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quarta-feira, janeiro 30, 2013

Fevereiro na Cinemateca Portuguesa



RETRATOS DE INFÂNCIA segundo John Ford, Vittorio de Sica, Sam Wood, Jean Renoir, Volker Schlöndorff, Francis Ford Coppola, Steven Spielberg, Tim Burton, Albert Lamorisse, Jacques Demy, Frederick Wiseman e Nagisa Oshima. Entre muitos outros.

Programação completa.

domingo, abril 22, 2012

Críticas da Semana

Breve resumo dos principais filmes visualizados esta semana:

. ÉDEN
. CRAZY HORSE
. INTO THE ABYSS
. VOL SPÉCIAL

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. ÉDEN (2011), de Daniel Blaufuks



Um olhar sobre as décadas de 40 e 50 — a idade de ouro da exibição cinematográfica em Cabo Verde — através do imaginário contemporâneo de uma sala de cinema abandonada.



Memórias de arcos voltaicos desactivados, ruínas de um ecrã onde há muito não se projectam imagens em movimento e vestígios de produções cinematográficas na ilha de São Vicente movidas por paixão ao Cinema são invocados pelo magnífico e pertinente olhar documentarista de Daniel Blaufuks, elaborando assim um genuíno tratado sobre a influência da Sétima Arte nas vivências de povos arquipelágicos ("o mar e o Cinema eram a única forma de sair da ilha", tal como se lê no title card com que o filme arranca) e de uma forma de encarar o grande ecrã que já não se experiencia actualmente.

Pela nostalgia que representa, sem nunca cair em facilitismos emocionais, é obrigatório para amantes de cinema, seja ele o de hoje ou o de ontem.

. CRAZY HORSE (2011), de Frederick Wiseman



Filmado ao longo de dez semanas, permite um acesso total ao perfeccionismo, à exigência e à elegância, que se escondem por detrás da imagem do lendário espectáculo Crazy Horse.



A qualidade sensual e criativa dos espectáculos produzidos no cabaré mais famoso do mundo não constitui, mesmo para quem nunca o visitou, particular novidade, mas a câmara de Frederick Wiseman não deixa de a captar (excelente direcção de fotografia de John Davey, colaborador de longa data do realizador) e de se seduzir por ela.

Contudo, estamos perante um registo que nunca abdica do mero estatuto de comentário visual a performances que almejam — de acordo com os seus directores artísticos — "celebrar uma noção quase platónica de beleza feminina e expressão autónoma do erotismo da mulher". Mas a desglamourização do Crazy Horse, patenteada na sequência que filma as audições de bailarinas, nas quais privilegia-se mais a curvatura do rabo do que o talento para a dança das candidatas, descortina o interessante caminho que este filme poderia e, em prol de alguma astúcia documental, trilhar.

. INTO THE ABYSS (2011), de Werner Herzog



As conversas com Michael Perry, condenado à morte, e com os afectados pelo seu crime, ilustram uma análise das razões porque as pessoas — e o Estado — matam.



Subjacente ao seu tom filosófico consistente e, a espaços, pungente, reside uma observação mordaz ao peso que as relações familiares e circunstância social exercem na construção da auto-estima de um indivíduo — e não necessariamente a do condenado à morte salientado em INTO THE ABYSS, a quem Herzog cedo confessa que, e embora sendo um opositor da pena capital, não ser obrigado a simpatizar.

É aqui que se depreende a principal intenção do documentário: mais do que um manifesto "anti-corredor da morte", está a contundente análise do falhanço das sociedades modernas, onde se assassina por móbiles absolutamente insignificantes, as tragédias geram naturezas diferentes de humanismo e o humor tem tanto de inesperado como de confrangedor. De visualização recomendada.

. VOL SPÉCIAL (2011), de Fernand Melgar



Enquanto aguardam deportação da Suíça, imigrantes ilegais ficam encarcerados no centro de detenção Frambois, onde podem permanecer durante anos até lhes ser proporcionada a viagem de regresso ao país de origem. Quando se recusam a partir, são algemados e conduzidos à força para o interior de um avião. Ou seja, um "voo especial".



Retrato pragmático e austero de frieza burocrata onde menos se esperaria — sim, esta é a Suíça da Cruz Vermelha e da sua apregoada Democracia Directa —, capta, em pormenor e rigor, os dramas, histórias e personalidades singulares de um grupo de detidos de Frambois.

Apesar desse cuidado, é de lamentar que Melgar não tenha abordado os contornos político-sociais da realidade apresentada. Muito se poderia dizer, documentalmente, sobre os prós e contras de sufrágios populares (a criação destes "voos especiais" é fruto de um referendo nacional) ou da dúbia mecânica diplomática inerente a estas deportações. Uma timidez que penaliza os propósitos de VOL SPÉCIAL. Mas, "filme fascista" ou não, merece ser conhecido.

segunda-feira, abril 16, 2012

Agenda Cinematográfica

:: 9500 CINECLUBE DE PONTA DELGADA ::

CRAZY HORSE (2011), de Frederick Wiseman



Inaugurado na década de 50, o CRAZY HORSE converteu-se num lugar imperdível da noite parisiense, quase tão icónico na capital francesa como a Torre Eiffel ou o Louvre.

Durante 10 semanas, o aclamado cineasta FREDERICK WISEMAN teve acesso aos bastidores do CRAZY HORSE e é através do seu olhar que nos atrevemos a entrar neste intrigante mundo e a descobrir o que está por detrás do sucesso deste cabaret, no momento em que se desvenda um novo espectáculo.

A sedução, a elegância, o perfeccionismo, um horário exigente (com dois espectáculos por dia, três ao sábado, todos os dias da semana)...



[Hoje, pelas 21h30, na Sala 2 do Cine Solmar.]