sábado, maio 18, 2013

O Cinema dos Anos 2000: Twentynine Palms, de Bruno Dumont




Twentynine Palms é uma cidade no interior da Califórnia, perto do parque nacional Joshua Tree, onde os cactos e as dunas se estendem para além do horizonte — um cenário perfeito para o fotógrafo David planear uma sessão futura e viajar com a sua namorada russa. A comunicação entre o casal é, acima de tudo, física, e as cenas de sexo sucedem-se. Não menos explícitos e crus são os atos violentos que abrem caminho pelo filme, de forma repentina e incompreensível.

Bruno Dumont nunca foi um realizador acessível, mas é inegável que tudo o que faz tem uma qualidade visceral e uma quietude que exigem atenção e dão espaço para pensar ao mesmo tempo, o que por si só é louvável. Ainda assim, quando decide deixar o enredo e o diálogo totalmente de lado como em TWENTYNINE PALMS, não é difícil de perceber porque é que divide audiências. O que um filme tão vago e aberto realmente significa é uma incógnita, mas o que se torna fascinante é como Dumont prolonga o silêncio ao ponto de o deserto parecer insidioso, deixando a dúvida sobre se essa ameaça se vai materializar ou não e o quão pessoal a resposta de quem o vir pode ser, na face dessa vastidão de vacuidade.

Como Bresson, sem artifícios, como Antonioni, com planos que continuam para além do que estamos habituados, de tal forma que quase esquecemos que o filme não está a acontecer em tempo real.

por David Lourenço (O Narrador Subjectivo).

Elenco
. Yekaterina Golubeva (Katia), David Wissak (David)


Palmarés
. Festival Internacional de Cinema de Sitges: Menção Honrosa (Bruno Dumont)


Sobre Bruno Dumont

Autor de obras unanimemente classificadas como art films, a carreira de Bruno Dumont tem variado entre o drama realista e o horror psicológico, sem pejo de evidenciar violência extrema ou comportamentos sexuais explícitos, tornando-o num dos principais representantes do denominado Novo Extremismo Francês. Da sua filmografia, destacam-se LA VIE DE JÉSUS (1997), L'HUMANITÉ (1999), FLANDRES (2006) e FORA, SATANÁS (2011).



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