sexta-feira, abril 17, 2009

5 Momentos Memoráveis

#4: "IT'S ALL IN YOUR HEAD..."

Representar onirismo num filme será, para muitos realizadores, uma tentação irresistível. É um desafio, uma tarefa exigente do ponto de vista técnico e plenamente satisfatória (para criadores e espectadores) quando o produto final salda-se numa sublime experiência cinematográfica.

Aqui ficam cinco sequências, acompanhas de uma merecida citação honrosa, que exploram os estados mais surrealistas da nossa mente. Umas mais perturbadoras, outras jocosas, todas inesquecíveis.

Menção Honrosa: QUERES SER JOHN MALKOVICH? (1999), de Spike Jonze



Para além da sua fabulosa originalidade, este filme destaca-se pela coragem de John Malkovich, um dos meus actores favoritos e possuidor de versatilidade parcamente vista nos dias que correm, em alinhar nesta auto-paródia da sua figura pessoal e profissional.
O momento em que Malkovich apercebe-se da existência de um "portal" que dá acesso à sua própria mente, proporciona um momento bizarro e prodigioso como poucas vezes o Cinema nos permitiu conhecer.



5. REPULSA (1965), de Roman Polanski



Uma alegoria de horror sobre os medos da sociedade e repressão sexual, Polanski recorreu, nesta obra, a uma miríade de técnicas em que sonhos, imaginação e realidade quotidiana surgem na mesma "dimensão".
Aqui, observamos a vertiginosa ruína psicológica de Carol (Catherine Deneuve), onde tudo e todos são vistos como ameaça. Até as paredes do seu apartamento conseguem ganhar vida...



4. JULIETA DOS ESPÍRITOS (1965), de Federico Fellini



Também recorrendo a um tema mundano - neste caso, a frustração matrimonial - para um eficaz "show" de alucinações em grande ecrã, Fellini utiliza a cor (JULIETA DOS ESPÍRITOS assinala a primeira experiência do cineasta com o Technicolor) e uma extravagante banda sonora de Nino Rota, para compor as visões da protagonista em luta com a sua educação religiosa opressiva e a liberdade que tanto busca.
Fellini admitiu, anos mais tarde, o consumo de LSD durante a preparação das cenas abaixo reproduzidas. Ou a prova de que, por vezes, o brilhantismo surge pelos caminhos mais "suspeitos"...







3. VIAGENS ALUCINANTES (1980), de Ken Russell



As drogas são mesmo uma coisa tramada. E William Hurt, no primeiro filme da sua carreira, sentiu na pele (e, claro, na consciência) os efeitos de uma "trip" mal digerida.
Ken Russell sempre foi um realizador interessado na exploração de estados mentais fora do comum (THE DEVILS ou TOMMY atestam-no), mas em VIAGENS ALUCINANTES essa preferência foi levada ao máximo numa sequência de (permitam-me um apropriado adjectivo relativo a estupefacientes) viciante observação.



2. A QUIMERA DO OURO (1925), de Charles Chaplin



Poucos foram os cineastas, em 100 anos de Cinema, que almejaram bom gosto na concepção de humor acerca dos dramas humanos. Charles Chaplin demonstrou a total posse desta capacidade neste filme, ao "satirizar", sem ofender, as precárias condições de muitos prospectores durante a corrida ao ouro do Alasca, em 1898. A fome (e, no seu panorama mais extremo, o canibalismo) foi um dos aspectos mais dramáticos daquela era.
Quando o Vagabundo é obrigado a partilhar uma cabana, isolada pela neve, com o possante e ameaçador prospector Big Jim, e sem uma grama de comida à vista, tudo pode acontecer: desde o singelo "banquete" de uma bota até às mais estranhas visões de "animais" comestíveis nas montanhas rochosas do Alasca...



1. O FESTIM NU (1991), de David Cronenberg



O complexo livro de William S. Burroughs é, sem dúvida, material feito à medida da visão iconoclasta do mundo de David Cronenberg. Esta união, apelidada por muitos como «made in heaven», saldou-se num filme fascinante, repugnante q.b. e totalmente alucinante.
A Interzone, para onde William Lee (um alter ego do próprio Burroughs) é enviado com a tarefa de compor "relatórios", é um local onde pulula todo o género de criaturas - até uma peculiar máquina de escrever dita as frases mais apropriadas para o trabalho do protagonista. Esta será, provavelmente, a cena mais perturbante entre as que destaco, mas não é um facto que Cronenberg nunca foi um realizador de filmes "confortáveis"?



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