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domingo, outubro 09, 2011

Críticas da Semana

Breve resumo dos principais filmes visualizados esta semana:

. EM INGLÊS, S.F.F.
. RED STATE
. COLOMBIANA
. LIFE DURING WARTIME

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. EM INGLÊS, S.F.F. (2009), de Armando Iannucci

O Presidente dos EUA e o Primeiro-Ministro Britânico desejam guerra no Médio Oriente. Mas nem todos concordam que um conflito armado será a melhor opção...



Naquela que é a melhor comédia britânica desde OU TUDO OU NADA (1997), as "baterias" da total sátira política estão apontadas às duas nações que colocaram Afeganistão e Iraque a ferro e fogo militar: os decisores são caricaturas de poder, os secretários de estado pró e anti-guerra possuem a mesma dose de cinismo e incompetência, os assessores políticos movem-se ao sabor do vento e o verdadeiro marionetista é o inconveniente, obsceno e desbocado director de comunicações do Primeiro-Ministro Britânico (fabuloso Peter Capaldi, a quem o filme pertence do início ao fim).

EM INGLÊS, S.F.F. (a propósito, que péssima tradução...) não é uma comédia negra que, no fim, deixe o espectador a remoer qualquer lição de moral — excepto se esta for a compreensão de que os destinos mundiais estão na mão de autênticos dementes. Mas, apesar do exagero das situações e num estilo tipicamente BBC, poucos serão os que não acreditam ser assim, na grande maioria das vezes, que as decisões são tomadas na "mais alta esfera política". De visualização obrigatória.

. RED STATE (2011), de Kevin Smith

Numa pequena cidade dos EUA, três adolescentes (Michael Angarano, Nicholas Braun e Ronnie Connell) recebem um convite para sexo sem compromissos com uma mulher mais velha (Melissa Leo). Mas, em vez disso, deparam-se com um grupo de fundamentalistas que alimenta intenções sinistras.



Os padrões da moralidade conservadora norte-americana continuam a afigurar-se, para nós europeus, como um autêntico mistério. E Kevin Smith atreve-se (e bem) a subverter tanto essas noções como as de sexo, dever moral e crime sem castigo na fabulosa primeira hora de RED STATE, sem receios de acelerar o plot point e provando que Michael Parks (assombroso no papel de um carismático e homofóbico líder religioso) já merece reconhecimento para além do estatuto de regular presença nas mais estranhas produções indie.

Reinventando-se como cineasta, Smith concebe uma realista atmosfera de medo e carnificina, sem pejo de abusar da snorricam ou de uma eficaz montagem dinâmica. No entanto, lamenta-se que, existindo enorme potencial para, por exemplo, arquitectar uma visão satírica das tragédias de Jonestown ou de Waco, prefere uma solução simplista e desastrada de paranóia e inconsciência política. Mas tal não minora os aspectos positivos do filme. A ver descomprometidamente.

. COLOMBIANA (2011), de Olivier Megaton

Com apenas nove anos, Cataleya (Zoe Saldana) assiste ao assassinato dos seus pais. Depois de jurar vingança, vai viver para os EUA com a única família que lhe resta: o seu tio Emilio Restrepo (Cliff Curtis), um homem ligado ao submundo do crime e que lhe proporcionará o treino necessário para que se transforme numa assassina a soldo.



Muito inspirado em obras como NIKITA — DURA DE MATAR (1990) e LÉON, O PROFISSIONAL (1994) — ou não fosse o argumento co-assinado por Luc Besson —, COLOMBIANA não traz novidades significativas ao género da vingança no feminino. A visão de Zoe Saldana em trajes menores, armada ao nível de forças armadas e com uma sagacidade que até lhe permite (literalmente) nadar entre tubarões, é interessante visualmente mas não almeja obter os requisitos mínimos em termos de ligação com o espectador.

Estamos perante um competente filme de acção (o mesmo adjectivo pode-se aplicar à realização de Megaton), onde o relativo entusiasmo só surge nos últimos quinze minutos e permanece a sensação de que a aposta numa estética B movie ter-lhe-ia sido tremendamente favorável. Forte candidato a exibição futura, durante as tardes de fim-de-semana, num canal generalista perto de si.

. LIFE DURING WARTIME (2009), de Todd Solondz

Amigos, familiares e amantes lutam em busca de amor, perdão e sentido num mundo conturbado.



