... e a poucas horas da cerimónia, chegam as habituais previsões do Keyzer Soze's Place no que toca aos vencedores da "noite mais longa do Cinema".
Analisados os nomeados, seguem-se, sem mais demoras, as minhas considerações (ou previsões, como preferirem) relativamente aos veredictos finais:
Melhor Filme:
Quem irá ganhar?: ARGO, apesar da ausência de Ben Affleck entre os nomeados para Realizador. Quem poderá surpreender?: LINCOLN, caso a Academia decida coroar Spielberg com o Oscar de Melhor Realizador, ou GUIA PARA UM FINAL FELIZ, na eventualidade de uma (muito) bem sucedida campanha por parte de Harvey Weinstein. Quem deveria ganhar?: o superficial e, simultaneamente, complexo espectáculo de Cinema de DJANGO LIBERTADO ou a terna imaginação visual de BESTAS DO SUL SELVAGEM.
Melhor Realizador:
Quem irá ganhar?: Steven Spielberg, caso os principais prémios da noite pertençam a LINCOLN. Quem poderá surpreender?: Ang Lee, por A VIDA DE PI. Se a tal "magia Weinstein" produzir frutos, David O. Russel, por GUIA PARA UM FINAL FELIZ, poderá arrecadar a estatueta. Quem deveria ganhar?: Steven Spielberg, por LINCOLN, um dos trabalhos mais densos e complexos da sua carreira.
Melhor Actor Principal:
Quem irá ganhar?: Daniel Day-Lewis, a caminho do seu terceiro Oscar, por o LINCOLN. Quem poderá surpreender?: Hugh Jackman, por OS MISERÁVEIS, e Bradley Cooper, por GUIA PARA UM FINAL FELIZ poderão converter o seu carisma e simpatia em votos da Academia. Quem deveria ganhar?: Joaquin Phoenix, no impressionante exercício de tumulto interior demonstrado em O MENTOR.
Melhor Actriz Principal:
Quem irá ganhar?: Norte-americana e popular, o Oscar deverá ser entregue a Jennifer Lawrence por GUIA PARA UM FINAL FELIZ. Quem poderá surpreender?: Emmanuelle Riva, por AMOR, com tanto favoritismo quanto Lawrence. Quem deveria ganhar?: A assombrosa composição de Emmanuelle Riva, em AMOR, seria o Oscar mais merecido da noite.
Melhor Actor Secundário:
Quem irá ganhar?: Tommy Lee Jones, contido mas inesquecível em LINCOLN. Quem poderá surpreender?: Christoph Waltz, por DJANGO LIBERTADO, caso a Academia ignore a proximidade da sua vitória em 2009. Quem deveria ganhar?: Philip Seymour Hoffman, ambíguo e intimidante em O MENTOR.
Melhor Actriz Secundária:
Quem irá ganhar?: Uma interpretação muito pessoal de I Dreamed a Dream valerá o prémio a Anne Hathaway, em OS MISERÁVEIS. Quem poderá surpreender?: Sally Field, caso a cerimónia favoreça LINCOLN. Quem deveria ganhar?: O corajoso desempenho de Helen Hunt, por SEIS SESSÕES, ausente de preconceitos e desafiadora da própria imagem da actriz no seio de Hollywood.
Nota final: este ano, anúncio dos vencedores e respectivas observações serão acompanhadas em colaboração com o filmSPOT. Uma boa noite dos Oscars para todos(as)!
...a um dia da cerimónia e antes das apostas finais, é altura de invocar os filmes e os nomes que (na opinião do Keyzer Soze) a Academia "esqueceu" nas nomeações da sua 85ª edição.
Eis mais um ano com muitas e notáveis omissões para a cerimónia do próximo Domingo. Portanto, não custa muito listar os especiais casos de:
Profunda e desencantada metáfora à História dos Estados Unidos, O MENTOR é, igualmente, uma das obras esteticamente mais interessantes das últimas décadas à qual a Academia não foi capaz de proporcionar atenção pública com, no mínimo, uma nomeação para o Oscar mais sonante da próxima noite dos Oscars. Rodado em fulgurante 70mm, desenvolvendo o seu argumento e temática através da imagem, banda sonora e atmosfera, o facto de Paul Thomas Anderson (Melhor Realizador), Mihai Malaimare, Jr. (Melhor Fotografia) e Jonny Greenwood (Melhor Banda Sonora) não estarem nomeados constitui um irónico decréscimo à qualidade do lote de candidatos a um Oscar este ano.
