O Espaço Nimas, incontornável na cultura cinéfila da cidade de Lisboa, tem primado pela abertura das suas portas a novas iniciativas e programações, fomentando uma relação criativa e permanente com o quotidiano da cidade. Desta vez, o Espaço Nimas associa-se às FESTAS DE LISBOA 2012 para uma programação especial que destaca o apelo cinematográfico que a capital portuguesa exerceu ao longo dos anos junto dos realizadores nacionais e internacionais.
Percorrendo filmes de autores como José Fonseca e Costa, João César Monteiro, Fernando Lopes, Alain Tanner, Raúl Ruiz ou Wim Wenders, este ciclo imperdível inicia-se a 1 de Junho e prolonga-se durante três fins-de-semana até 17 de Junho.
Viagem sensual e deslumbrante através das coreografias dançadas no palco e em locais da cidade de Wuppertal - cidade que durante 35 anos foi a casa e o centro de creatividade de Pina Bausch, coreógrafa alemã que morreu em 2009.
Longe de ser uma exploração do percurso cronológico e/ou artístico de Pina Bausch, esta é uma biografia sentimental sobre a coreógrafa exposta através dos testemunhos e emoções, num criativo estilo de talking heads, dos bailarinos que com ela trabalharam. Embora estejam lá alguns dos seus trabalhos mais emblemáticos (Café Muller, Vollmond, etc.), ressalta-se a metodologia e sensibilidade peculiares de Bausch através da recriação desses bailados, registados com um virtuosismo que há muito não se via em Wenders.
Devo consessar o meu défice no que toca a apreciar inteiramente a exigente arte do bailado, mas é impossível negar o poder de sedução visual que PINA imprime no espectador. Independentemente de ser ou não visualizado em 3D...
Um duplo de Hollywood (Ryan Gosling) utiliza as suas habilidades ao volante para ajudar assaltantes em fuga. Decidido em ajudar uma família com quem cria laços pessoais, o saldo trágico desse "serviço" obriga-lo-á a lutar pela própria vida.
Superando todas as expectativas e tendências do noir moderno, eis o apurado sentido visual de Nicolas Winding Refn em função de interpretações seguras — sobretudo Gosling, reinventando o conceito do "vingador solitário" —, da melhor Los Angeles nocturna desde COLATERAL e de uma estetização da violência que bem poderia reacender o velho debate acerca do seu uso no cinema dito mainstream.
Mas se todo o style over substance fosse assim, seríamos todos cinéfilos mais realizados... Sem hesitações, um dos melhores filmes de 2011.
A difícil relação entre duas irmãs (Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg) é posta à prova, ao mesmo tempo que um misterioso novo planeta, escondido por trás do Sol, ameaça colidir contra a Terra.
Perante o que aqui é concretizado, não é de admirar o "escarcéu" que Lars von Trier teve de causar, no último Festival de Cannes, para captar atenções em torno de um drama familiar/apocalíptico que atinge a "proeza" de representar um fim do mundo tremendamente banal. Não se consegue eduzir daqui um tema pertinente, todas as ideias demonstram-se estafadas e há momentos em que o cliché domina.
Contudo, o filme pertence a uma fabulosa Charlotte Gainsbourg — o prémio de interpretação entregue a Kirsten Dunst em detrimento da actriz francesa, também em Cannes, já é um dos mistérios do ano — e ao fantástico epílogo que demonstra como o Dogma 95 é, definitivamente, História: dois factores que elevam MELANCHOLIA de um argumento pouco convincente e execução desapaixonada. Apropriado para quem nunca viu um filme de Lars von Trier e (quase) desaconselhado para fãs do cineasta.
Há dez anos, o mundo assistia, incrédulo, ao desenrolar dos atentados terroristas do 11 de Setembro, acontecimento pivotal que influenciou radicalmente o nosso quotidiano e uma constante lembrança do explosivo ambiente geopolítico contemporâneo.
Uma década depois, vários cineastas responderam de forma diversa - do "profético" até à descrição biográfica - ao 11 de Setembro. Nomes consagrados [Oliver Stone com WORLD TRADE CENTER, 2006) e Robert Redford com PEÕES EM JOGO (2007)], documentários incisivos [FAHRENHEIT 9/11 (2004, Michael Moore)] e visões ansiosas acerca do poder dos media perante uma tragédia [NADA A ESCONDER (2005, Michael Haneke)] perpeturaram e extrapolaram a memória dos acontecimentos daquele dia.
Seguem-se os cinco filmes, acompanhados de menção honrosa, que o Keyzer Soze's Place considera serem os melhores dedicados ao 11 de Setembro. E fica expressa a vontade de nunca deixar de ver o tema abordado pela Sétima Arte.
É verdade que foi produzido três anos antes dos eventos do 11 de Setembro de 2001, mas THE SIEGE - ESTADO DE SÍTIO revelou-se, com o tempo e como poucos, um filme impressionantemente premonitório sobre o ambiente político e social dos EUA após os atentados e, por isso, merecedor de destaque em qualquer lista deste género.
