sábado, setembro 04, 2010

Festival de Veneza 2010 — Dia 3



Um terceiro dia de Festival marcado por emoções fortes e chuva. Na verdade, um dilúvio de «proporções bíblicas» abateu-se sobre o Lido, afectando, durante alguns momentos, a habitual viagem de gôndola das estrelas e respectivos convidados:



Mas é a Sétima Arte que domina em Veneza e Sofia Coppola teve a oportunidade de apresentar a sua quarta longa-metragem, SOMEWHERE (Em Competição).



A história de um actor famoso (Stephen Dorff), que consegue sair da espiral de decadência em que se encontrava pela presença da filha (Elle Fanning, irmã de Dakota) que ele mal conhece, assinala a primeira obra onde Sofia Coppola, aparentemente, se baseou na sua própria experiência de vida. Confrontada com o possível paralelo entre SOMEWHERE e a relação com o pai Francis Ford, a realizador preferiu salientar que queria «filmar, partindo de um ponto de vista masculino, algo sobre a vida emocional dos homens que são tão diferentes de mim».

Embora existindo algumas reticências, SOMEWHERE agradou à crítica especializada. Entre as opiniões mais positivas, afirmou-se que — e apesar de AS VIRGENS SUICIDAS, este é o primeiro filme de Sofia que "examina noções de família com alguma claridade" e a certeza de estarmos perante "um filme à Coppola, sobre conforto e afecto familiar, que funciona bem como estudo de personalidade mas ainda melhor enquanto peça de arte".

Uma encharcada Sofia Coppola sorri para os fotógrafos

A realizadora acompanhada dos protagonistas Stephen Dorff e Elle Fanning

Com HAPPY FEW (Em Competição), de Antony Cordier, Veneza conheceu a grande surpresa do certame até ao momento.



Sem preconceitos em exibir sexo a rodos durante uma hora e quarenta minutos, HAPPY FEW relata, com humor, as desventuras de dois casais que ocupam o seu tempo na constante troca de cônjuges. Um tema polémico, mas para Cordier «a verdadeira perversão do filme é quando as personagens sentem desejo conjugal pelo ou pela amante». Deste modo, o cineasta francês conclui que acompanhamos «personagens que vivem uma utopia, mas iguais a qualquer outra pessoa: sentem inveja, sofrem, e por aí fora».

Para os críticos, trata-se de "uma adorável comédia dramática, (...) sem nenhum dos clichés que caracterizam o género". Destaque para Nicolas Duvauchelle, o actor principal de HAPPY FEW, que já é considerado como uma das principais revelações do Festival deste ano.

Marina Fois, Roschdy Zem, o realizador Antony Cordier, Nicolas Dechauvelle e Elodie Bouchez

O elenco principal de HAPPY FEW

Mas o momento alto deste terceiro dia foi a entrega do Leão de Ouro honorário a John Woo pelo conjunto da sua carreira, tornando-se assim no primeiro cineasta de descendência chinesa a receber este prémio.

John Woo aceitando o prémio de carreira

O realizador mais famoso de Hong Kong revelou a sua surpresa por ter sido o galardoado deste ano: «A princípio, fiquei chocado. Depois, pensei que só podiam estar a gozar comigo!». Por seu lado, Marco Mueller, director artístico do Festival, admitiu que com a entrega do Leão de Ouro honorário a Woo «não estamos a conceder uma honra; o prémio estava simplesmente à espera dele».

Imagens retiradas de: Site Oficial do Festival, Reuters e AFP.

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