A narrativa de DJANGO LIBERTADO é como Quentin Tarantino: respira Cinema em cada centímetro de película. Homenagem a diversos géneros secundários (o Western Spaghetti, o blaxpoitation, o Hollywood Classical Style, etc.) da Sétima Arte, revela-se entretenimento e polémico em doses generosas e susceptível de múltiplas análises morais que, talvez, nunca foram pretendidas pelo cineasta. A Academia não se "seduziu" pelo virtuosismo de Tarantino.
A estética do cinema de acção em função da vincada postura autoral de Kathryn Bigelow já não surpreende quem acompanha a sua carreira. A narrativa, emocionalmente seca e moralmente ambígua, converteu 00:30 A HORA NEGRA num dos filmes do ano, ornada por uma meia hora final de intensa proficiência técnica. Contudo, nenhum desses atributos convenceu os votantes da Academia, impedindo Bigelow de repetir o sucesso de 2009 (por ESTADO DE GUERRA).
John Hawkes, por SEIS SESSÕES, para Melhor Actor Principal
Não é surpresa que os Oscars têm demonstrado, em anos recentes, uma progressiva alteração de tendências e gostos. A prová-lo, temos a ausência de John Hawkes e a sua interpretação de um ser humano extremamente limitado fisicamente — ou o género de papéis que, noutros tempos, figurava quase obrigatoriamente entre os nomeados e (basta recordar o exemplo de Daniel Day-Lewis por O MEU PÉ ESQUERDO) vencedores. Neste caso, o cumprimento dessa "quota" justificava-se inteiramente, ainda para mais quando comparadas com a mediania nomeada de Denzel Washington (FLIGHT — DECISÃO DE RISCO) e Bradley Cooper (GUIA PARA UM FINAL FELIZ).
Jean-Louis Trintignant, por AMOR, para Melhor Actor Principal
O "renascido" Jean-Louis Trintignant demonstrou, no filme de Michael Haneke, argumentos de peso para que registássemos a sua presença na cerimónia do próximo Domingo. Repentino e enigmático retrato, quase extremo, de dedicação matrimonial, bateu forças com uma das interpretações femininas mais arrebatadoras de 2012 (Emmanuelle Riva, uma das favoritas ao Oscar de Melhor Actriz) e desempenhou alguns dos momentos humanos (ou humanistas, dependendo da perspectiva) mais inesquecíveis do Cinema Europeu recente.
Samuel L. Jackson, por DJANGO LIBERTADO, para Melhor Actor Secundário
Enquanto Stephen, o «negro mais racista da História do Cinema» (as palavras são do próprio Jackson), o actor quase desaparece nas nuances psicológicas — definitivamente, um dos principais pontos de discórdia no frenesim mediático em torno da suposta imoralidade racial do filme —, transformação física e frases icónicas do personagem. Depois de lhe ter negado o Oscar por PULP FICTION, a Academia volta a impedir a consagração de Samuel L. Jackson.
As hipóteses de nomeação do argumento assinado por Joss Whedon e Drew Goddard seriam, indiscutivelmente, um "tiro no escuro". No entanto, há que realçar o poder de subversão para o género do cinema de terror (cada vez mais previsível e a atravessar um longo período de défice qualitativo) de A CASA NA FLORESTA, representando um excelente motivo para a Academia reconhecê-lo como um dos filmes mais criativos, delirantes e "metaficcionais" de 2012.
Raramente um documentário conseguiu obter indicação para Melhor Fotografia (NAVAJO, o último filme documental a ser nomeado nesta categoria, data de 1952). Contudo, a profundidade e dimensão da realidade captada (em 70mm) pelas objectivas de SAMSARA tornam-no num dos grandes feitos visuais do ano transacto e inteiramente merecedor de concorrer à estatueta.
Dizer "a realidade é mais estranha do que a ficção" parece adequar-se perfeitamente a THE IMPOSTER. Substancialmente mais sinistro e intrigante que muito do cinema de suspense produzido anualmente, a sua nomeação contribuiria para a acepção do Oscar para Melhor Documentário enquanto prémio realmente determinado em assumir, cinematograficamente, a diversidade e surrealismo existentes no mundo em que vivemos. Uma ausência tão surpreendente quanto os factos apresentados pelo filme.
O vencedor do Leão de Ouro no último Festival de Veneza é, igualmente, a obra mais comercial de toda a filmografia do sul-coreano Kim Ki-duk e que, na sua estrutura narrativa básica (história de um reencontro mãe-filho, com o protagonista a encontrar uma espécie de redenção pessoal no fim), poderia ajudar PIETÀ a arrecadar votos suficientes para uma nomeação. Sonegado pela Academia, é uma lembrança da total ausência, este ano, do cinema asiático no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
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E as vossas opiniões? São, como sempre, muito bem-vindas.
