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domingo, dezembro 30, 2012

2012 no Cinema (2ª parte)

2012: OS MELHORES

Antes de mais, uma certeza: 2012 não foi, na opinião do Keyzer Soze, um bom ano de Cinema.

O "argumentário" a favor de tal acepção poderia começar pelo facto de, dos 11 títulos que compõem o top do ano abaixo disposto, apenas dois possuem 2012 como data de produção. Mas também é inegável que, dos filmes lançados comercialmente no nosso país, assistiu-se a um ano menos conseguido por parte de alguns dos autores norte-americanos (Alexander Payne, Eastwood, Jason Reitman, Spielberg, Wes Anderson, Oliver Stone...) e internacionais (Kaurismäki, Stephen Daldry, Tykwer, Cronenberg, Ridley Scott, Nolan, Dumont, Yimou, Ferrara, Ang Lee, Carax...) mais consagrados da actualidade.

Deste modo, o melhor de 2012 acabou por surgir da mistura entre o alternativo e o apelo público, entre a postura cinematográfica clássica e a irreverência de autores plenos ou em formação do seu estilo, entre a observação do passado da Sétima Arte e a busca pela sua subversão/aproximação ao futuro que não aliena o espectador.

Para debate, refutação e memória futura, segue a habitual selecção do Keyzer Soze dos melhores filmes de 2012:

10º ex-aequo
UMA LISTA A ABATER (Ben Wheatley)



«Sem moralidades políticas nem pendões estéticos claramente reconhecíveis, Ben Wheatley concebe uma obra que tanto pode ser o perfeito midnight movie para Halloweens vindouros como (perigoso?) objecto de análise junto das falanges de apoio ao Movimento Occupy Wall Street.»



É NA TERRA NÃO É NA LUA (Gonçalo Tocha)



«Narrado a duas vozes, inefáveis em partilhar os momentos mais curiosos da sua rodagem, é uma obra singular e de constante descoberta, sem precipitar a revelação das vidas e costumes dos 450 habitantes do Corvo, tão obscuros e distantes quanto a sua localização geográfica.»




O MOINHO E A CRUZ (Lech Majewski)



«Eleva a expressão "quadro vivo" a um hipnotizante nível, e comprova, da forma mais bem sucedida a que pude assistir nos últimos tempos, as magníficas potencialidades do digital em função das intenções de um filme.»




VERGONHA (Steve McQueen)



«Confirma o seu estatuto de proeza cinematográfica do ano transacto não só pelo retrato humanamente sombrio, de um hedonismo camuflado de sex addiction e da alienação social do seu protagonista, como também pela "geometria" dos corpos, rostos e espaços (num registo frio e absolutamente anti-erótico) de Steve McQueen, que não concede, nem por um minuto, conforto ao espectador.»




MARTHA MARCY MAY MARLENE (Sean Durkin)



«Reflexão inteligente, ameaçadora e extremamente pungente sobre as formas como certos cultos alimentam-se de vulnerabilidades psicológicas para inculcar convicções que tanto podem apelar ao nirvana budista como, logo de seguida, degradam a mente e o corpo dos seus seguidores.»




ERA UMA VEZ NA ANATÓLIA (Nuri Bilge Ceylan)



«A câmara de Bilge Ceylan captura a natureza, simultaneamente irreal e mundana, em que o filme se contextualiza e na subtil "explicação" das personagens de ANATOLIA — que, na sua conclusão, substitui o cariz mítico da morte pelas suas consequências físicas e sociais, deixando-nos com a tarefa de definir onde reside a "eternidade" destes indivíduos.»




A INVENÇÃO DE HUGO (Martin Scorsese)



«Eis o tipo de filme que, entre outras sensações, leva-me a abandonar a generalização crítica usual e confessar a minha predilecção por temas como o da preservação e restauro do Cinema clássico. São, para mim, como um perfume delicado ou idêntico ao sentimento que se nutre pela pessoa amada: totalmente irresistíveis.»




AMOR (Michael Haneke)



«Por vezes incomportável, nunca irónico mas pleno de amor do princípio ao fim — porque é uma certeza, o amor, o verdadeiro, dependente e irrestrito amor está espelhado ao longo dos seus 127 minutos de duração. »




TABU (Miguel Gomes)



«Pelos sons e imagens com que Miguel Gomes nos brinda, de forma poética, impressionista e quase etérea, é, narrativamente, um melodrama por excelência e, nas intenções, homenagem singela e original ao género de cinema que nos obriga a considerar os olhares, gestos, trejeitos faciais e enquadramento de cenas sem que uma única palavra seja escutada para daí extrairmos o seu predicado.»




