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domingo, junho 02, 2013

O Cinema dos Anos 2000: Rapariga com Brinco de Pérola, de Peter Webber




Na relação entre o Cinema e as artes plásticas, RAPARIGA COM BRINCO DE PÉROLA abrange, em doses generosas e equilibradas, a vertente biográfica e a inspiração estética do filme dedicado à vida e obra de um pintor. No caso presente, observamos Johannes Vermeer (Colin Firth), quase falido, a carregar o fardo de um matrimónio de conveniência e que, a partir da encomenda de um dos seus financiadores regulares, acaba por compôr o quadro que muitos consideram a "Mona Lisa do Norte". A identidade da modelo patente em Rapariga com Brinco de Pérola nunca foi revelada nem, tampouco, os detalhes subjacentes à natureza e intimidade daquele olhar que nos mira penetrante e quase displicentemente.

Tais factos permitem ao realizador Peter Webber, a partir do romance homónimo de Tracy Chevalier, desenvolver uma narrativa, em mote de "História (re)inventada", sobre a origem, jogos de poder sociais e amor proibido em torno de um dos quadros mais célebres da pintura holandesa do Século XVII. É, contudo, na abordagem visual que RAPARIGA COM BRINCO DE PÉROLA se destaca, numa direcção de fotografia — assinada pelo português Eduardo Serra — cromaticamente infundida pelos padrões artísticos da época, convertendo todos os fotogramas em quadros vivos, manipulando a cor e luz tal como nos quadros de Vermeer (ou de nomes como Rembrandt e Jan de Bray) e culminando na climática encenação da obra que dá título ao filme: um momento de genuína graça e silenciosa beleza, em que a Rapariga com Brinco de Pérola (encarnada por Scarlett Johansson) surge, fulgurante e inesperadamente, perante os nossos olhos.

No seu género, RAPARIGA COM BRINCO DE PÉROLA é o equivalente, para os anos 2000, da influência e modus operandi de filmes como ANDREI RUBLEV (1966, Andrei Tarkovsky), CARAVAGGIO (1986, Derek Jarman) e VAN GOGH (1991, Maurice Pialat) para o estudo da constante e simultânea aproximação e demarcação do Cinema e Pintura. É a partir dos paradigmas desta última que a câmara de Webber enquadra, ilumina e foca, concebendo, assim, um trabalho cinematográfico metódico na exposição de sentimentos através da imagens, sem ser demasiado palavroso ou em dependência das suas personagens. RAPARIGA COM BRINCO DE PÉROLA almeja ombrear com outros filmes repletos de CGI onde, aqui, o efeito visual é a própria luz.

por Samuel Andrade.

Elenco
. Colin Firth (Johannes Vermeer), Scarlett Johansson (Griet), Tom Wilkinson (Pieter van Ruijven), Cillian Murphy (Pieter), Judy Parfitt (Maria Thins), Essie Davis (Catharina Bolnes)


Palmarés
. Prémios da Academia Europeia: Melhor Fotografia (Eduardo Serra)
. Festival Internacional de San Sebastián: Melhor Fotografia (Eduardo Serra), Prémio C.I.C.A.E. (Peter Webber)
. Círculo de Críticos de Los Angeles: Melhor Fotografia (Eduardo Serra), Prémio Nova Geração (Scarlett Johansson)



sexta-feira, dezembro 03, 2010

"What are your Oscar chances?" #6

THE KING'S SPEECH



A história da súbita ascensão ao trono pelo Rei George VI, e da influência que um terapeuta da fala exerceu na sua imagem de monarca digno e prezado, rapidamente conquistou a atenção dos "vaticinadores" de candidatos aos Óscares.

O seu percurso triunfante pelos circuitos dos festivais internacionais (sobretudo em Telluride e Toronto), o constante word-of-mouth sobre o desempenho de Colin Firth e de como se vai fazer "justiça" à sua derrota, no ano passado, por UM HOMEM SINGULAR e majestosos valores de produção na sua reconstituição histórica, são importantes fundamentos para que THE KING'S SPEECH esteja na linha da frente dos futuros "óscarizados".

Análise factual:

Desempenho de bilheteira: Perfazendo apenas uma semana de exibição comercial e em circuito muito limitado (quatro salas nos EUA), o filme totaliza até ao dia 01 de Dezembro pouco mais de 450 mil dólares(1). Não obstante esse facto, detém o maior retorno financeiro por sala de 2010(2).

Recepção crítica: Praticamente irrepreensível, registando 93% de apreciação positiva no Rotten Tomatoes(3), num processo que tem elogiado, incessantemente, a interpretação de Colin Firth.

Avaliação de cenários:

Cenário provável: As nomeações para as estatuetas principais (Filme, Realizador, Actor Principal e Argumento Adaptado) aparentam ser uma garantia. Geoffrey Rush e Helena Bonham-Carter, nas interpretações secundárias, também podem ser certezas. Por fim, é expectável um avultado número de indicações em categorias técnicas.

Cenário de sonho: Embora não seja frontalmente admitido, THE KING'S SPEECH posiciona-se como um dos favoritos ao Óscar de Melhor Filme e, se tal acontecer, seria mais que perfeito. Por outro lado, o domínio de vitórias nas interpretações ou converter-se num dos títulos mais premiados, resultaria numa cerimónia bastante positiva.

Cenário a evitar: Como não se perspectiva detrimento nas nomeações, o pior desempenho seria não ganhar qualquer Óscar.

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Consideram que THE KING'S SPEECH não gaguejará no momento da verdade? Teremos aqui o filme do ano? Partilhem a vossa opinião.