Para assinalar a 85ª entrega dos Oscars da Academia (que se realizará no próximo Domingo), o The Hollywood Reporter reuniu 16 nomes — veteranos e caloiros, nomeados e vencedores — para uma sessão fotográfica que homenageia as oito décadas e meia dos Academy Awards:
Naomi Watts, nomeada para Melhor Actriz por O IMPOSSÍVEL e Eva Marie Saint, galardoada em 1954 como Melhor Actriz Secundária por HÁ LODO NO CAIS.
Christopher Walken, Melhor Actor Secundário em 1978 por O CAÇADOR e Philip Seymour Hoffman, vencedor de um Oscar por CAPOTE e nomeado pelo seu trabalho em O MENTOR.
Quvenzhané Wallis, a mais jovem actriz de sempre a ser nomeada ao Oscar pela sua performance em BESTAS DO SUL SELVAGEM e Marlee Matlin, a galardoada mais jovem da Academia por FILHOS DE UM DEUS MENOR.
Steven Spielberg, vencedor de três Oscars e nomeado este ano por LINCOLN e Benh Zeitlin, nomeado para Melhor Realizador por BESTAS DO SUL SELVAGEM.
Michael Moore, cujo BOWLING FOR COLUMBINE foi considerado como Melhor Documentário em 2002 e Emad Burnat e Guy Davidi, em busca de uma estatueta por FIVE BROKEN CAMERAS.
O compositor Thomas Newman e o sonoplasta Greg P. Russell: entre os dois, somam 27 nomeações mas nenhuma estatueta. Procuram o seu primeiro Oscar, este ano, por 007 — SKYFALL.
Este foi mesmo o "ano da nostalgia". E não só pelo facto de O ARTISTA e A INVENÇÃO DE HUGO, duas obras imbuídas de um profundo espírito consagratório aos primeiros anos da Sétima Arte, terem arrecadado dez estatuetas, cinco para cada um.
A ausência de um sentimento de novidade (nem se fez sentir o "apelo" a uma franja mais jovem da audiência, não obstante Justin Bieber surgir a certa altura...) na cerimónia da 84ª entrega dos Óscares da Academia começou logo na prestação de Billy Crystal como anfitrião — pela nona vez, tal como o próprio fez questão de frisar assim que pisou o palco —, a repetir a sua habitual e já saudosa routine mas sem a "chama" nem a vitalidade de outros tempos. Talvez Jack Nicholson devesse mesmo ter comparecido à cerimónia...
E por falar em repetição, o mesmo substantivo pode ser aplicado aos resultados finais deste ano. Os vencedores foram todos os esperados e nem mesmo nas denominadas categorias técnicas se pode falar em surpresas. Assim, os principais vencedores foram:
. Melhor Filme: O ARTISTA
. Melhor Realizador: Michel Hazanavicius, por O ARTISTA
. Melhor Actor Principal: Jean Dujardin, por O ARTISTA
. Melhor Actriz Principal: Meryl Streep, por A DAMA DE FERRO
. Melhor Actor Secundário: Christopher Plummer, por ASSIM É O AMOR
. Melhor Actriz Secundária: Octavia Spencer, por AS SERVIÇAIS
. Melhor Filme Estrangeiro: UMA SEPARAÇÃO (Irão)
. Melhor Filme de Animação: RANGO
A lista detalhada dos vencedores pode ser consultada neste endereço.
... e a poucas horas da cerimónia, chegam as habituais previsões do Keyzer Soze's Place no que toca aos vencedores da "noite mais longa do Cinema".
Analisados os nomeados, seguem-se, sem mais demoras, as minhas considerações (ou previsões, como preferirem) relativamente aos veredictos finais:
Melhor Filme:
Quem irá ganhar?: O ARTISTA, "rei e senhor" de quase todas as atribuições de prémios realizadas nos últimos meses. Quem poderá surpreender?: OS DESCENDENTES e A INVENÇÃO DE HUGO, caso a Academia dê primazia a cineastas (Alexander Payne e Martin Scorsese, respectivamente) e produções de cariz norte-americano. Quem deveria ganhar?: o impressionante tributo à magia do Cinema de A INVENÇÃO DE HUGO ou a ambição visual de Terrence Malick por A ÁRVORE DA VIDA.