TEMOS DE FALAR SOBRE KEVIN (Lynne Ramsay)



«Obra-prima na desconstrução da linearidade temporal do argumento — a capacidade do espectador apreender a cronologia de vários flashbacks é testada ao limite — e na oscilação, sempre periclitante e arriscada, entre o realismo puro e a fuga para a ilusão.»




PROCUREM ABRIGO (Jeff Nichols)



«Mais do que o retrato da provável degeneração mental de um indivíduo, coloca o protagonista como epíteto da Humanidade contemporânea: amedrontada, paranóica e confusa face às agressivas "manifestações" que a rodeia — e, no horizonte, tudo prenuncia a chegada de inimagináveis tempestades.»



Menções honrosas para (e por ordem de estreia no nosso país):
a viagem no tempo de A GRUTA DOS SONHOS PERDIDOS (Werner Herzog); o estado de uma nação em ATTENBERG (Athina Rachel Tsangari); os jovens com super-poderes de CRÓNICA (Josh Trank); o poder — real ou fabricado — da imagem documental de LINHA VERMELHA (José Filipe Costa); o road movie em direcção ao passado de ESTE É O MEU LUGAR (Paolo Sorrentino); a reinvenção visual de um clássico em MONTE DOS VENDAVAIS (Andrea Arnold); a simplicidade da abordagem autoral aos filmes de acção de HAYWIRE — UMA TRAIÇÃO FATAL (Steven Soderbergh); o fim do mundo em O CAVALO DE TURIM (Béla Tarr e Ágnes Hranitzky); o sagrado e o pagão em CORPO CELESTE (Alice Rohrwacher); a saída para a crise financeira de ELENA (Andrei Zvyagintsev); Jack Black em MORRE... E DEIXA-ME EM PAZ! (Richard Linklater); a "metaficção" do terror em A CASA NA FLORESTA (Drew Goddard); e 007 — OPERAÇÃO SKYFALL (Sam Mendes), o blockbuster do ano.

sábado, agosto 04, 2012

Curiosidade da Semana



Martin Scorsese sobre a irreverência visionária de...

ORSON WELLES



JOHN CASSAVETES



ROBERT ALTMAN



ROBERTO ROSSELLINI



MICHAEL POWELL & EMERIC PRESSBURGER



[Fonte: Fast Company.]

quinta-feira, junho 28, 2012

A Estocada Final?



A luta entre os cineastas que privilegiam as características artísticas da película (Christopher Nolan, Quentin Tarantino) perante o cada vez maior domínio e respectiva adopção por nomes sonantes da indústria (David Fincher, James Cameron, Steven Soderbergh) do digital acaba de perder mais um round. E este é daqueles que podem indiciar o knockout...

Martin Scorsese abandona a película em favor do digital para o seu próximo filme, THE WOLF OF WALL STREET.

Pouco resta a acrescentar...

terça-feira, maio 08, 2012

Curiosidade da Semana



Walt Disney meets TAXI DRIVER ou a junção de dois universos absolutamente opostos levada a cabo por Bryan Boyce que, só por esta descrição, merece a visualização.



Puro génio ou publicidade camuflada ao "reino do Rato Mickey"? A opinião é vossa!

[Fonte: Bad Lit.]

domingo, março 18, 2012

Críticas da Semana

Breve resumo dos principais filmes visualizados esta semana:

. A INVENÇÃO DE HUGO
. ELENA
. A DAMA DE FERRO
. APOLLONIDE — MEMÓRIAS DE UM BORDEL

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. A INVENÇÃO DE HUGO (2011), de Martin Scorsese



Hugo Cabret (Asa Butterfield) é um órfão que vive em segredo nas paredes de uma estação de comboios de Paris. Com a ajuda de Isabelle (Chloe Grace Moretz), procura a resposta para uma misteriosa ligação entre o pai (Jude Law) que perdeu recentemente, o mal-humorado dono (Ben Kingsley) da loja de brinquedos que vive por baixo dele e uma fechadura em forma de coração, aparentemente sem chave.



