quinta-feira, novembro 29, 2012

MATA-OS SUAVEMENTE (2012), de Andrew Dominik



Jackie Cogan (Brad Pitt) investiga o que correu mal num importante jogo de póquer patrocinado pela Máfia. E quando as regras são quebradas, é sempre ele que resolve.

De forma eficiente, implacável como um homem de negócios, com um aguçado sentido das fraquezas dos outros e um estilo tão frio como o seu olhar, Cogan move-se com inabalável precisão entre traições e violência extrema.
— filmspot.pt



A figura do crime organizado enquanto metáfora para a saúde e alma da economia norte-americana — de GREED (1924, Erich von Stroheim) a CASINO (1995, Martin Scorsese), os exemplos dessa comparação simbólica abundam — não encontra em MATA-OS SUAVEMENTE novidades narrativas nem personagens icónicas (não obstante o seguro protagonismo de Brad Pitt), mas o estilo visual de Andrew Dominik, realmente impactante, converte o filme em algo que não se olvida imediatamente.

Forte candidato a figurar em alguma lista das estreias esteticamente mais interessantes de 2012, MATA-OS SUAVEMENTE expõe a imoralidade da sua intriga de crime, traição e ajuste de contas com visceralidade e cinetismo eficazes, marcando a acção em duas ou três sequências fulgurantes, exaustivas na estetização da sua violência e, nesse processo, quase ilustrativas do próprio título do filme.







Numa obra que caminha terrenos seguros na capitalização do seu trabalho visual, assim como no contrabalanço empreendido entre o mainstream e o indie, MATA-OS SUAVEMENTE fraqueja, contudo, nas ambições morais e políticas a que se propõe. Situando temporalmente a história durante a campanha e sufrágio que, em 2008, elegeram a Administração Obama, tentando salientar desse modo as contradições entre espírito e realidade dos Estados Unidos contemporâneos, Dominik é incapaz de formular mensagens claras — de esperança e/ou desilusão, mas nenhuma convence —, arrastando as atenções do espectador para patamares narrativos que o resto do filme nunca almeja sustentar.

Longe de ser uma desilusão total, merece que lhe dediquemos a visualização.

1 comentário:

O Narrador Subjectivo disse...

Mais um filme do Andrew Dominik que divide opiniões; pessoalmente tenho gostado do seu trabalho, por isso espero estar aqui mais um "sleeper".