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Oito anos depois de ter arrecadado o Grande Prémio do Júri com INTERVENÇÃO DIVINA, o palestiniano Elia Suleiman regressa a Cannes com o semi-biográfico THE TIME THAT REMAINS, uma história familiar que "debate" a criação do estado de Israel, desde 1948 até aos nossos dias.
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Habitualmente comparado com Jacques Tati ou Buster Keaton (e alguma imprensa portuguesa retomou, hoje mesmo, esse pressuposto), Suleiman é também referido como um 'cineasta político', estatuto que o próprio não ocultou durante a conferência de imprensa. «THE TIME THAT REMAINS fala do estado actual do mundo, não de uma perspectiva política per se, mas através dum ponto de vista muito pessoal». Quanto à crítica, está rendida à qualidade do filme.

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Depois da polémica que Lars Von Trier criou, no passado Domingo, com ANTICHRIST, hoje foi a vez de outro enfant terrible entrar em acção. ENTER THE VOID assinala o reencontro de Cannes com Gaspar Noé, autor do 'infame' IRREVERSÍVEL, o filme-choque de 2002 e que, segundo rezam as crónicas, provocou uma debandada de espectadores aquando da sua projecção no certame daquele ano.
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E não é desta que Noé apazigua a (má) imagem que detém em Cannes: ENTER THE VOID "arrasta-se" em 163 minutos de imagética psicotrópica e chocante, totalmente adequada para os fãs acérrimos do cineasta mas de complicada comercialização. O franco-argentino, durante a conferência de imprensa, não se intimidou pelas reacções adversas, explicando a natureza das condições em que trabalhou: «Desde que não ultrapassasse o orçamento definido, encorajaram-me a fazer o filme mais estranho que conseguisse. Esse género de incentivo é do mais excitante que há!»

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Uma romântica homenagem à arte do "faz-de-conta", THE IMAGINARIUM OF DOCTOR PARNASSUS é a mais recente amostra da imaginação delirante de Terry Gilliam. Com um elenco all-star (Heath Ledger, Johnny Depp, Christopher Plummer, Colin Farrell, Jude Law, Tom Waits,...), é um título merecedor da expectativa que tem criado.
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Sobretudo, porque não havia mesmo volta a dar: THE IMAGINARIUM OF DOCTOR PARNASSUS, exibido fora de competição, chegou a este Festival de Cannes rotulado como "o" filme em que Heath Ledger trabalhava aquando do seu falecimento. E de tal marca não escapou. Para mais, o argumento suscitou confusão na plateia e desagradou a crítica, que chegou a descrever o filme como «uma fraca despedida do estimado actor».
Aos jornalistas, inevitavelmente, Gilliam recordou a experiência de trabalhar com Ledger: «É uma obra de tom positivo, uma celebração a Heath».
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O principal representante lusitano em Cannes, MORRER COMO UM HOMEM, foi exibido hoje no âmbito da secção Un Certain Regard.
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O filme de João Pedro Rodrigues (o qual já foi galardoado pelo júri de Cannes, com uma menção especial por ODETE) conta a história de Tonia, um travesti lisboeta, que abandonou a sua identidade dupla e iniciou uma série de intervenções de cirurgia plástica que o transformaram numa mulher.

1 comentário:
O novo Gilliam vai dar que falar, e não apenas por se tratar do último filme de Ledger.
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