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segunda-feira, março 12, 2012

Iniciativas Conjuntas #7

A convite do TVDependente, fui desafiado a deixar temporariamente de lado os meus textos sobre Cinema e revelar uma das minhas "predilecções televisivas". No caso, esta fantástica preciosidade britânica intitulada THE THICK OF IT:

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Numa época em que o vulgar cidadão interroga-se sobre a competência e fiabilidade dos Governos que comandam os destinos políticos da Europa e do Mundo, manda o senso comum escolher das duas, uma: ou adoptam-se formas pró-activas de luta ou expressa-se insatisfação, revolta e outros sentimentos negativos similares numa urna de voto. Pois bem, aproveito o convite de colaboração, que me foi proposto pelo TVDependente, para apresentar uma terceira e mais "descontraída" opção: ver as três temporadas de THE THICK OF IT, uma das paródias políticas televisivas mais cáusticas, transparentes, hilariantes e indecorosas alguma vez produzidas em terras de Sua Majestade.

Mesmo que não nutram qualquer simpatia por actividades governamentais, protagonistas políticos ou actualidades noticiosas, THE THICK OF IT é o género de série em que o interesse cresce de forma proporcional ao número de episódios a que se assiste (ninguém se arrependerá de lhe dar uma hipótese...), nomeadamente por "despir" a Política do seu lado mais institucional, privilegiando a abordagem jocosa, perspicaz e assustadoramente credível do que acontece nos bastidores de ministérios e gabinetes políticos, da relação entre poder executivo e meios de comunicação social, de assessores de comunicação decididamente mais conscientes da realidade que os titulares dos cargos públicos, de spin doctors com estranhos sentidos e métodos de ideologia política e das nuances que a "negação da negação" de uma notícia lesiva pode conter.

Descendente directo de SIM, SR. MINISTRO e THE OFFICE no formato (exibição de inaptidão política filmada em estilo mockumentary) e num prisma totalmente oposto ao de OS HOMENS DO PRESIDENTE na temática (um retrato de idealistas realmente comprometidos em servir os interesses dos eleitores), muito do seu sucesso deve-se a dois intervenientes: Armando Ianucci, o criador da série, que soube convocar aqueles que são, muito provavelmente, os argumentistas mais sagazes e inventivos da actualidade, sobretudo na forja dos insultos mais desarmantes, infames e ordinários de que há memória em produto de ficção para TV...

…o que nos leva ao segundo interveniente e o protagonista de THE THICK OF IT: uma "criatura" baptizada de Malcolm Tucker (Peter Capaldi no papel que o tornará, definitivamente, imortal), o vulcânico, manipulador, ameaçador e omnisciente director de comunicações do PM Britânico, hábil em colocar uma desvantagem a funcionar em seu favor e sempre em aparente risco de sofrer uma apoplexia de cada vez que um membro do Governo obriga-o a um desagradável damage control:



THE THICK OF IT (por enquanto?) não conhece exibição, tanto em canal aberto como de cabo, em Portugal, mas as três temporadas da série são facilmente adquiridas on-line. E se este texto de alguma utilidade for, que pelo menos incite o vosso espírito de aventura no que a séries de televisão diz respeito.

Conheçam ministros com menor capacidade de diálogo que Maria de Lurdes Rodrigues. Observem directores de comunicação capazes de espumar de raiva caso tivessem de lidar com as repercussões de uma certa "amena cavaqueira" entre Vítor Gaspar e um ministro das Finanças alemão. Entendam que, com um humor britânico inspirado, nenhuma cor partidária ou líder político estarão a salvo...

[Agradecimento especial ao Vítor Rodrigues pelo convite.]

quarta-feira, março 17, 2010

NIP/TUCK — Um final cirúrgico



Durante sete anos, NIP/TUCK levou a cabo uma revolução, quase imperceptível, nas sensibilidades e tendências das séries televisivas norte-americanas que, em 2003, rendiam-se à acção de um só dia que 24 proporcionava ou aos mistérios forenses de CSI: CRIME SOB INVESTIGAÇÃO.

A começar, temos o golpe de génio que constituiu elevar a protagonistas de um drama sobre relações humanas as figuras de dois cirurgiões plásticos (Sean McNamara e Christian Troy), área da medicina eternamente polémica e suscitadora de dúvidas morais. E depois há Julia McNamara, a mulher no meio dos dois sócios. Estava criado o triângulo amoroso televisivo mais sui generis da década, explanado ao longo de seis temporadas onde assistimos, como temas fulcrais, infidelidades, transexualismo, um serial killers empenhado em demonstrar que "a beleza é uma maldição no mundo", tráfico de órgãos, a envenenada sedução dos meandros da própria televisão e à importância das escolhas que fazemos, cedo ou tarde, na nossa vida.



NIP/TUCK nunca foi consensual ou popular. Rapidamente, tornou-se série de culto e só na terceira temporada, assente num whodunnit sobre a identidade do psicopata denominado 'The Carver', conheceu audiências semelhantes às séries de maior êxito dos anos 2000. De resto, entre temas quase tabu e a apresentação detalhada de facelifts e implantes mamários, o público esteve sempre arredado da clínica McNamara/Troy...

