segunda-feira, abril 11, 2011

Críticas da Semana

Breve resumo dos principais filmes visualizados esta semana.

THE MAN FROM NOWHERE (2010), de Lee Jeong-beom



Cha Tae-Sik, pacato gerente de uma loja de penhores, é forçado a recorrer ao seu passado violento quando uma rede de tráfico de droga e de órgãos humanos para transplantes rapta So-mee, uma menina com quem ele tinha uma peculiar amizade.

Facilmente comparável, na sua temática, com os "ocidentais" HOMEM EM FÚRIA (2004, Tony Scott) ou TAKEN — BUSCA IMPLACÁVEL (2008, Pierre Morel), Lee Jeong-beom procura distanciar-se desses títulos através da carga emocional que imprime às personagens e de alguns interessantes pormenores no trabalho de câmara — destaque para uma sequência de luta corpo a corpo, "registada" através do ponto de vista dos intervenientes —, resultando num thriller bastante satisfatório, embora lamente-se a ausência de surpresas no argumento. Mais um excelente indício da vitalidade do actual cinema sul-coreano.


TOKYO! (2008), de Michel Gondry, Leos Carax e Bong Joon-ho



Três cineastas apresentam três curtas-metragens recheadas de implausibilidade e centradas no isolamento humano. Michel Gondry, em «Interior Design», apresenta-nos uma jovem mulher que considera a sua vida inútil, até ao momento em que se transforma (literalmente!) numa cadeira; Leos Carax, em «Merde», revela-nos um bizarro caucasiano que emerge dos esgotos de Tóquio para enfrentar prisão, julgamento e condenação à morte; e Bong Joon-ho, em «Shaking Tokyo», conta-nos a história de um hikikomori (indivíduo que escolhe viver em casa e afastado de qualquer relação social) cuja existência é abalada quando uma rapariga lhe desmaia à porta durante um terramoto.

Nos seus três fragmentos, TOKYO! revela-se naturalmente desequilibrado mas com momentos memoráveis. Bong Joon-ho destaca-se como o mais bem conseguido técnica, narrativa e tematicamente, enquanto Carax patenteia, talvez, o pior trabalho da sua carreira (não admira que o seu segmento se intitule «Merde»...). Michel Gondry está igual a si próprio, misturando "cenas da vida real" com puro surrealismo. Deverá ser encarado como curiosidade estética.

LONDON BOULEVARD — CRIME E REDENÇÃO (2010), de William Monahan



Mitchel, acabado de sair da penitenciária onde cumpriu pena por homicídio involuntário, encontra trabalho como guarda-costas de uma actriz de cinema reformada e constantemente assediada por paparazzi. Enquanto isso, o seu passado menos legítimo teima em persegui-lo. Desta vez, na forma de um desonesto e implacável criminoso.

Sem apresentar nada que não tenhamos visto em dezenas de outros títulos e com melhores resultados (no contexto britânico, Guy Ritchie, Paul McGuigan ou Martin McDonagh saltam imediatamente à memória), o desapontamento é maior pela ausência de química entre Colin Farrell e Keira Knightley — ambos em evidente momento de má forma — e na utilização de uma atmosfera 'swinging London' que tem tanto de desajustado como de inexplicável. David Thewlis e Ray Winstone, secundários de luxo, são aqui os únicos motivos de realce positivo.

13 ASSASSINS (2010), de Takashi Miike



No Japão feudal, o jovem nobre Naritsugu assassina e viola à sua bela vontade. Devido ao seu estatuto, ninguém ousa enfrentá-lo. Contudo, Shinzaemon, samurai da velha guarda, é secretamente contratado para reunir um grupo de guerreiros com a missão de assassinar Naritsugu.

Devendo mais a Akira Kurosawa (sobretudo, por OS SETE SAMURAIS) do que à Toho Company dos anos 60 e 70, Takashi Miike modera o seu gore habitual (as cabeças só começam a rolar mesmo no final) para construir o filme de samurais mais completo desde ZATOICHI (2003, Takeshi Kitano), onde a atmosfera da vivência feudal nipónica do Século XIX é quase palpável (mérito para a magnífica direcção de fotografia, sobretudo na primeira parte) e o seu épico clímax, com 45 minutos de duração, revela-se um autêntico deleite para os sentidos. O "método do samurai" no Cinema está vivo e recomenda-se.

1 comentário:

Nuno Pereira disse...

Esse The Man from Nowhere, gostei bastante... especialmente da sequência "luta" final.

Já o 13 Assassins ainda não vi,e é actualmente um dos filmes que mais quero ver!