terça-feira, abril 28, 2009

5 Momentos Memoráveis

#5: A EXPLOSÃO EM CINEMA

Quando a história e/ou a mensagem do filme é superior à mestria pirotécnica da preparação de uma sequência (literalmente) explosiva.

Pretende-se, neste exercício de nostalgia, destacar a representação de explosões em filmes que não fizeram do "blockbuster" o seu principal desígnio. Exceptuando a sequência que compõe a habitual menção honrosa, os momentos agora destacados encerram um motivo superior ao da mera contemplação de oxigénio em virtuosa combustão. Mas, depois de as vermos, ficam indelevelmente guardadas na memória cinéfila...

NB: este artigo (infelizmente) poderá conter spoilers. 'Procede with caution'.

Menção Honrosa: OPERAÇÃO SWORDFISH (2001), de Dominic Sena



Prematura e injustamente retirado de circulação por ter estreado na véspera do 11 de Setembro, a visualização deste OPERAÇÃO SWORDFISH fica marcada pelos seus cinco minutos iniciais, dos quais se destaca uma das detonações mais virtuosas (em conceito e materialização) da presente década.
Em 2001, era visível a contínua "digestão" do estilo confeccionado em MATRIX (1999), daí que os efeitos especiais, nesta sequência, repercutem e excedem essa influência. Em jeito de curiosidade, refira-se que os "técnicos" responsáveis não tiveram pejo em confessar a dificuldade de apontar, neste grande momento visual, o que é imagem real ou o que é fabricado por computador.



5.: THE HURT LOCKER — ESTADO DE GUERRA (2008), de Kathryn Bigelow



Ainda sem data oficial de estreia em Portugal (1), tive a sorte de ver THE HURT LOCKER através de um DVD Screener e (permitam-me a opinião) considero-o um dos melhores filmes anti-guerra dos últimos anos.
Centrado no quotidiano de uma equipa de minas e armadilhas estacionada em Bagdad, a rotina, o tédio e as saudades do lar deste específico grupo de militares são quebrados durante tarefas de neutralização de engenhos explosivos, com elevado risco para a integridade física dos intervenientes e proporcionador de índices abismais de adrenalina no espectador. A sequência destacada testemunha a importância da mensagem do filme, imbuída de realismo e comprovativa do à-vontade que Kathryn Bigelow (facto por mim considerado anteriormente) detém ao leme de um actioner.
[o clip está dobrado em italiano, mas tal não retira, nem por um momento, a excelência da sequência.]



4.: O FIM DA AVENTURA, (1999), de Neil Jordan



Poucos arriscam em afirmar que se trata da melhor adaptação de um romance de Graham Greene desde THE THIRD MAN (1949). E é impossível não aclamar os desempenhos dos protagonistas — Sarah Miles (Julianne Moore) e Maurice Bendrix (Ralph Fiennes).
Para além da profundidade emocional que proporciona, este O FIM DA AVENTURA constitui um interessante exemplo, em Cinema, de como uma explosão pode servir propósitos mais complexos do que a originalidade estética na sua encenação. O assombro e indiferença de Sarah pelo facto de Maurice ter escapado ileso à detonação de um rocket V1, durante o bombardeamento de Londres pelas tropas nazis em 1944, assinala a ruptura da relação amorosa entre os dois, cujos verdadeiros contornos só serão revelados no clímax do filme.



3.: FÚRIA SANGUINÁRIA (1949), de Raoul Walsh



James Cagney foi figura incontornável, durante os anos 30 do século passado, na representação do gangster norte-americano que ludibriava a Lei Seca, em obras memoráveis como O INIMIGO PÚBLICO (1931) ou ANJOS DE CARA NEGRA (1939). Nessas personificações, duas características tornaram-se imagem de marca do actor: o criminoso sem escrúpulos e verbalmente pragmático ("I ain't so tough...") no seu derradeiro momento.
FÚRIA SANGUINÁRIA assinalou, em finais dos anos 40, o regresso de Cagney a este género de papel, incendiando (na verdadeira acepção da palavra) o ecrã até à sua irremediável morte pela Polícia, vociferando uma das frases mais célebres da História do Cinema: "Made it, Ma! Top of the world!" ("Consegui, mãe! No topo do mundo!").



2.: DR. ESTRANHOAMOR (1964), de Stanley Kubrick



Naquela que será, provavelmente, a melhor sátira política do Século XX, Stanley Kubrick abordou os dramas da Guerra Fria, construindo uma versão ridícula dos decision makers das super-potências envolvidas e irónica dos medos da população — em pleno auge da ameaça nuclear que "pairava" sobre o planeta!
E bem consigo imaginar a indignação (a crítica da época chegou ao ponto de apelidar a opção como "maléfica e perversa" (2)) provocada pela forma como Kubrick, para rematar um corolário de líderes ineptos e situações surreais, representa a aniquilação nuclear ao som do melancólico mas optimista 'We'll Meet Again', interpretado por Vera Lynn.



1.: ZABRISKIE POINT — DESERTO DE ALMAS (1970), de Michelangelo Antonioni



Considerado, pela generalidade da crítica e cinéfilos (incluindo eu), como o filme menos conseguido de Michelangelo Antonioni, ZABRISKIE POINT — DESERTO DE ALMAS não conseguiu cativar o público aquando da sua estreia nem resistiu ao teste que melhor possibilita a reabilitação de uma obra cinematográfica, ou seja, o da longevidade.
Evidente no seu ímpeto de criticar o capitalismo e materialismo da sociedade norte-americana, Antonioni utiliza a fantasia de Daria (Daria Halprin), mesmo na conclusão da película, para expressar o seu desejo relativamente a tudo o que domina e adormece a percepção do consumidor comum: uma espectacular série de explosões e implosões de objectos comodidades mundanas como uma casa de férias, um televisor, roupas de marca e, até, fast-food. É o melhor momento do filme e, também, desta lista.
(O tema audível durante este onírico momento dá pelo nome de 'Come In Number 51, You're Time is Up' e foi composto por uns — na altura — semi-desconhecidos Pink Floyd).



1 comentário:

Anónimo disse...

Muito bom! Belos Momentos

S.Soares