O último episódio, transmitido no passado dia 3 de Março, revelou-se um autêntico sussurro quando comparado com o ambiente normal da série, caracterizada por situações "explosivas" e próximas da inverosimilhança. Com o seu encerramento, terminou também o hábito pessoal de acompanhar a vida e desventuras deste duo de cirurgiões plásticos, que vendiam a sua actividade de aparências com um icónico chavão — «Tell me what you don't like about yourself» — mas sem conseguirem esconder o drama pessoal que lhes toldou a vida durante anos.

terça-feira, novembro 11, 2008

Filhos de Um Deus Maior #32

Cartaz concebido pela Venables Bell de promoção ao lançamento da edição de luxo com todas as temporadas da série OS SOPRANOS, para a HBO:



Uma nação indivisível sob a égide de Tony Soprano.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Recomendação — TRUE BLOOD





Trata-se da nova aposta para este Outono da HBO, o canal responsável por OS SOPRANOS ou SEXO E A CIDADE, e com assinatura de Alan Ball (argumentista do oscarizado BELEZA AMERICANA e criador da série SETE PALMOS DE TERRA), TRUE BLOOD é a série que mais atenção me tem despertado nos últimos tempos, pelos mais variados motivos.

Sinopse:
Graças à invenção, por parte de cientistas Japoneses, de sangue sintético (uma bebida comercializada com o nome de «TruBlood»), os vampiros ascenderam, num ápice, da condição de monstros lendários para cidadãos com direitos próprios. Embora os humanos tenham sido retirados do "menu", há quem olhe com desconfiança para esta súbita "saída do caixão" de vampiros. Os líderes religiosos e governantes mundiais já definiram os seus pontos de vista, mas na pequena e fictícia cidade de Bon Temps, no Estado do Louisiana, poucos são os que têm certezas absolutas sobre o assunto.

A narrativa centra-se em Sookie Stackhouse (Anna Paquin), uma jovem empregada de balcão, igualmente marginalizada pela sua "habilidade" em conseguir ler os pensamentos das pessoas em seu redor. Para além disso, a sua mente também está "aberta" relativamente à emancipação social de vampiros — sobretudo quando se cruza com Bill Compton (Stephen Moyer), um atraente vampiro com 175 anos e recém-chegado à cidade. Mas assim que Sookie vê-se envolvida numa série de eventos misteriosos, que poderão estar relacionados com a presença de Bill, a sua tolerância será posta em causa...



Crítica:
À data em que escrevo esta recomendação, a HBO já transmitiu oito episódios e o cômputo geral das reacções resume-se a uma miríade de críticas mistas: elogiada pela interessante observação acerca da marginalização racial que predomina nas sociedades actuais ou menosprezada por quem considere TRUE BLOOD um mero rol de personagens estereotipadas. Da minha parte, considero estarmos perante um conceito extremamente original (embora seja adaptado de uma série de contos escritos por Charlaine Harris, os quais ainda não conheceram distribuição em Portugal), que investe na explanação de relações sociais e românticas num cenário em detrimento de uma história unicamente assente em situações sobrenaturais.

De qualquer forma, e até agora, o desenvolvimento da acção de TRUE BLOOD tem conseguido prender-me à série. Opção estética propositada ou não, é imperativo referir que cada episódio termina em eficazes cliffhangers, que nos compelem ao acompanhamento dos futuros enredos...



Palavra final para as diversas campanhas de promoção que antecederam a estreia de TRUE BLOOD: um site que publicita a bebida favorita de vampiros, como se de um verdadeiro produto comercial se tratasse, e uma página em forma de blog noticioso que descreve as opiniões e sentimentos gerais da população de Bon Temps sobre os tempos recentes.

E o que dizer do merchadinsing disponível no site oficial da série? Aqui ficam alguns exemplos:









Agora, só falta aguardar que algum dos canais portugueses não tema em inserir TRUE BLOOD na sua grelha de programação.

terça-feira, dezembro 04, 2007

O fim de um ciclo



«Cuidado com os spoilers

Ontem à noite, por volta das 22h30, a minha vida entrou numa nova etapa.

Após oito anos de ininterrupta atenção (no que já se assemelhava a uma autêntica fixação quase religiosa), senti aquele singular arrepio do desalento quando "soou" o último minuto do último episódio da série OS SOPRANOS. O desalento não se prende com a ambiguidade que rodeou o desfecho da saga dedicada à representação mafiosa mais mediática dos últimos anos, mas sim ao facto de perceber que, possivelmente para sempre, não terei a companhia deste conjunto de personagens que me preencheram incontáveis serões televisivos.

Esta sensação vinha a ganhar forma, com o decorrer das semanas, motivada pela "eliminação", nas mais variadas circunstâncias, de figuras centrais para o desenrolar da história d'OS SOPRANOS. Confesso que verti uma lágrima no episódio em que Christopher Moltisanti conhece o seu trágico fim, e ainda derramei outra quando, no genérico da semana posterior ao acontecimento, já não se notava o nome de Michael Imperioli, o actor que dava vida à personagem citada.

Só consigo atribuir toda esta torrente de emoções, estranhas em mim, ao estatuto de culto que OS SOPRANOS adquiriu na minha vida. Agora que não verei mais as peripécias, alegrias e tristezas de Anthony, Carmela, Meadow e Anthony Jr. Soprano, a paciência exasperante da Dra. Jennifer Melfi, da fidelidade de Silvio Dante e Paulie Walnuts — sem dúvida, um dos melhores ensembles de personagens alguma vez criados —, dificilmente surgirá algo capaz de acender, similarmente, a minha total submissão a um produto televisivo.

A série teria, eventualmente, de conhecer uma conclusão. Nada a fazer, a não ser rever todas as temporadas disponíveis em DVD para recordar grandes momentos de televisão. São as leis do mercado.

O próprio Anthony Soprano não pensaria diferente: «If you can quote the rules, then you can obey them