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Jornada fulgurante e de reacções totalmente opostas na cidade mais cinematográfica da Côte d'Azur.
Continuando com a tradição recente de filmes sobre futebol a estrearem em Cannes (em 2008, Kusturica brindou o Festival com o documentário sobre Maradona), Ken Loach apresentou o seu mais recente filme, LOOKING FOR ERIC, uma «comédia doce» (segundo a Times) protagonizada pela antiga estrela do Manchester United, Cantona.
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O cineasta, durante a conferência de imprensa, realçou a experiência de trabalhar com o ex-futebolista: «Ele é original, brilhante, atento e perspicaz. Consegue pensar em todos os aspectos, interiores e exteriores, do jogo e a sua relação com os jornalistas sempre foi divertida e engraçada». Teremos um filme à altura desta relação profissional?
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Se tivermos de enumerar um recordista em participações e prémios no Festival de Cannes, o dinamarquês Lars Von Trier poderá, muito bem, ocupar um lugar cimeiro: dois Prémios do Júri (em 1991, por EUROPA e em 1996 por ONDAS DE PAIXÃO), um Grand Prix de la Commission Supérieure Technique por THE ELEMENT OF CRIME (1984) e, claro, a Palma de Ouro em 2000 por DANCER IN THE DARK.
Este ano, chega-nos o (eminentemente) controverso ANTICHRIST, com Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg, que, segundo o próprio Von Trier, é um convite ao «lado negro da minha imaginação: à natureza dos meus medos, à natureza do Anti-Cristo».
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E, de facto, deve existir mesmo algo de único na mente de Von Trier, já que tudo indica tratar-se do 'filme-choque' da presente edição do Festival: o filme foi assobiado quando os créditos finais começaram a rolar e a "fúria" passou para a conferência de imprensa, com a postura agressiva dos jornalistas a serem rebatidas por esta espantosa afirmação do cineasta dinamarquês: «Sou o melhor realizador do Mundo». Para além disto, ainda "obrigou" Damon Wise, da Empire, a redigir uma pormenorizada descrição, em plena madrugada, dos seus sentimentos relativos a este filme e Wendy Ide, da Times, a nomeá-lo como o filme com as imagens mais controversas alguma vez projectadas em Cannes. Dois textos cuja leitura vivamente recomendo - e o filme não poderá mesmo passar despercebido nos tempos vindouros...
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NB: amanhã é o dia de Almodóvar e do seu LOS ABRAZOS ROTOS...
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