sábado, maio 15, 2010

Festival de Cannes 2010 — Dia 3



O grande destaque deste terceiro dia de Festival vai para a ante-estreia mundial de WALL STREET: MONEY NEVER SLEEPS, ou o regresso do apologista da ganância Gordon Gekko (Michael Douglas) ao mundo da alta finança e do puro insider trading:



Na conferência de imprensa, Oliver Stone confessou ter-se apercebido da coincidência entre a estreia do filme e o incremento da convulsão económica europeia das últimas horas, ao mesmo tempo que partilhou a sua visão acerca do capitalismo. «Não sei se funciona. Em 1987, quando fiz o primeiro WALL STREET, pensei que as coisas iriam melhorar, mas vinte anos depois provou-se o contrário. Hoje, os únicos que realmente enriquecem são os directores das grandes empresas».

Michael Douglas/Gordon Gekko saúda os fotógrafos

Oliver Stone durante a conferência de imprensa

Mas a jornada ficou, indelevelmente, marcada pelo cinema asiático: em competição pela Palma de Ouro, Im Sangsoo apresentou THE HOUSEMAID, conto moral sobre o eterno choque de gerações e uma obra dedicada à análise da sociedade sul-coreana dos últimos cinquenta anos.



Hideo Nakata, nome proeminente da nova geração de cineastas nipónicos, prossegue a sua experimentação do terror enquanto género com CHATROOM (presente na secção «Un Certain Regard»); uma história sobre cinco adolescentes que conhecem o lado negro da Internet do modo mais impressionante. Por causa desta tecnologia, sentimos «ansiedade, medo, desejo, ódio e raiva. Algumas pessoas até são compelidas a cometer suicídio ou a assassinar inocentes», conforme partilhou o realizador durante a conferência de imprensa.

O jovem (e ocidental) elenco de CHATROOM acenam aos fotógrafos

O realce final de hoje vai para a nova obra do romeno Cristi Puiu. AURORA (secção «Un Certain Regard»), a semi-sequela de A MORTE DO SR. LAZARESCU (premiado no Festival de Cannes de 2005) num conjunto de filmes que o cineasta denomina como «uma ambiciosa saga dedicada a Bucareste».



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