Melhor Realizador:
Quem irá ganhar?: Michel Hazanavicius, em consonância com a previsível noite triunfante de O ARTISTA. Quem poderá surpreender?: Martin Scorsese, por A INVENÇÃO DE HUGO. O Globo de Ouro, nesta categoria, já lhe pertence. Quem deveria ganhar?: Martin Scorsese, por a A INVENÇÃO DE HUGO, seria uma das estatuetas mais justas da cerimónia.
Melhor Actor Principal:
Quem irá ganhar?: Jean Dujardin, por o O ARTISTA, é a aposta mais segura. Quem poderá surpreender?: George Clooney, por OS DESCENDENTES, poderá converter o seu carisma e simpatia em votos da Academia, Quem deveria ganhar?: Gary Oldman, não só pelo impressionante exercício de contenção demonstrado em A TOUPEIRA, como também seria o devido tributo a um percurso cinematográfico incomparável.
Melhor Actriz Principal:
Quem irá ganhar?: Tudo indica que seremos testemunhas do terceiro Óscar da carreira de Meryl Streep, por A DAMA DE FERRO. Quem poderá surpreender?: Michelle Williams, por A MINHA SEMANA COM MARILYN, caso a Academia decida premiar alguém pela primeira vez — já para não falar de ter, no "bolso", o Globo de Ouro, um Spirit Award e uns quantos prémios importantes de crítica... Quem deveria ganhar?: A digna e honesta empregada de Viola Davis constituiu uma das melhores interpretações femininas de 2011. Se o apelo popular e comercial de AS SERVIÇAIS pesar, Davis pode muito bem tornar-se na segunda actriz negra a arrecadar a estatueta de Melhor Actriz.
Melhor Actor Secundário:
Quem irá ganhar?: Christopher Plummer, pelo seu sentido e inesquecível desempenho em ASSIM É O AMOR. Quem poderá surpreender?: Max von Sydow, por EXTREMAMENTE ALTO, INCRIVELMENTE PERTO. A sua nomeação representou meia surpresa, e uma homenagem de carreira de "última hora" não é acontecimento inusitado em cerimónias de Óscares. Quem deveria ganhar?: Sem dúvidas, Christopher Plummer, por ASSIM É O AMOR.
Melhor Actriz Secundária:
Quem irá ganhar?: A "irascível" Octavia Spencer, em AS SERVIÇAIS, assume a pole position. Quem poderá surpreender?: Bérénice Bejo, caso a noite seja inteiramente dominada por O ARTISTA. Quem deveria ganhar?: A vitória de Jessica Chastain, por AS SERVIÇAIS, seria um justo prémio pelo retumbante ano da actriz ruiva mais solicitada do momento.
Nota final: este ano, anúncio dos vencedores e respectivas observações podem ser acompanhadas via Twitter. Uma boa noite dos Oscars para todos(as)!
... e a um dia da cerimónia, o Keyzer Soze's Place recapitula os nove nomeados para Melhor Filme, invocando um momento memorável de cada um desses títulos.
Poderá um mero excerto caracterizar a obra inteira? De forma alguma, a intenção aqui é apenas recordar o ambiente de cada um destes filmes — porque a memória do Cinema também se aplica ao "recente" e sempre fica a possibilidade de atiçar a curiosidade de quem adiou a visualização de algum candidato à principal estatueta dos Óscares.
... e a dois dias da cerimónia, é altura de invocar os filmes e os nomes que a Academia "esqueceu" nas nomeações da sua 84ª edição.
É difícil recordar outro ano com tantas notáveis omissões como o relativo à cerimónia do próximo Domingo. Portanto, não custa muito ao Keyzer Soze listar os especiais casos de:
Entre o retrato de um anti-herói com reminiscências de TAXI DRIVER (e o filme de Scorsese foi candidato à principal estatueta da cerimónia de 1976) e a pura e intensa estética narrativa do Século XXI, Nicolas Winding Refn concebeu um dos principais fenómenos de culto cinematográfico do ano transacto — estatuto que a Academia teima em não pôr à prova face aos títulos habitualmente oscarizáveis.
A Academia sempre foi um paradigma de aversão a filmes de índole pessimista, e a nova "vítima" dessa realidade é este retrato da provável degeneração mental de um indivíduo e implacável metáfora ao espírito da Humanidade contemporânea. Não obstante a apreciação crítica e prémios dedicados ao cinema indie norte-americano recebidos, TAKE SHELTER estará absolutamente ausente, no próximo Domingo, do Kodak Theater.