Encenando devastadoras acções terroristas em plena Nova Iorque, abuso de poder militar, paranóia popular, sentimentos anti-Islão e perda de liberdades cívicas, proporciona, agora, uma perspicaz e muito inesperada reflexão sobre como a arte imita a vida... por vezes, mesmo antes de certos acontecimentos se concretizarem.
Um magnífico "postal" da América pós-11 de Setembro visto pela perspectiva de personagens: Paul (John Diehl), veterano da Guerra do Vietname cujo stress pós-traumático é reavivado pelos ataques terroristas, desenvolve as suas próprias teorias de conspiração acerca da comunidade islâmica a residir nos EUA; e Lana (Michelle Williams), sobrinha de Paul, que regressa ao seu país natal após uma longa estadia ausente em trabalho de missionária.
A insegurança e a paranóia têm feito parte do dia-a-dia dos norte-americanos durante os últimos dez anos, e TERRA DA ABUNDÂNCIA capta, na perfeição, essa realidade. Lana observa, abismada, as alterações no comportamento de uma população que ela julgava lhe ser familiar - e o final trágico do filme reforça os perigos acarretados pelo medo quase irracional.
O realizador Paul Greengrass, através das mesmas técnicas que emprega para os seus filmes de acção, almeja imprimir suspense a uma série de acontecimentos cujo desfecho é de todos nós conhecido. Mas os seus protagonistas mais íntimos - ou seja, perpretadores, vítimas e profissionais obrigados a lidar com o 11 de Setembro - nem por isso.
O elenco recheado de virtuais desconhecidos para o grande público e a dinâmica teatralidade da reconstituição forçam o espectador a "desligar" a memória e observar o destino fatídico dos passageiros do United 93, neste que é um dos filmes definitivos para a compreensão do cinema norte-americano da última década.
Situado no Afeganistão após a invasão do exército norte-americano, ÀS CINCO DA TARDE centra-se nas aspirações das mulheres afegãs perante a aparente restituição, no país, dos seus direitos cívicos. Nogreh (Agheleh Rezaie) ambiciona tornar-se na primeira presidente do Afeganistão; contudo, o cepticismo daqueles que a rodeiam e um futuro que se apresenta marcado pela força das armas ameaça o sonho da jovem protagonista.
Samira Makhmalbaf assina um filme extremamente ambíguo nas suas intenções, dividido entre o positivismo da queda do regime que apoiou os ataques do 11 de Setembro e a incerteza de um Afeganistão realmente livre e próspero. Sem dúvida, um óptimo objecto de reflexão acerca da visão ocidental pós-2001 em relação ao mundo árabe.
A Guerra do Iraque revelou-se como uma das consequências mais polémicas saídas do 11 de Setembro. E, rapidamente, a condição dos militares norte-americanos converteu-se no principal "rosto" daquilo que não ficou bem esclarecido acerca deste conflito.
ESTADO DE GUERRA assume-se como obra mainstream, exibe todos os mecanismos técnicos e narrativos de um filme de acção, mas é tremendamente preciso na descrição do inimigo combatido por milhares de soldados sob pretextos nunca devidamente justificados: invisível, que investe através de engenhos explosivos e letalmente eficaz. Temática e visualmente poderoso.
Embora o seu argumento não seja dedicado ao 11 de Setembro, as suas sequelas são experienciadas durante todo este complexo e inesquecível filme.
Filmado pouco tempo depois dos atentados, os efeitos da tragédia são evidenciados pela revolta da personagem de Edward Norton (que aqui apresenta uma das suas melhores interpretações) e, sobretudo, pela visão dos destroços do World Trade Center, dos cartazes de pessoas desaparecidas e dos inúmeros memoriais em tributo às vítimas - o sentimento de pesar no espírito dos intervenientes de A ÚLTIMA HORA é quase palpável.
«I wanted to succeed in everything, to prove I was as good as everyone else».
Mais conhecido pelo seu trabalho televisivo como Inspector Columbo, Peter Falk desenvolveu uma extensa carreira no grande ecrã, trabalhando com Frank Capra (MILAGRE POR UM DIA, 1961, pelo qual foi nomeado ao Óscar de Melhor Actor Secundário), Stanley Kramer (O MUNDO LOUCO, 1963), John Cassavetes (UMA MULHER SOB INFLUÊNCIA, 1974) e Wim Wenders (AS ASAS DO DESEJO, 1987).
Detentor de refinado sentido de humor e um autêntico perfeccionista na sua arte, muitos recordam como Falk era capaz de desempenhar papéis complexos com imensa facilidade e subtileza.
Faleceu ontem à noite, em Los Angeles, de causas naturais.
Keyzer Soze é um personagem do filme de 1995, OS SUSPEITOS DO COSTUME.
Soze era o líder de uma secreta organização criminosa; a sua impiedosa personalidade e obscura influência granjeou-lhe um estatuto quase mítico entre agentes da lei e gangsters.
O seu papel no supreendente twist final do filme tornou-se num dos ícones da cultura popular dos anos 90.