quarta-feira, maio 01, 2013

FRANCES HA (2012), de Noah Baumbach



A história, passada em Nova Iorque, é a de uma aspirante a dançarina “apaixonada” pela sua melhor amiga, sem a atracção sexual. Ou seja, o que resulta é a constatação de que vão ter que crescer e descobrir se conseguem viver um sem a outra. — IndieLisboa.



O ambiente da nova obra de Noah Baumbach (que assinou, em 2005, o muito interessante A LULA E A BALEIA) parece saído de um filme de John Cassavetes simpático e optimista, com Nova Iorque registada em radioso preto e branco, onde as inquietações do dia-a-dia são encaradas e discutidas à mesa com espirituosidade e o rumo incerto da protaonista em direcção ao futuro trilhado em passos de dança.

Esta característica estética nunca se alterará, nem mesmo com as diversas reviravoltas de FRANCES HA, filme que reside inteiramente do desempenho de Greta Gerwig (que aqui acumula funções de co-argumentista ao lado de Baumbach), segura e contagiante na composição de um quase alter ego da sua pessoa e, indubitavelmente, o principal motivo para acompanhar as desventuras amorosas, familiares e interpessoais desta protagonista.

É, contudo, nos maneirismos quirky — esse "calcanhar de Aquiles" da comédia romântica indie norte-americana, que lhe esvai, na maioria das vezes, significado e verosimilhança — que FRANCES HA não consegue alcançar resultados distantes da mediania. Embora o desejo, por parte do realizador, em não ficar preso a mecanismos narrativos imediatamente reconhecíveis seja palpável, e a sua visualização bastante agradável, toda a sua inconsequência final converte-o num projecto do género "chegar, ver e esquecer".

[Exibido na secção Observatório do IndieLisboa 2013.]



1 comentário:

Inês Moreira Santos disse...

Temos uma opinião semelhante relativamente a este filme. Esperava mais, parecia ter muito para dar e acabou por ficar aquém das "promessas" iniciais.

Óptimo texto, Sam.

Cumprimentos cinéfilos :*