quarta-feira, setembro 08, 2010

Festival de Veneza 2010 — Dia 7



Vincent Gallo apresentou em Veneza PROMISES WRITTEN IN WATER (Em Competição), e sete anos após a controvérsia gerada em Cannes com THE BROWN BUNNY, parece ainda não ser desta que se livra de assobios e apupos.



O sigilo em torno do filme manteve-se até ao momento da antestreia, numa sessão marcada pela debandada geral do público quando PROMISES WRITTEN IN WATER ainda só levava um quarto de hora de projecção... A polémica não se apaziguou com demonstrações de ego "inchado" de Vincent Gallo (no catálogo do Festival, pode-se ler que é «sem dúvida, um dos artistas mais talentosos, carismáticos e excêntricos no panorama do cinema indenpendente norte-americano»), assim como o cancelamento da conferência de imprensa por vontade do actor-realizador.

A crítica foi impiedosa. Um «esforço incompreensível e desapontante», que apesar de só contar 74 minutos de duração parece ter sido concebido para «fazer parar o tempo». Pelo menos, houve quem elogiasse a fotografia chiaroscuro de PROMISES..., com sequências «realmente lânguidas e hipnóticas».

Delfine Bafort, a musa de Vincent Gallo em PROMISES WRITTEN IN WATER

Álex de la Iglesia apresentou BALADA TRISTE DE TROMPETA (Em Competição), uma bizarra metáfora sobre a Guerra Civil Espanhola.



Um palhaço a esquartejar um soldado franquista será, provavelmente, a imagem indelével do sétimo dia de Festival. Mas todo este surrealismo serviu para exorcizar a memória dolorosa da Guerra Civil no imaginário espanhol. «O nosso passado é extremamente pesaroso, que nos envolve há muitas décadas», disse Iglesia durante a conferência de imprensa, acrescentando que «a tortura, a dor e a tristeza estão sempre presentes nos nossos corações de uma forma ou outra».

O absurdo de BALADA TRISTE DE TROMPETA dividiu a crítica especializada. O novo filme de Álex de la Iglesia é «um vendaval de excessos» que «decerto agradará a Tarantino», mas nem todos foram persuadidos pela satisfação geral do público, referindo-se que «o simbolismo da narrativa é quase gratuita e o humor desconfortável». Em suma, uma obra que não gera consensos.

Veneza conheceu a visão única de Álex de la Iglesia

Os artífices de BALADA TRISTE DE TROMPETA: Carlos Areces, Carolina Bang, Álex de la Iglesia e Antonio De La Torre

Imagens retiradas de: Site Oficial do Festival, Reuters, AFP e Publico.es

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