domingo, setembro 05, 2010

Festival de Veneza 2010 — Dia 5



O indie norte-americano voltou a mostrar o seu poder em Veneza com a exibição de MEEK’S CUTOFF (Em Competição), realizado por Kelly Reichardt.



Baseado na história verídica de Stephen Meek, um guia que em 1845 liderou uma coluna de 200 carroças através do deserto do Oregon, perdendo-se num local sem água potável disponível. Assinado por uma mulher, estamos perante um western sem vestígio de xerifes nem duelos, que prefere abordar os dramas psicológicos daqueles que empreenderam longas viagens nos tempos do "Velho Oeste". Reichardt justificou esta opção ao afirmar que «adoro os filmes de Nicholas Ray ou Monte Hellman, mas nunca encontrei qualquer ressonância na maioria dos seus temas. Os pontos de vista são sempre muito masculinos e o drama é construído a partir de sequências de grande acção».

As interpretações de MEEK'S CUTOFF, sobretudo Michelle Williams que aqui exibe um absoluto e brilhante show-stealing", têm sido largamente destacadas na colecção de críticas do filme, numa produção que, no seio do cinema independente norte-americano, revela-se "aventureiro, ambíguo e genuíno".

A conferência de imprensa de Kelly Reichardt

Michelle Williams na passadeira vermelha

O cinema asiático também marcou presença, através do mais recente filme do realizador chinês Tsui Hark, DETECTIVE DEE AND THE MYSTERY OF PHANTOM FLAME (Em Competição).



Kung-fu, intriga e atmosferas da Dinastia Tang encheram o grande ecrã da Sala Grande de Veneza, no retrato das investigações do detective Dee para descobrir quem está a ameaçar o poder da Imperatriz Wu Zetian. Uma película emocionante, já que Tsui Hark confessou o seu desejo de «criar um argumento complexo que agarrasse a audiência, especialmente com aquela reviravolta no fim... Não se sabe quem é o assassino até ao último minuto».

A crítica especializada rendeu-se à "excelente coreografia, grandeza visual e atenção ao detalhe" de DETECTIVE DEE, embora não passe "de uma diversão sem grandes consequências".

Tsui Hark acompanhado com as actrizes do seu último filme

Deng Chau, tão dinâmico em Veneza como no filme

A proposta (até agora) mais radical submetida ao júri presidido por Quentin Tarantino chegou do Chile. Trata-se de POST MORTEM (Em Competição), assinado por Pablo Larraín.



Recriando a autópsia do Presidente Salvador Allende após o golpe militar encabeçado por Augusto Pinochet em 1973, contrasta factos históricos com a narrativa de dois estrangeiros que se vêm envolvidos naqueles acontecimentos políticos e sociais. A exposição cientificamente detalhada da autópsia — até o cérebro despedaçado do falecido Presidente é-nos mostrado — constituiu o tema mais sensível do dia. Larraín, com imensa serenidade, salientou que «se lermos o relatório da autópsia, a qual é pública e facilmente encontrada na Internet, encontraremos um documento muito poderoso. É a autópsia do Chile».

Na imprensa, todos são unânimes em afirmar que a mensagem política de POST MORTEM é claramente apreendida, mesmo para os que desconhecem a História do Chile. E, em termos artísticos, trata-se de uma obra que "na sua dimensão trágica, é cinema arrebatador e provocativo no seu melhor".

Antonia Zegers e Alfredo Castro, os protagonistas

Realizador e actriz de POST MORTEM — o pai da criança é o próprio Pablo Larraín

Destaque final para o novo filme de Gabriele Salvatores, um documentário intitulado 1960 (fora de Competição) sobre o fenómeno da emigração italiana naquela década do século XX.

Salvatores saúda os fotógrafos em Veneza

Imagens retiradas de: Site Oficial do Festival, AFP, Just Jared e Associated Press.

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