Michael Fassbender, por VERGONHA, para Melhor Actor Principal
Fassbender entra literalmente de corpo e alma na pele de Brandon, um homem de sucesso viciado em sexo. Sem qualquer pudor, é extraordinária a entrega do actor, mostrando na perfeição a necessidade de prazer (onde não faltam as cenas de sexo e masturbação ou a nudez frontal do protagonista), e, ao mesmo tempo, o desespero que o invade ao deparar-se com a dificuldade em lidar com a "doença", a vergonha que sente e a quase total incapacidade de fazer algo para a ultrapassar. *
Michael Shannon, por TAKE SHELTER, para Melhor Actor Principal
Ninguém personifica melhor a imagem do "vulcão adormecido" como Shannon, ou não fosse ele um dos mais intensos actores a pulular, actualmente, por produções independentes e séries de televisão norte-americanas. Capaz de transportar o espírito inteiro de um filme sobre os seus ombros — as considerações feitas acima sobre TAKE SHELTER poderiam muito bem ser-lhe atribuídas —, a sua composição que balança, admiravelmente, pura contenção e violento clamor, era digna de reconhecimento pela Academia.
Lembram-se do surpreendente Óscar recebido por Swinton, em 2008, pela sua mediana performance no ainda mais mediano MICHAEL CLAYTON? Afinal, parece ter-se tratado de uma estatueta tão prematura que até é capaz de vedar a presença de uma das interpretações mais assombrosas, inesquecíveis e psicologicamente ambíguas de 2011 do "lote" de nomeadas para Actriz Principal...
...e a igual ausência de Olsen, responsável pelo primeiro papel principal com maiores índices de desordem, inquietação e devastação psicológica dos últimos anos, prova que a Academia não está receptiva a actores/actrizes capazes de transmitir traumas com um simples olhar, preferindo dar primazia à androginia via caracterização (Glenn Close) ou expressa por tatuagens e piercings (Rooney Mara).
Todas as apostas, prémios e elogios de crítica indicavam que estávamos perante o principal concorrente de Christopher Plummer, o vencedor "anunciado" nesta categoria por ASSIM É O AMOR. A ausência do gangster mais sádico e marcante de 2011 assume-se como um dos maiores choques que a Academia proporcionou nos últimos tempos, mas vale-nos o bom humor do actor para consolar as nossas "mágoas cinéfilas"...
Praticamente sonegado de todas as atribuições de prémios, a Academia ganharia (e muito!) em capacidade de surpreender caso nomeasse esta brilhante e sincera versão de Ernest Hemingway, que encerra todo o génio criativo, inquietação pessoal e fúria de viver que associamos ao escritor norte-americano. Há monólogos que, por si só, deveriam conceder indicação automática a um actor...
Nuri Bilge Ceylan captura o existencialismo do argumento através da exibição da natureza, simultaneamente irreal e mundana, em que o filme se contextualiza e numa subtil "explicação" das personagens. Um dos trabalhos mais complexos e brilhantes produzidos em língua não-inglesa que merecia, no mínimo, divulgação por intermédio de uma indicação ao Óscar.
Há critérios e regras da Academia que, por mais explicações que leia, não explicam a ausência de um dos documentários mais fascinantes e absorventes do ano transacto. Exemplo vivo do poder e dinamismo dramático das imagens de arquivo, elaborado com o ritmo e emoção de um épico histórico, uma história de motores, máquinas e política desportiva que revela a espantosa humanidade de Ayrton Senna.
Dario Marianelli, por JANE EYRE, para Melhor Banda Sonora
Embora o seu nome já não seja desconhecido entre quem acompanha as cerimónias de entrega dos ÓScares — arrecadou uma estatueta pela sua composição para EXPIAÇÃO —, Marianelli apresentou uma das partituras mais adequadas ao espírito de um clássico vitoriano da literatura, capturando todo o seu carácter gótico e romântico. Tudo isto e a audição do melhor solo de violino desde A LISTA DE SCHINDLER justificavam a nomeação.
E as vossas opiniões? São, como sempre, muito bem-vindas.
[* agradecimento especial à Inês Moreira Santos, do Espalha-Factos, por esta apreciação.]
Keyzer Soze é um personagem do filme de 1995, OS SUSPEITOS DO COSTUME.
Soze era o líder de uma secreta organização criminosa; a sua impiedosa personalidade e obscura influência granjeou-lhe um estatuto quase mítico entre agentes da lei e gangsters.
O seu papel no supreendente twist final do filme tornou-se num dos ícones da cultura popular dos anos 90.