terça-feira, maio 17, 2011

Festival de Cannes 2011 — Dia 6



Sexta e muito aguardada jornada de Festival, ou não fosse este o dia de THE TREE OF LIFE, projecto no qual Terrence Malick, um dos cineastas mais reclusivos do mundo, trabalhou durante mais de trinta anos e cuja produção esteve envolta no maior dos secretismos.

Brad Pitt e Jessica Chastain, duas das estrelas de THE TREE OF LIFE

Face a tanta antecipação, o visionamento para a imprensa foi marcada por incidentes antes (a sala foi demasiado pequena para inúmeros e desejosos espectadores) e depois (aplausos e assobios em quotas iguais) da projecção. Contudo, é unânime a sensação de que exibe «uma ambição sem paralelos, onde Malick «aventura-se num experimentalismo narrativo e delírio visual que deixará qualquer um positivamente atónito» como já não se via «desde 2001: ODISSEIA NO ESPAÇO». Os detractores, por seu turno, consideram que «acusações de ambição desmedida e pretensiosismo não são descabidas» para descrever o filme.

Pitt, Chastain e Sean Penn - só faltou mesmo Terrence Malick na passadeira vermelha

O outro filme em competição exibido hoje na Croisette foi L’APOLLONIDE — SOUVENIRS DE LA MAISON CLOSE, drama situado num bordel parisiense do Séc. XIX realizador por Bertrand Bonello (mais conhecido por LE PORNOGRAPHE que, em 2001, chocou Cannes).

Equipa técnica e elenco de L'APOLLONIDE

Noemie Lvovsky, na muito morna conferência de imprensa

Apesar de «sensual e intrigante», L'APOLLONIDE salda-se num exercício «pedante, executado de forma pedestre e com uma abordagem totalmente errada». Embora o realizador, na conferência de imprensa, advogue que não pretendeu abrir debate sobre prostituição, esse tem sido o mote de todas as críticas e artigos dedicados ao filme.

Também recebido de modo pouco "pacífico" foi HORS SATAN, do sempre controverso Bruno Dumont e em concurso na secção Un Certain Regard, sobre a peculiar e espontânea relação entre um homem e uma rapariga totalmente desconhecidos um para o outro.

Bruno Dumont ladeado pelos protagonistas de HORS SATAN

Este será, sem dúvida, um dos filmes mais devassados pela crítica durante a presente edição do Festival: «insano, pretensioso, hipnótico e transcendente em medidas iguais», passando pela afirmação de que esta é «a obra de um egoísta, para quem qualquer recurso estilístico, câmara de ângulo forçado ou murmúrio monossilábico tem de invocar no espectador um significado profundo» até à conclusão de ser um «um exercício desmotivado», não faltaram "insultos" a HORS SATAN. Definitivamente, um título apenas para admiradores da filmografia de Dumont.

Destaque final para a apresentação, na secção Cannes Classics, de THE LOOK, documentário sobre a carreira de Charlotte Rampling, no qual a realizadora Angelina Maccarone traça o perfil «divertido, inteligente e marcante» de uma das actrizes mais versáteis no panorama cinematográfico europeu.

Charlotte Rampling, feérica, na photocall de THE LOOK

[Crédito de imagens: EPA, Site Oficial do Festival, Reuters e WireImage]

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