domingo, maio 13, 2012

SOMBRAS DA ESCURIDÃO (2012), de Tim Burton



Barnabas Collins (Johnny Depp), o mestre da mansão Collinwood, é rico, poderoso e um playboy inveterado. Até que comete o grave erro de partir o coração a Angelique Bouchard (Eva Green), uma bruxa que amaldiçoa-o com um destino pior que a morte: torna-o num vampiro e enterra-o vivo. Dois séculos depois, Barnabas é inadvertidamente libertado do seu túmulo e emerge num mundo muito diferente do seu, no ano 1972.



Quando Tim Burton opta pela aproximação estrita e totalmente comercial, o resultado final é, quase sempre, algo de genial em teoria mas "agridoce" na prática.

SOMBRAS DA ESCURIDÃO, adaptação de uma série televisiva norte-americana dos anos 60, demonstra-o na perfeição, alicerçando o argumento em humor ligeiro, mecanismos de slapstick e numa abordagem da sexualidade das personagens arriscada mas sempre inofensiva (em particular, gargalhadas à custa de sexo oral e uma sequência de paixão literalmente arrasadora entre Johnny Depp e Eva Green).

Se a sua fisionomia narrativa não consegue elevar o filme da mediania (espera-se que SOMBRAS DA ESCURIDÃO tenha constituído, para Burton, o "aquecimento" ideal com vista a FRANKENWEENIE), visualmente é impossível apontar-lhe defeito, muito embora os motivos predilectos do realizador sejam, desta feita, substituídos por intermináveis referências culturais modernas — até Alice Cooper tem direito a um hilariante cameo...

E, cada vez mais, se compreende a importância de Johnny Depp colaborar tão regularmente nos projectos de Burton. A sua composição é tão cinematográfica (alguém andou a estudar afincadamente o NOSFERATU de Murnau...) quanto pessoal: Barnabas Collins tem lugar cativo e imediato no rol de inadaptados encarnado pelo actor, dentro ou fora do universo burtonesco.

Os fãs de Tim Burton poderão ficar animados e/ou desiludidos. Para os restantes, trata-se de uma proposta recomendada mas não obrigatória.

3 comentários:

Inês Moreira Santos disse...

Excelente crítica, como sempre.
Não estou ainda muito convencida relativamente a este filme. Talvez lhe dê uma hipótese. :)

Cumprimentos cinéfilos :*

Sam disse...

Inês, merece a oportunidade :P

O trailer dá uma ideia mais espalhafatosa do que aquilo que o filme é :)

Obrigado pelas tuas palavras :*

Cumps cinéfilos.

O Narrador Subjectivo disse...

Admito que o Tim Burton tenha poucas obras-primas, mas tem realmente o seu universo, pelo que merece totalmente a sua reputação. A tua crítica descreve quase todos os filmes dele... e, como toda a gente, quero sempre vê-los :) Cumprimentos