Vencedor de cinco estatuetas na última cerimónia dos Óscares, almeja surpreender os mais cépticos sobre a primeira experiência de Scorsese na tecnologia 3D (a qual é, aqui, dominada com particular destreza) pela forma como o cineasta transforma esta história, onde dominam a fantasia e pureza emocionais, baseada no excelente romance juvenil de Brian Selznick, em algo de extremamente pessoal — quem sabe, o mais pessoal no seio da sua filmografia.

A notabilizada paixão de Martin Scorsese pela preservação da memória cinematográfica (nomeadamente, a do cinema mudo) encontra em A INVENÇÃO DE HUGO um inesperado e eloquente reflexo. A verve cinéfila do realizador caminha ao lado da aventura inerente ao argumento, onde a "pedagogia" acerca dos primeiros anos da Sétima Arte revela-se apropriadamente emocional e nada forçada na sua nostalgia. Eis o tipo de filme que, entre outras sensações, leva-me a abandonar a minha generalização crítica usual e confessar a minha predilecção por temas como o da preservação e restauro do Cinema clássico. São, para mim, como um perfume delicado ou idêntico ao sentimento que se nutre pela pessoa amada: totalmente irresistíveis. O tom vago deste texto é intencional; os encantos e as surpresas de A INVENÇÃO DE HUGO merecem ser reveladas apenas durante a sua visualização...

. ELENA (2011), de Andrei Zvyagintsev



Elena (Nadezhda Markina) e Vladimir (Andrei Smirnov) são um casal de idosos, provenientes de diferentes origens sociais e casamentos anteriores. Quando o filho dela revela possuir dificuldades financeiras, Elena decide pedir auxílio ao marido, o qual aceita relutantemente, e engendra um plano para que nada falte à sua família.



O cinema contemporâneo demonstra escasso interesse em colocar um casal de terceira idade como protagonista. Só o facto de ELENA contrariar essa tendência — e permitir que o mundo conheça o sereno mas portentoso talento de Nadezhda Markina — já o converte numa obra de visualização quase obrigatória, sobretudo pela abordagem renovada que faz a temáticas batidas como envelhecimento, depressão social e austeridade financeira.

Perante a abundância de autores que, na produção cinematográfica europeia, dedicam-se à inquietação urbana e às complexidades das relações humanas (os irmãos Dardenne ou Christian Petzold são de citação óbvia), Zvyagintsev distancia-se desse paradigma através do minimalismo formal — o plano de abertura demonstra que ainda é possível existir fascínio na composição e foco de um enquadramento — e frugalidade de diálogos do filme, concedendo espaço às expressões dos actores e ao mistério das circunstâncias aqui explanadas com um cáustico "sentido russo" de crime e castigo. E mesmo que o seu último acto não se apresente tão rigoroso quanto o filme inteiro, os "terrenos" ambíguos "pisados" por ELENA são suficientemente inquietantes para que não saia, nem tão cedo, da nossa memória. Muito recomendado.

. A DAMA DE FERRO (2011), de Phyllida Lloyd



Margaret Thatcher (Meryl Streep), a antiga Primeiro-Ministro, agora octogenária, reside melancólica e em total anonimato na sua casa de Chester Square, em Londres. Apesar do seu marido, Denis (Jim Broadbent), ter falecido há alguns anos, a decisão de se ver livre finalmente do seu guarda-roupa desencadeia uma sucessão de memórias.



Meryl Streep, oscarizada por esta reverente e rigorosa interpretação que ameaça, a espaços, o overacting, é, obviamente e sem grande surpresa, o principal motivo para se assistir a esta descrição arrítmica de um dos principais líderes políticos europeus do Século XX.

Abordando timidamente os episódios emblemáticos da vida de Margaret Thatcher (a ascensão à liderança do Partido Conservador, a subida ao poder, Bobby Sands, a Guerra das Malvinas, a postura não-negociadora perante o IRA, relações diplomatas com Reagan ou Gorbachev, abrupta demissão), é entendível que não se tenha planeado converter A DAMA DE FERRO num biopic. Contudo, o intensivo recurso ao flashback faz-nos duvidar das reais intenções do filme. Para o espectador, o resultado final é semelhante à demência que a protagonista exibe: sem a mínima ideia de quem é ou quem foi a Dama de Ferro...

. APOLLONIDE — MEMÓRIAS DE UM BORDEL (2011), de Bertrand Bonello



No amanhecer do século XX, o bordel parisiense Apollonide vive os seus últimos dias. Neste mundo quase secreto, onde alguns homens se apaixonam e outros se tornam viciosamente perigosos, as raparigas partilham entre si os seus segredos e as suas rivalidades, as suas tristezas e alegrias.



