Naquela que deve ter sido a cerimónia dos Óscares mais "célere" de que há memória, a Academia consagrou
ESTE PAÍS NÃO É PARA VELHOS como o Melhor Filme de 2007, "recheando" os irmãos Coen com seis estatuetas, três para cada um dos cineastas — Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Argumento Adaptado.

Para além da sua curta duração quando comparado com anos anteriores (sem dúvida, a persistência da sombra da recém-terminada greve dos argumentistas), uma das primeiras conclusões a tecer é o facto de os quatro vencedores nas categorias de representação serem europeus, evidenciando uma noite pouco 'à Hollywood' e revelando conformidade com o "cosmopolitismo" cada vez mais frequente nos Óscares.
Nos prémios masculinos, as estatuetas douradas foram para os principais favoritos, nomeadamente Daniel Day-Lewis por
HAVERÁ SANGUE e Javier Bardem por ESTE PAÍS NÃO É PARA VELHOS.


As surpresas da noite ficaram reservadas para as categorias femininas, indiscutivelmente as mais imprevisíveis da noite. Marion Cotillard, pela sua transfiguração em Edith Piaf por
LA VIE EN ROSE arrecadou Melhor Actriz Principal (batendo as favoritas Julie Christie e Ellen Page) e Tilda Swinton levou para Inglaterra o prémio de Actriz Secundária pelo drama corporativo
MICHAEL CLAYTON.


Entre as categorias menos "mediáticas", realço a vitória de
JUNO em Melhor Argumento Original e a atribuição do primeiro Óscar a Robert Elswit pela Fotografia de HAVERÁ SANGUE.
RATATUI confirmou o seu estatuto de favorito ao galardão de Melhor Filme de Animação e imprescindível destaque para
ULTIMATO, um dos grande vencedores da noite por vencer em todas as categorias para que estava nomeado (Montagem, Som e Efeitos Sonoros).

Quanto à cerimónia em si, pouco resta acrescentar. Jon Stewart esteve seguro, mas discreto, no seu papel de anfitrião da 80ª Cerimónia dos Óscares, a qual se pautou pelo ânimo leve revelado pelos presentes — definitivamente, a greve dos argumentistas que atormentou a indústria nos últimos três meses já é coisa do passado. Contudo, Jon Stewart foi capaz de vociferar uma das melhores piadas (política, obviamente!) da noite: «
Normally when you see a black man or a woman president, an asteroid is about to hit the Statue of Liberty», numa contra-referência aos candidatos Democratas à Casa Branca e o
plot de ARMAGEDDON.