quinta-feira, abril 08, 2010

5 Momentos Memoráveis

#9: O início de um filme segundo Saul Bass



Designer gráfico de formação, o talento de Saul Bass afirmou-se em Hollywood, quase imediatamente, após causar sensação com o poster de CARMEN JONES (1954) e, nomeadamente, pelo (à época) controverso genérico de O HOMEM DO BRAÇO DE OURO (1955). Duas peças promocionais que cedo revelaram a capacidade deste nova-iorquino em resumir ambiências cinematográficas com poucos mas certeiros motivos visuais. Nas próprias palavras de Bass, o genérico «é uma forma de condicionar o público; quando o filme realmente começa, o público já possui uma ligação emocional ao mesmo» 1.

Entre a criação de posters e, sobretudo, genéricos para filmes (ou 'title sequences'), o nome de Saul Bass associou-se, durante cinco décadas, às visões singulares e prestigiadas de Alfred Hitchcock, Otto Preminger, John Frankenheimer e Martin Scorsese, entre outros. Apesar da árdua escolha para seleccionar cinco exemplos pragmáticos (com a habitual menção honrosa) de entre uma extensa e muito qualitativa lista de obras, o Keyzer Soze's Place orgulha-se de partilhar, num misto de preferência íntima e relevância histórica, os melhores genéricos produzidos por Saul Bass.

Menção Honrosa: PSICO (1960), de Alfred Hitchcock



Acompanhado da banda sonora mais famosa da história da Sétima Arte (só mesmo a de TUBARÃO consegue ombrear-lhe em termos de notoriedade), e apesar da sua simplicidade gráfica, a sincronização de imagem e som é extremamente poderosa e eficaz, sugerindo o tema da dualidade e antecipando a violência/agressividade que PSICO explora.



5. ANATOMIA DE UM CRIME (1959), de Otto Preminger



A imagem de um cadáver desunido e dissecado em pedaços geometricamente irregulares, com uma insinuação de "mobilidade" dos seus vários membros, contribuem para um sentimento de desconforto no espectador. É imediata a percepção de que estamos perante um filme "irrequieto" e com um homicídio a dominar o argumento. Destaque para o jazz que acompanha o genérico, da autoria de Duke Ellington.



4. UMA SEGUNDA VIDA (1966), de John Frankenheimer



Numa película onde a paranóia e múltiplas personalidades constituem motivos fortes, o genérico transmite, ao espectador, todo o frenesim e hesitação que a personagem de Rock Hudson vive. Para a obtenção desta brilhante distorção visual, Bass registou uma série de imagens utilizando poliéster como filtro. O efeito é, como podem verificar, único e memorável.



3. CASINO (1995), de Martin Scorsese



Numa espécie de consequência aos primeiros segundos do filme, somos confrontados com a assombrosa imagem de Robert De Niro a "flutuar" por entre os deslumbrantes, mas aparentemente sinistros, néones de Las Vegas. Sem dúvida, uma representação metafórica da progressiva ruína pessoal que o protagonista atravessa durante o filme, naquele que representou o último title sequence assinado por Saul Bass.



2. IT'S A MAD MAD MAD WORLD (1963), de Stanley Kramer



Provavelmente, o trabalho mais divertido (e longo) de Saul Bass. Uma animação com diversas nuances mas com a predominância de um simples esquema cromático, constitui um interessante afastamento do habitual suspense que caracterizou a carreira do designer. Embora o filme não tenha vencido o "teste do tempo", o espírito humorístico deste genérico não perdeu a possibilidade de empatia por parte de quem o observa.



1. A MULHER QUE VIVEU DUAS VEZES (1958), de Alfred Hitchcock



Com outro fabuloso trabalho musical de Bernard Herrmann, o genérico do meu filme preferido de Hitchcock contém um interminável rol de interpretações. Desde a óbvia alusão ao medo das alturas de que o protagonista padece (na visão de constantes espirais) até à insinuação de uma personagem feminina imprevisível (pelo olhar inquieto e ansioso da figurante), Saul Bass prenuncia os temas de vertiginosa sedução e identidades perdidas que cunham A MULHER QUE VIVEU DUAS VEZES.



3 comentários:

Fifeco (Filipe Ferraz Coutinho) disse...

Excelente lista como sempre. Talvez incluísse os créditos do Man With A Golden Arm do Premminger. Mas isso sou eu :p

Abraço

Jackie Brown disse...

Já eu incluiria o Seven. Fantásticos créditos.

Abraço

Jackie Brown disse...

Ah, mas agora vejo que o post se referia a Saul Blass
lol ;)

Mas os créditos do Seven são excelentes:P