Em LE PORNOGRAPHE (2001), já Bertrand Bonello analisara a analogia entre sexo, condição humana e alienação social de forma pungente, gráfica e franca. Paradoxalmente, L'APOLLONIDE retoma essas intenções e atitudes sem a mesma sagacidade temática ou pertinência moral do título referido. As inúmeras representações de deboche e perversão até são exigentes do ponto de vista técnico mas, a certa altura, adversárias do próprio timing do filme, o qual encontra os seus melhores momentos quando se concentra na camaradagem entre as prostitutas do Apollonide.

Mas apesar do seu argumento excessivamente enigmático, dos cenários intensamente claustrofóbicos que "afogam" personagens e espectadores e com uma duração desnecessariamente longa para a escassez dramática apresentada, a atmosfera sumptuosa e imagens cativantes conferem ao filme um poder irresistível. Juntamente com o impressionante elenco feminino (destacam-se os nomes, por enquanto desconhecidos do grande público, de Noémie Lvovsky e Hafsia Hersi), está garantida uma satisfação geral após a sua visualização.

quinta-feira, dezembro 22, 2011

Curiosidade da Semana



Michel Gondry assinou, em 2008, BE KIND, REWIND, curiosa e surreal comédia sobre dois gerentes pouco competentes de um videoclube que decidem recriar filmes, como ROBOCOP ou MISS DAISY, através de meios artesanais, num processo apelidado de "sweded".

Três anos depois, Gondry parece não ter abandonado aquele projecto. Prova disso é esta versão "sweded" do clássico TAXI DRIVER de Martin Scorsese, interpretado pelo próprio realizador e em francês:



No mínimo, muito colorido...

[Fonte: P/]

Add to Cart #26





terça-feira, novembro 29, 2011

Curiosidade da Semana

Martin Scorsese, um cineasta para todos os gostos e géneros (cliquem na imagem para melhor visualização):



[Fonte: Fast Company]

terça-feira, novembro 08, 2011

#28



... segundo as palavras do Nuno Barroso, do blog Delusion over Addiction:

1. TAXI DRIVER
(1976, Taxi Driver, Martin Scorsese)



Considero que a obra-prima de Martin Scorsese é este TAXI DRIVER. Somos transportados para Nova Iorque pela forma de como Scorsese capta todas as nuances da cidade que ele tanto adora. Creio que também nunca vi um filme que tão explorasse o background psicológico de uma personagem de uma maneira tão afincada como Travis Bickle é explorado. Aliado a isto temos ainda uma das (senão a maior) interpretações do Cinema com assinatura de Robert De Niro e uma banda sonora simplesmente deliciosa.

2. MULHOLLAND DRIVE
(2001, Mulholland Dr., David Lynch)



O que mais aprecio neste filme é a sua capacidade de nos deslumbrar sempre que o revisitamos. Misterioso e sedutor, MULHOLLAND DRIVE é a mais fantástica viagem ao profundo subconsciente e ao mundo dos sonhos.

3. O AMOR É UM LUGAR ESTRANHO
(2003, Lost in Translation, Sofia Coppola)



É um filme que consigo ver todos os dias. Tem uma atmosfera tão relaxante que a sua visualização torna-se algo terapêutica.

4. BONNIE E CLYDE
(1967, Bonnie and Clyde, Arthur Penn)



Interessante ver como um filme consegue constituir um marco tão significativo na história do cinema, alterando por completo a forma de como (neste caso) a violência era retratada no grande ecrã. BONNIE AND CLYDE é um desses filmes. Ainda me lembro vivamente da primeira vez que o vi e de ter ficado em êxtase com aquele final arrebatador.

5. CREPÚSCULO DOS DEUSES
(1950, Sunset Blvd., Billy Wilder)



Em termos de argumentos, Wilder é Rei. A nomeação deste SUNSET BLVD. prende-se um pouco com o facto de ter sido o primeiro filme a preto e branco que vi pro-activamente. Fiquei extremamente surpreendido pelo quão tenaz e intrigante foi!

