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sexta-feira, abril 06, 2012

Hollywood Buzz #163

O que se diz lá fora sobre KEYHOLE, de Guy Maddin:



«Maddin's singular humor and fabulous black-and-white mise-en-scene can't sustain this fever dream beyond its initial fascination, making for an intriguing transitional work unlikely to broaden his audience.»
Justin Chang, Variety.

«To a die-hard Maddinite this may be a little disappointing, but for that reason KEYHOLE may also be a perfect gateway into the bizarre and fertile world of a unique film artist.»
A.O. Scott, The New York Times.

«An exercise in opaque supernatural storytelling that's as frustrating as it is beguiling.»
David Rooney, The Hollywood Reporter.

«KEYHOLE's flashes of actual B-movie coherence are enough to make longtime Maddin-watchers wonder if he could've played this material straighter, with more of a plot and fewer reveries.»
Noel Murray, The A.V. Club.

«KEYHOLE never comes together, but that's part of Maddin's creed. He makes movies about movies to express his love for movies, which is to say he makes movies about himself.»
Eric Kohn, indieWIRE.

domingo, outubro 30, 2011

Críticas da Semana

Breve resumo dos principais filmes visualizados esta semana:

. A CANÇÃO MAIS TRISTE DO MUNDO
. A TORINÓI LÓ
. ASSIM É O AMOR

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. A CANÇÃO MAIS TRISTE DO MUNDO (2003), de Guy Maddin



Quando Chester Kent (Mark McKinney), um falhado empresário da Broadway, e Narcissa (Maria de Medeiros), a sua namorada amnésica, regressam à terra natal de Chester, vão deparar-se com uma espinhosa reunião familiar e um caótico concurso para encontrar a canção mais triste do mundo, organizado pela cervejaria local, dirigida pela amarga Lady Port-Huntley (Isabella Rossellini).



Para Maddin, cineasta com tanto de avant-garde como de "antiquário", a exagerada abundância é completamente intencional: os seus filmes garantem-lhe estatuto de culto pela granulada qualidade da imagem, pela monocromia dos enquadramentos, pelo lirismo das histórias e personagens. E no filme mais acessível da sua carreira, o espectador tem de se render a esta super-artificialidade, servida numa história de total absurdo mas completamente irresistível.

Durante toda a sua duração, vivemos um género de cinema que apenas encontramos na nossa memória e em alguns momentos — como o plano de um retrato de família enquadrado numa gota de água, cujo sentimentalismo inerente invejaria Chaplin ou Griffith — ponderamos a hipótese de Maddin ser um viajante no tempo, apetrechado com o know-how do período mudo e os recursos técnicos do século XXI. A CANÇÃO MAIS TRISTE DO MUNDO é uma curiosidade de primeira ordem e, talvez, a estreia ideal para quem deseja conhecer o cinema de Guy Maddin.

. A TORINÓI LÓ (2011), de Béla Tarr



Em 1889, Nietzsche protege um cavalo que é brutalmente espancado. Depois desse episódio, perderá a razão. O que aconteceu ao cavalo continua a ser um profundo mistério.



Recompensado com o Grande Prémio do Júri no último Festival de Berlim, o (segundo as próprias palavras do realizador) último filme de Béla Tarr é um profundo exercício de niilismo moderno, pautado por estados de espírito em detrimento da explanação de uma narrativa na verdadeira acepção do conceito — a repetição, o tédio, a frugalidade, o sofrimento, a filosofia anti-religiosa de Nietszche e duas das personagens mais planas e "invisíveis" que poderemos observar num grande ecrã dominam os trinta planos-sequência de um filme que atesta como o seu realizador, recorrendo outra vez ao seu discurso directo, «não me resta nada de novo para contar».

Contudo, é impossível desviar o olhar da sua permanente desconstrução da forma e tempo cinematográficos, imergindo-nos num fantasmagórico chiaroscuro e extraindo o ritmo a partir da nortada que assola, incessantemente, a casa onde a "acção" do filme decorre. A partir daqui, o grau de satisfação será proporcionalmente dependente do quanto se é fã de Tarr. A TORINÓI LÓ revela-se um poderoso desafio para quem "institucionalizou" que cada filme do cineasta deve ser encarado como obra-prima e, só por isso, merece positiva admiração.

. ASSIM É O AMOR (2011), de Mike Mills



Alguns meses depois do falecimento do seu pai Hal (Christopher Plummer), Oliver (Ewan McGregor) conhece a irreverente e imprevisível Anna (Mélanie Laurent). Este novo amor inunda Oliver de memórias do seu pai que, a seguir à morte da sua mulher e já com 75 anos, resolve assumir a sua homossexualidade.



De sabor inconfundivelmente indie (Mills, para além de ter assinado o aclamado THUMBSUCKER em 2005, é casado com Miranda July), a sua premissa simples é-nos apresentada com dinamismo, humor e, sobretudo, uma montagem inteligente que, alternando presente e passado, salda-se num equilibrado conjunto emocional. Para tal, muito contribui a segurança do elenco, onde se destacam Christopher Plummer (já se fala em prémios...), Ewan McGregor e a quase desconhecida Mary Page Keller, naquele registo scene-stealer que se lamenta não ter conhecido mais expansão.

O grande handicap de ASSIM É O AMOR está em ser um filme demasiado pessoal (o argumento é inspirado na relação de Mike Mills com o próprio pai) "encaixado" numa produção de óbvio apelo comercial, perdendo, assim, definição no seu registo (comédia romântica ou drama familiar?) e no público-alvo a que se dirige. De visualização agradável, com os seus momentos pungentes, o espectador ávido pelo cinema independente norte-americano encontrará aqui imensos focos de atracção, mas está longe de ser obrigatório.

segunda-feira, setembro 05, 2011

Jukebox #24

(«Jukebox»: boa música e os videoclips mais criativos do ponto de vista cinematográfico).

. Marylin Manson, «Born Villain»



Felizmente, Marilyn Manson aparenta estar a ver muito Luis Buñuel, Alejandro Jodorowsky e Guy Maddin. O resultado é um poderoso videoclip ostensivo de todos os sentimentos que nutrimos acerca deste conjunto oriundo da Florida: surreal, grotesco sexy e muito chocante - desde já, fica aqui feito o aviso...

Mas o mais surpreendente neste novo "esforço audiovisual" de Marilyn Manson, capaz de levar mais longe o que foi concretizado em «Beautiful People» ou «mOBSCENE», é o seu realizador: nem mais nem menos que Shia LaBeouf, actor e menino-bonito de Hollywood cujo talento visual deixa qualquer um desarmado. Incluíndo os mais precavidos...



Quê? Estraguei-vos o jantar?