinematográficos: ninguém pode negar que o seu desempenho é o melhor aspecto de um filme que, pela ausência de gratuitidade, seriedade e (dependendo no que cada um acredita) convicção com que aborda o tema do exorcismo, teria melhor potencial nas mãos de alguém menos fiel às regras do mercado. Mas (diabos me levem!) não vou mentir sobre o gáudio que, a espaços, O RITUAL me provocou...

UMA PEQUENA VINGANÇA (2004), de Jacob Aaron Estes



Numa pequena cidade do Oregon, um grupo de amigos engendra um plano para humilhar George, o bully da escola local. Sob o pretexto de uma falsa festa de aniversário, iniciam uma viagem de barco e, durante a mesma, George revela uma faceta desconhecida — um rapaz solitário e carente — e a inicial motivação do grupo é posta em causa.

Há pormenores exploratórios neste drama sobre pecado e responsabilidade que nem a inexperiência do seu realizador conseguem perdoar. O desenlace fatal, talvez demasiado previsível, parece adivinhar — e o filme só ganharia com isso — circunstâncias muito mais devastadoras do que a tímida contenção patenteada. Entre a "decepção", salienta-se o óbvio talento de Aaron Estes (uma sublime direcção de actores, com destaque para Scott Mechlowicz e Rory Culkin, o "benjamim" de um dos clãs mais notórios de jovens actores) para o qual é necessário encontrar o género adequado à sua inteira potencialização.

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