Mostrar mensagens com a etiqueta Stanley Kramer. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Stanley Kramer. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, junho 24, 2011

Peter Falk (1927 — 2011)



«I wanted to succeed in everything, to prove I was as good as everyone else».

Mais conhecido pelo seu trabalho televisivo como Inspector Columbo, Peter Falk desenvolveu uma extensa carreira no grande ecrã, trabalhando com Frank Capra (MILAGRE POR UM DIA, 1961, pelo qual foi nomeado ao Óscar de Melhor Actor Secundário), Stanley Kramer (O MUNDO LOUCO, 1963), John Cassavetes (UMA MULHER SOB INFLUÊNCIA, 1974) e Wim Wenders (AS ASAS DO DESEJO, 1987).

Detentor de refinado sentido de humor e um autêntico perfeccionista na sua arte, muitos recordam como Falk era capaz de desempenhar papéis complexos com imensa facilidade e subtileza.

Faleceu ontem à noite, em Los Angeles, de causas naturais.

quinta-feira, abril 08, 2010

5 Momentos Memoráveis

#9: O início de um filme segundo Saul Bass



Designer gráfico de formação, o talento de Saul Bass afirmou-se em Hollywood, quase imediatamente, após causar sensação com o poster de CARMEN JONES (1954) e, nomeadamente, pelo (à época) controverso genérico de O HOMEM DO BRAÇO DE OURO (1955). Duas peças promocionais que cedo revelaram a capacidade deste nova-iorquino em resumir ambiências cinematográficas com poucos mas certeiros motivos visuais. Nas próprias palavras de Bass, o genérico «é uma forma de condicionar o público; quando o filme realmente começa, o público já possui uma ligação emocional ao mesmo» 1.

Entre a criação de posters e, sobretudo, genéricos para filmes (ou 'title sequences'), o nome de Saul Bass associou-se, durante cinco décadas, às visões singulares e prestigiadas de Alfred Hitchcock, Otto Preminger, John Frankenheimer e Martin Scorsese, entre outros. Apesar da árdua escolha para seleccionar cinco exemplos pragmáticos (com a habitual menção honrosa) de entre uma extensa e muito qualitativa lista de obras, o Keyzer Soze's Place orgulha-se de partilhar, num misto de preferência íntima e relevância histórica, os melhores genéricos produzidos por Saul Bass.

Menção Honrosa: PSICO (1960), de Alfred Hitchcock



Acompanhado da banda sonora mais famosa da história da Sétima Arte (só mesmo a de TUBARÃO consegue ombrear-lhe em termos de notoriedade), e apesar da sua simplicidade gráfica, a sincronização de imagem e som é extremamente poderosa e eficaz, sugerindo o tema da dualidade e antecipando a violência/agressividade que PSICO explora.



5. ANATOMIA DE UM CRIME (1959), de Otto Preminger



A imagem de um cadáver desunido e dissecado em pedaços geometricamente irregulares, com uma insinuação de "mobilidade" dos seus vários membros, contribuem para um sentimento de desconforto no espectador. É imediata a percepção de que estamos perante um filme "irrequieto" e com um homicídio a dominar o argumento. Destaque para o jazz que acompanha o genérico, da autoria de Duke Ellington.



4. UMA SEGUNDA VIDA (1966), de John Frankenheimer



Numa película onde a paranóia e múltiplas personalidades constituem motivos fortes, o genérico transmite, ao espectador, todo o frenesim e hesitação que a personagem de Rock Hudson vive. Para a obtenção desta brilhante distorção visual, Bass registou uma série de imagens utilizando poliéster como filtro. O efeito é, como podem verificar, único e memorável.



3. CASINO (1995), de Martin Scorsese



Numa espécie de consequência aos primeiros segundos do filme, somos confrontados com a assombrosa imagem de Robert De Niro a "flutuar" por entre os deslumbrantes, mas aparentemente sinistros, néones de Las Vegas. Sem dúvida, uma representação metafórica da progressiva ruína pessoal que o protagonista atravessa durante o filme, naquele que representou o último title sequence assinado por Saul Bass.



2. IT'S A MAD MAD MAD WORLD (1963), de Stanley Kramer



Provavelmente, o trabalho mais divertido (e longo) de Saul Bass. Uma animação com diversas nuances mas com a predominância de um simples esquema cromático, constitui um interessante afastamento do habitual suspense que caracterizou a carreira do designer. Embora o filme não tenha vencido o "teste do tempo", o espírito humorístico deste genérico não perdeu a possibilidade de empatia por parte de quem o observa.



1. A MULHER QUE VIVEU DUAS VEZES (1958), de Alfred Hitchcock



Com outro fabuloso trabalho musical de Bernard Herrmann, o genérico do meu filme preferido de Hitchcock contém um interminável rol de interpretações. Desde a óbvia alusão ao medo das alturas de que o protagonista padece (na visão de constantes espirais) até à insinuação de uma personagem feminina imprevisível (pelo olhar inquieto e ansioso da figurante), Saul Bass prenuncia os temas de vertiginosa sedução e identidades perdidas que cunham A MULHER QUE VIVEU DUAS VEZES.



Creative Commons License
Keyzer Soze's Place by Sam is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at sozekeyser.blogspot.com.