6. A VIDA NÃO É UM SONHO
(2000, Requiem For a Dream, Darren Aronofsky)



Foi o filme que me fez olhar para o cinema com outros olhos. Potente e duro de se ver, o REQUIEM FOR A DREAM é bem capaz de ter sido o filme que mais me marcou. Fiquei sem palavras quando o vi, tamanho foi o soco que me deu. Apesar de o ter visto uma única vez por volta de 2004, são várias as cenas que ainda se mantêm vivas no meu pensamento e creio que isso é apenas um testamento ao verdadeiro poder do cinema.

7. ANTES DO ANOITECER
(2004, BEFORE SUNSET, Richard Linklater)



Juntamente com o BEFORE SUNRISE, este é o meu romance de eleição. Escolho o SUNSET, aqui, pelo facto de ser mais maduro que o seu antecessor. E aqui, a naturalidade é a palavra de ordem. Quer estejam a homenagear a Nina Simone ou a discutir os problemas sócio-políticos do Mundo, não consigo encontrar uma única falha neste filme. Simplesmente, enche-me o coração.

8. A JANELA INDISCRETA
(1954, Rear Window, Alfred Hitchcock)



Hitchcock é o mestre, e pouco mais há a acrescentar (também tenho em grande estima o VERTIGO, mas optei pelo REAR WINDOW). O desenvolvimento das personagens está no ponto, a tensão é palpável e o clímax é inesquecível. Love it to death.

9. THE END OF EVANGELION
(1997, Shin seiki Evangelion Gekijô-ban: Air/Magokoro wo, kimi ni, Hideaki Anno e Kazuya Tsurumaki)



A conclusão de uma das minhas séries preferidas. É um filme incrível e recomendo-o fortemente (contudo, a visualização da série é obrigatória antes de se partir para este THE END OF EVANGELION).

10. O SILÊNCIO DOS INOCENTES
(1991, The Silence of the Lambs, Jonathan Demme)



O meu thriller preferido. O thriller que mais vezes devo ter visto. É um daqueles filmes que sempre que passa na televisão, tenho de parar tudo o que estou a fazer para o ir ver. É claustrofóbico (se eu tivesse que eleger as "As 10 cenas da minha vida" - :P -, a da visão nocturna estaria entre elas, sem pensar duas vezes), brilhantemente executado e para além disso tem também duas interpretações magistrais por parte da Jodie Foster e do Anthony Hopkins. É um clássico!

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Obrigado, Nuno, pela tua participação!

quinta-feira, novembro 03, 2011

#27



... segundo as palavras da Sarah Queiroz, do blog Depois do Cinema:

1. MATRIX
(1999, The Matrix, Larry e Andy Wachowski)



My personal favourite, atinge a perfeição! A interessante e paradoxal narrativa, que envolve metafísica e a filosofia, juntamente com a tremenda e espectacular acção e efeitos visuais são, sem dúvida, dois elementos bastante apelativos. O facto de nos desafiar intelectualmente também constitui um dos motivos pelo qual eu idolatro este filme e é, verdadeiramente, o número 1 da minha lista.

2. O SENHOR DOS ANÉIS — A IRMANDADE DO ANEL
(2001, The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring, Peter Jackson)



LORD OF THE RINGS alcança o nível de excelência e nunca me canso de ver os filmes, é espectacular em todos os níveis. Peter Jackson criou das melhores sagas da história do cinema, muito obrigada Peter!

3. KILL BILL — A VINGANÇA
(2003, Kill Bill: Vol. 1, Quentin Tarantino)



My dear Quentin... Adoro-o! Todos os seus filmes são de génio, mas a história de Beatrix Kiddo consegue ser a minha favorita.

4. CÃES DANADOS
(1992, Reservoir Dogs, Quentin Tarantino)



Outra genialidade por Tarantino, filme este que iniciou a sua magnífica carreira enquanto realizador, e digo-vos: não poderia ter começado da melhor maneira! A narrativa não linear, as grandes actuações, um diálogo soberbo e inteligente, tendo depois uma banda sonora que complementa da melhor maneira fazem deste filme um clássico!

5. A RESSACA
(2009, The Hangover, Todd Phillips)



Não há filme que tenha conseguido a proeza de me fazer cair da cadeira de tanto rir sendo A RESSACA a excepção! Sinceramente, acho-o inagualável, e dificilmente outro filme de comédia tem o nível de qualidade que este tem.

6. RESIDENT EVIL
(2002, Resident Evil, Paul W.S. Anderson)



Automaticamente constou da minha lista de preferências, logo desde a primeira vez que o vi. A história, os actores, a banda sonora... Vários são os elementos que tornam este filme absolutamente fantástico, apesar da grande maioria não concordar.

