A CIDADE (2010), de Ben Affleck

Mais uma prova de que Ben Affleck é, definitivamente, melhor realizador que actor, A CIDADE é um thriller que surpreende pela sua abordagem, privilegiando os elementos humanos da narrativa — romance, confiança e traição — em detrimento das dinâmicas sequências de acção. Jeremy Renner rouba (nos vários sentidos da palavra) todas as cenas em que aparece e Pete Postlethwaite, embora secundaríssimo, é indelével para o espectador.
RABBIT HOLE (2010), de John Cameron Mitchell

O título mais depressivo de 2010? Muito provavelmente, mas tal não é sinónimo de deprimente. Este é um teste perfeito à condição interpretativa de Nicole Kidman e Aaron Eckhart (sobretudo este, embora os prémios e a crítica destaquem a actriz) que, no papel de um casal em luto pela trágica morte do filho, compõem dois "cacos emocionais" aparentemente irremediáveis. A subtileza na realização de Mitchell, evitando a manipulação sentimental que tantas vezes aflige este género de filme, é outro ponto forte de um melodrama obrigatório.
ENTER THE VOID (2009), de Gaspar Noé

Provocador e extremo, somos convidados a uma viagem post-mortem, por uma Tóquio alucinogénica, do espírito do protagonista que observa as consequências da sua própria morte. Gaspar Noé é mais "técnico" do que contador de histórias mas, nesse aspecto, é dos melhores e mais inovadores a trabalhar hoje em dia, fazendo-nos crer que Cinema é, acima de qualquer dúvida, uma arte visual. Não recomendado para epilépticos nem cinéfilos "preguiçosos".
A TETA ASSUSTADA (2009), de Claudia Llosa

O vencedor do Urso de Ouro, no Festival de Berlim 2009, revela-se exemplo pragmático de filme que se torna melhor a cada nova visualização. Impregnado do realismo mágico e simbolismo apegado à natureza tão característico do cinema sul-americano hispânico, a sua exigência formal poderá impedir a apreensão da sua reflexão histórica do Perú e a contínua observação social impele a observá-lo como drama de costumes. Qualquer uma dessas leituras não é incorrecta, mas limitadora de aprazimento completo.