O cinema de Todd Solondz é composto de um ataque implacável às fundações da classe média americana, povoado por personagens dominados pela frustração, ansiedade e uma incapacidade de comunicação pacífica. Nesta sequela (quase) não oficial do brilhante e estarrecedor HAPPINESS — FELICIDADE (1998), estes temas predilectos são retomados em todo o seu fulgor e constituirão, sem dúvida, uma óptima surpresa para o espectador desconhecedor da obra de Solondz.

Contudo, para os mais "informados", HAPPINESS — FELICIDADE e LIFE DURING WARTIME são, tematicamente, o mesmo filme — excepto com actores diferentes, no que aqui se revela como a decisão criativa mais interessante, "obrigando-nos" a rever o título de 1998 e oferecendo interessantes transformações em algumas das personagens (mais notavelmente Allen, que do WASP obeso interpretado por Philip Seymour Hoffman surge agora representado pelo negro Michael Kenneth Williams, ou o Andy de Jon Lovitz na figura de um fantasmagórico Paul Reubens). Nuances que tornam o filme mais decepcionante de Todd Solondz merecedor de visualização.

quinta-feira, abril 28, 2011

#7



... segundo a opinião e discurso directo do Edgar Ascensão a.k.a. brain-mixer, do blog Brain-Mixer:

Qual Top mais ou Top Gun, este é o meu TOP

Já não é vergonha nenhuma um cinéfilo assumir o seu gosto por blockbusters. A predilecção pode passar por todos os géneros e estilos cinematográficos. A minha, essa, infelizmente não passa dos anos 80 para lá... Tendo nascido no início dessa década, cresci a ver os mesmos, as obras que se foram tornando cultura pop, de divindade audiovisual, de "nerdice" juvenil. Hoje, olho para trás e reparo que a bagagem que me acompanhou é pesada. Com qualidade. Incontornáveis.

Para mim (e todos os que concordarem), os melhores filmes que se podem eleger são aqueles que podemos ver e rever vezes sem conta, apesar de se lhe conhecer os diálogos, as surpresas, as acções de cor e salteado. Daqueles filmes que são tão conhecidos que ninguém tem a coragem de os atirar para o ar. Poderia banalizar a coisa e referir Citizen Kane ou algum filme de Truffaut. Não, isso não é carga para a minha bagagem... São sim, belezas como OS SALTEADORES DA ARCA PERDIDA, ASSALTO AO ARRANHA-CÉUS ou ROBOCOP — O POLÍCIA DO FUTURO. Estão em mim no antro dos intocáveis. As três dos '
eighties', os tais 80's. Antes disso? Retenho O BOM, O MAU E O VILÃO como o fenómeno que hoje perdura na minha neura.


(1981, Raiders of the Lost Ark, Steven Spielberg)


(1988, Die Hard, John McTierman)


(1987, Robocop, Paul Verhoeven)


(1966, Il buono, il brutto, il cattivo, Sergio Leone)

Viremos a página do calendário, EXTERMINADOR IMPLACÁVEL 2: O DIA DO JULGAMENTO e LÉON, O PROFISSIONAL são coisas cinemáticas assombrosas dos anos 90. Quem desmentir, que levante o dedo.


(1991, Terminator 2: Judgment Day, James Cameron)


(1994, Léon, Luc Besson)

Mais tarde concentro-me em algo mais complexo como CONTACTO e ESTRADA PERDIDA: Era um caminho que tomaria na minha vida, a das coisas intricadas.


(1997, Contact, Robert Zemeckis)


(1997, Lost Highway, David Lynch)

São os Brain-movies de gema, os quebra-cabeças que tanto refiro pela blogosfera fora. Na "nova" década surgem-me em catadupa. E QUERES SER JOHN MALKOVICH? sobrepõe-se a tantas obras-primas. Mas é com THE FOUNTAIN — O ÚLTIMO CAPÍTULO que percebo a essência da arte, da intimidade que o som pode ter com a imagem, e a narrativa me conseguir converter numa besta bipolar. Amo o filme.


(1999, Being John Malkovich, Spike Jonze)


(2006, The Fountain, Darren Aronofsky)

Mas não renego a minha "escola": Sim, os filmes podem ser arte, podem ser de autor, podem ser de culto. Mas sim, também podemos ter o prazer de nos deleitar com um riquíssimo blockbuster de vez em quando. Para isso, que nos prezem, façam-mos bons!

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Obrigado, Edgar, pela tua participação!

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