7. SHUTTER ISLAND
(2010, Shutter Island, Martin Scorsese)



A combinação DiCaprio & Scorsese é simplesmente perfeita. Este filme está arrebatador, é dos melhores filmes de 2010. SHUTTER ISLAND é acima de tudo um filme inteligente, que nos permite puxar pela cabeça. Adoro!

8. ZOMBIES PARTY — UMA NOITE DE... MORTE
(2004, Shaun of the Dead, Edgar Wright)



Eu adoro filmes de zombies, e este especialmente, pois combina o meu género predilecto com humor britânico do melhor! Não é possível resistir, é de facto hilariante, e tem um fantástico elenco e banda sonora.

9. SETE PECADOS MORTAIS
(1995, Se7en, David Fincher)



Dos melhores filmes do género e dos anos 90, SE7EN está fantástico a todos os níveis, apesar do seu final super depressivo! Adoro.

10. A CHAVE
(2005, The Skeleton Key, Iain Softley)



É daqueles filmes que eu não consigo explicar porque é que adoro ou porque é que consta nas minhas preferências. O facto de ser um pouco obscuro, super subestimado, e conter elementos pouco convencionais são capazes de ser dos motivos pelo qual me levaram a gostar verdadeiramente deste filme, que para mim é incansável. Ou se calhar é mesmo só por causa do Peter Sarsgaard.

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Obrigado, Sarah, pela tua participação!

domingo, outubro 23, 2011

Críticas da Semana

Breve resumo dos principais filmes visualizados esta semana:

. SLEEPING BEAUTY
. O ATALHO
. MYSTERIOUS SKIN
. GEORGE HARRISON: LIVING IN THE MATERIAL WORLD
. FEAR X — O MEDO

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. SLEEPING BEAUTY (2011), de Julia Leigh

Uma jovem estudante (Emily Browning) necessitada de dinheiro multiplica biscates e trabalhos em part-time. Em resposta a um anúncio, integra uma rede estranha de belas adormecidas. Adormece. Acorda. E tem a sensação que não se passou nada...



Se um exercício cinematográfico em estranheza for sinónimo de qualidade, então esta primeira obra de Julia Leigh revela-se irresistível na sua frieza estética e unidimensionalidade de personagens. SLEEPING BEAUTY move-se em torno de uma protagonista disposta a tudo (as sequências iniciais, aparentemente inócuas, expressam essa característica de modo flagrante) e sem grandes preocupações com o que lhe acontece ou lhe é feito quando serve de objecto comatoso de prazer para frustrados e viciosos homens de meia-idade.

Para o espectador, o desconforto e a inquietação não advêm apenas de ser testemunha, um fortuito voyeur, de uma inusitada forma de prostituição. O filme "incomoda" pela potencial falta de moralidade ou manifesto de opressão da sexualidade feminina que ostenta, liderado por uma Emily Browning irrepreensível (num autêntico 'sucker punch' performativo, permitam-me o trocadilho...) e contenção formal ameaçadora de alguma "explosão" que nunca sucede. Enigmático, sensual e, em última instância, arrebatador.

. O ATALHO (2010), de Kelly Reichardt

1845, Oregon. Uma caravana composta por três famílias contrata Stephen Meek (Bruce Greenwood), um explorador, para guiá-los através do deserto. Quando se perdem num caminho não assinalado, os emigrantes terão de enfrentar fome, sede, desesperança e a presença de um nativo-americano (Rod Rondeaux) que tanto poderá encaminhá-los no rumo certo ou em direcção a um destino fatal.



O drama sobre o pioneirismo norte-americano, em pleno Século XIX, está aqui bem presente, mas não é nesse detalhe que O ATALHO se agiganta. Aqui, a nossa atenção deve focar-se neste magnífico atestado de que som e imagem são definitivamente mais importantes que mil palavras ou exímias legendagens, a atmosfera supera quaisquer golpes elementares ou gratuitos de emoção e a intemporalidade de um filme rege-se pela sua aptidão em cativar o espectador sem profundas moralidades.

