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sábado, março 10, 2012

Os 100 Filmes da Vida do Keyzer Soze

Lista revista, repensada e reformulada, acompanhada de comentários por críticos e autores de cinema acerca dos filmes escolhidos.



Para consulta e análise aqui.

sábado, outubro 22, 2011

Cinefilamente Açoriano #3



A exigência cinéfila micaelense de finais dos anos 20, exposta neste artigo de opinião — digno de primeira página! — de impressionante actualidade, sobretudo se tivermos em conta a presente oferta cinematográfica em Ponta Delgada: um multiplex de centro comercial, um cineclube e ocasionais sessões promovidas por diversas entidades.

A grafia é própria de outras épocas, mas o conteúdo não anda muito distante da realidade dos nossos dias...:

«A cinéfilia em Sam Miguel é ainda por emquanto uma função puramente sentimental. Os frequentadores do cinema são ainda somente aqueles que no cine encontram qualquer coisa que os comove ou que os diverte, que os faz rir ou faz chorar, que lhes afaga o coração ou lhes desopila o figado. Mera função sentimental ou orgânica. Frequentadores que busquem no cinema um significado artistico, capaz de sentir o que seja a "sinergia do movimento" como expressão plástica do Belo, são por emquanto raros em Sam Miguel: duas duzias, quando muito. E chego a esta conclusão porque observo, que são principalmente as classes pensantes e eruditas aquelas que menos se interessam entre nós pelo cinema. As classes populares são na verdade mais fiéis á frequencia dos cinematografos.
O cinema, com efeito, é essencialmente entre nós um passa-tempo... dominical. Vae-se ao cinema não pela "fita" ou pelo artista que a ilustra: vae-se ao cinema simplesmente... porque é domingo. Ao domingo qualquer palhaçada de Biscotin ou qualquer americanada de aventuras policiaes pode levar duas mil pessoas ao Coliseu; á quinta feira o trabalho assombroso de Mosjoukine ou de Jannings não leva mais do que cem pessoas ao Micaelense.
»

Agnello Casimiro in O Açoriano Oriental, 26 de Janeiro de 1929, n.º4862, p.1


sábado, outubro 08, 2011

Cinefilamente Açoriano #2



No seguimento de uma matinée-dançante, organizada a 1 de Julho de 1928 no Coliseu Avenida (na foto, hoje Coliseu Micaelense), a gerência da casa de espectáculos decidiu realizar no edifício importantes obras de remodelação.

Os trabalhos foram pormenorizadamente explicados no artigo abaixo citado, incluindo a remodelação da cabine de projecção. "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades"... Porque, honestamente, qual foi a última vez que leram acerca de detalhes técnicos de cabines de projecção num jornal?

«A cabine cinematografica foi tambem dotada de nova instalação para energia e iluminação eléctricas, á qual presidiu a alta competencia do distintissimo Engenheiro Deodato Silva. Acha-se tambem já ali instalada uma nova máquina de projecção da fábrica AEG com arco de espelho e dupla obturação, alimentado por corrente continua por transformação da corrente alterna operada um conversor motor-dinamo dos mesmos fabricantes, o que permite uma projecção mais fixa e nitida, dando ás figuras e aos quadros da tela mais relevo e perfeição.»

in O Açoriano Oriental, 23 de Junho de 1928, n.º4831, p.6


sábado, setembro 24, 2011

Cinefilamente Açoriano #1



A exibição cinematográfica na ilha de São Miguel conheceu os seus primeiros passos, na primeira década do Séc. XX, através do pioneirismo da já extinta Empresa "Santos & Companhia", que em 1908 promoveu sessões constituídas pelas imagens em movimento dos funerais do Rei D. Carlos e do príncipe herdeiro D. Luís Filipe e vistas panorâmicas de cidades europeias e dos Estados Unidos da América.

No antigo Teatro Micaelense (na foto), estas sessões adquiriram, rapidamente, enorme entusiasmo e adesão por parte da sociedade micaelense, cenário que o texto abaixo ilustra de modo pitoresco:

«No proximo domingo realisa-se um espectaculo cinematographico no theatro d'esta cidade pela empreza Santos & C.ª, cuja vontade em bem servir o publico continua a ser manifesta.
(...)
A acertada escolha dos assumptos a expor, já em arte, phantasia, panoramas e factos sensacionaes da actualidade, que a empreza Santos & C.ª tem feito nos seus pedidos ás melhores casas nacionaes e estrangeiras, fornecedoras de fitas de cinematographo, está a comprovar-se pelo bom acolhimento que n'esta epoca o publico tem feito aos seus espectaculos.
Nota-se, de facto, uma evidente tendencia da nossa população para assistir a este passatempo instructivo, muitas vezes alegre, essencialmente educador e economico. E no nosso meio, onde a falta de divertimentos populares e baratos é absoluta, a tentativa d'esta empreza, veiu preencher d'algum modo essa lacuna.
Alem d'isto esta forma de diversão está muito a carater com o nosso modo de ser, que evidentemente se desvia do espalhafato e da bulha. Somos um povo ordeiro e pacato, e por isso buscamos qualquer coisa que nos distraia sem desordem.
Que melhor pois podiamos achar para satisfazer o nosso feitio organico do que estes espectaculos? Nada, a não ser este admiravel evento de Edison.
Depois uma população trabalhadora que moireja uma semana inteira, chega ao domingo ansiosa por qualquer coisa que a distraia, mas sem muito incommodo. É o caso:
Não há etiquetas, e d'ahi o bem estar pela completa despreocupação de nós mesmos. Chega-se ali á bilheteira, compra-se um logar com pouco dinheiro, á hora marcada lá estamos mais ou menos comodamente sentados a ver passar ante os nossos olhos variadissimas scenas, que saltam do jocoso ao tetrico, do futil ao scientifico, do interessante a banal, da phantasia ao real.
E por isso mesmo, porque o nosso espirito varia constantemente, é que estes espectaculos de cinematographo nos prendem.
O publico d'esta cidade já esta affeito a elles e cada vez mais os frequenta como vêmos pela esplendida concorrencia que ultimamente teem tido. Decerto que muito para isto tem concorrido a empreza, que se não poupa a esforços, e que é digna da sua affluencia.
»

in Diário dos Açores, 29 de Outubro de 1909, n.º5510, p.2