Entre o road movie e a história de sobrevivência, Reichardt (se WENDY & LUCY já a tinha colocado no mapa, agora é impossível não prestar atenção ao seu futuro) aposta no minimalismo técnico e na rotina quotidiana deste reduzido grupo de personagens para formular o que alguns apelidaram — e, diga-se, com razão — de anti-western, filmado à "moda antiga" (em formato 1.33, ou seja, o enquadramento de tela maioritariamente usado no cinema produzido até 1950), que até pode suscitar interpretações alegóricas mas pretende mostrar-se como experiência sensorial única do princípio ao fim. Muito recomendado.

. MYSTERIOUS SKIN (2004), de Gregg Araki

Os caminhos de um jovem prostituto (Joseph Gordon-Levitt) e de um adolescente (Brady Corbet) que acredita ter sido raptado por extraterrestres em criança cruzam-se, e ambos descobrem um horrível mas esclarecedor passado em comum.



Há que aplaudir a vontade de Gregg Araki abordar, corajosa e respeitosamente, as consequências do abuso sexual de crianças. Adaptando um romance de Scott Heim, num registo tipicamente indie e evitando o exploitation, MYSTERIOUS SKIN equilibra bem realismo com elementos fantásticos e apresenta dois convincentes protagonistas para ilustrar os traumas do tema principal do filme, assim como as diversas maneiras de os enfrentar. Nesse campo, as eficazes interpretações de Joseph Gordon-Levitt, Brady Corbet e Mary Lynn Rajskub (num pequeno mas inesquecível papel) são contributo indispensável.

Todavia, para um argumento que se expõe, desde o início, enigmático em alguns aspectos (sobretudo, os pesadelos que atormentam Brian durante anos), o filme acaba por revelar-se pouco... mysterious, e a previsibilidade da sua última meia hora faz com que o encaremos apenas como mais um drama sobre sexualidade infantil sem um ângulo propriamente inaudito acerca do assunto. Cinema destemido, sem dúvida, mas pouco paradigmático.

. GEORGE HARRISON: LIVING IN THE MATERIAL WORLD (2011), de Martin Scorsese

Amigos (Eric Clapton, Eric Idle), família (as esposas Patti Boyd e Olivia Harrison) e colegas musicais (Paul McCartney e Ringo Starr) reflectem sobre a vida, música, misticismo e carisma de George Harrison.



Mais do que um filme sobre George Harrison, este é o relato sobre o mundo que envolveu, influenciou e foi influenciado por aquele a quem chamaram de quiet Beatle. E Scorsese, depois dos The Band, dos Rolling Stones e de Bob Dylan, demonstra ser um fantástico documentarista musical, capaz de conferir múltiplos significados a uma singela fotografia doméstica, a uma bobine de filme em 16mm ou a uma breve entrevista, datada dos anos 60 e concedida a um obscuro meio de comunicação social.

Dividido em duas partes (logicamente, pelas fases pré e pós-Beatles), soma uns impressionantes céleres 208 minutos de duração e, no fim, o espectador poderá ficar com a impressão de um "soube-me a pouco". Quem alimentar no seu espírito uma "grama" de nostalgia, não conseguirá deixar de ficar rendido por este documentário e pelas facetas de Harrison: guitarrista, compositor, produtor cinematográfico, místico e profundamente humano.

. FEAR X — O MEDO (2003), de Nicolas Winding Refn

Quando a sua esposa é assassinada no que parece ter sido um homicídio acidental, Harry (John Turturro), movido por misteriosas visões, empreende uma viagem para descobrir as verdadeiras razões do acontecimento que transformou a sua vida.



Nicolas Winding Refn continua a angariar positiva admiração por estes lados, mesmo quando se está perante um dos seus filmes menores. E FEAR X tem, indiscutivelmente, imensos pontos fracos, sobretudo no seu argumento, pejado de escandalosos plot holes e gratuitos becos sem saída. Mas é, também, um thriller policial que se distancia de outros títulos semelhantes pela extraordinária e aprimorada atmosfera, criada a partir de sombras, cores e sons, que deixa o espectador sempre atrás dos acontecimentos, mesmo quando estes são totalmente descortinados.

Pode-se invocar, com legitimidade, que a sua "intoxicação" visual e sonora apenas serve de camuflagem à insuficiência narrativa do filme. Mas estamos perante um vincado filme de autor — todas as imagens de marca de Refn estão aqui patentes, e o dinamarquês ainda não tinha o reconhecimento de que hoje usufrui —, que homenageia Kubrick e Lynch sem pudor e revela um realizador com visão única no panorama cinematográfico contemporâneo.

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