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terça-feira, julho 24, 2012

Iniciativas Conjuntas #12

Sem hesitação nem pretensiosismo, afirmo que a comunidade blogger cinéfila é uma das mais dinâmicas em Portugal. Segue um exemplo.

A convite do blog Not A Film Critic, fui desafiado a escrever, "sem medos ou censura", sobre o meu guilty pleasure de eleição. Como resposta, ficou esta reflexão:

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Dos títulos cujos percursos ficaram imediatamente afectados pelos atentados do 11 de Setembro de 2001, OPERAÇÃO SWORDFISH foi o que mais "danos colaterais" registou. A seu favor, tinha produção de Joel Silver, "mago" das super-produções de Hollywood, um elenco de alto calibre (John Travolta, Hugh Jackman, Don Cheadle e, sobretudo, Halle Berry a ocupar a vaga de femme fatale com pouca ou nenhuma roupa), diálogos que podiam muito bem ter sido dactilografados por Quentin Tarantino e sequências de acção quase "orgiásticas" nos seus índices de devastação urbana.

Com todos estes ingredientes, o que poderia falhar? Obviamente, o contexto político-temporal da sua estreia não foi o mais favorável à sugestão de planos ultra-secretos para derrubar estados que acolhem terroristas como refugiados políticos ou visões de prédios a explodir com contornos demasiado semelhantes aos observados nas Torres Gémeas em 2001 — como resultado, OPERAÇÃO SWORDFISH "desapareceu" rapidamente de circulação.

Deste modo, privou-se uma franja considerável de espectadores de um dos actioners que mais empreendeu na difícil tarefa de aliar um argumento coerente com a pura adrenalina ilógica das suas sequências de acção.

Mas o rotundo falhanço desse esforço consciente de seriedade, no seio de uma produção desta natureza, preenche o filme de uma constante atmosfera de exagero e peculiar "supra-realismo" aliada a uma fabulosa auto-paródia ao próprio cinema em que OPERAÇÃO SWORDFISH se insere.

Os contornos deste curioso monológo da personagem de John Travolta, logo nos minutos iniciais e a queixar-se da ausência de realismo que caracteriza a maioria do mainstream norte-americano, só são devidamente apreendidos no final do filme — pois assiste-se, ipsis verbis durante o seu visionamento, a tudo aquilo que aqui é criticado:



OPERAÇÃO SWORDFISH torna-se ainda mais "delicioso" pela análise individual das sequências do que através da soma das suas partes.

Há uma década, sem YouTube nem massificação de torrents e afins, um momento como este apresentava-se genuinamente emocionante:



E depois há a averiguação de competências informáticas com sexo oral à mistura, reviravoltas atrás de reviravoltas atrás de reviravoltas que submete qualquer espectador a rever o filme, teorias de conspiração capazes de deixar Oliver Stone verde de raiva e um terceiro acto que oblitera, por completo, a definição de realismo que podemos encontrar no dicionário.

«Realism; not a pervasive element in today's modern American cinematic vision», como afirma Gabriel (Travolta) no segmento introdutório do filme acima mencionado. Realmente, ele não exubera também OPERAÇÃO SWORDFISH, que caiu — de forma extremamente célere — em esquecimento. Contudo, alimento a secreta teoria de que fez "escola" no cinema de acção moderno: há muito do filme de Dominic Sena nos "preceitos" dos recentes Transformers, Vingadores ou Batalhas Navais.

Só não restou a ironia e a auto-paródia de OPERAÇÃO SWORDFISH, o guilty pleasure da minha vida e com o qual aceitei o convite, do Not a Film Critic, para esta rubrica.

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Obrigado, FilmPuff, pelo convite!

segunda-feira, dezembro 14, 2009

5 Momentos Memoráveis

#7: 'GUILTY PLEASURES'

Antes de passar a esta "embaraçosa" listagem two-in-one (uma estreia na rubrica dos 'Momentos Memoráveis'), é preciso compreender a definição de 'guilty pleasure' em Cinema: basicamente, são aqueles títulos detentores de um lugar especial no nosso "coração cinéfilo" mas que, pela fraca recepção crítica e pública que obtiveram ou pelos seus inferiores valores artísticos (à luz dos critérios que elevam um filme à controversa denominação «de qualidade»), dificilmente admitimos essa afeição junto de outrem.

Assim, aos leitores deste blogue me confesso e partilho cenas memoráveis dos cinco (e adequada menção honrosa) 'guilty pleasures' da minha vida:

Menção Honrosa: VANILLA SKY (2001), de Cameron Crowe



Se o conceito de um remake de ABRE LOS OJOS (1997, Alejandro Amenabar) não fosse afronta suficiente, reproduzir uma das obras europeias de ficção científica mais geniais dos anos 90 com Tom Cruise, Cameron Diaz e Penélope Cruz (reencarnando exactamente o mesmo papel que desempenhara no título original) e inundá-la de referências culturais Pop norte-americanas foi a gota de água para a crítica especializada, que não tardou em arrasar este VANILLA SKY aquando da sua estreia. Até o público o abominou — lembro-me bem da ruidosa desilusão demonstrada pelos espectadores que estavam comigo na sala quando vi o filme...

Mas VANILLA SKY suscitou em mim um enorme parecer positivo. Não só fui revê-lo no dia seguinte, como adquiri tanto a respectiva banda sonora e o VHS que preservei até aos dias de hoje. Não senti qualquer pena do público nem da crítica que esperavam mais desta obra de Cameron Crowe (afinal de contas, o cineasta ainda desfrutava do sucesso, no ano anterior, de QUASE FAMOSOS), como também "censurei" a premeditação de que um filme com este elenco só poderia ser uma comédia romântica e pouco exigente para células cinzentas humanas.

E a sequência abaixo destacada, extraída dos primeiros minutos do filme, constitui um dos melhores indicadores por mim observados de que VANILLA SKY iria "romper" com uma ou outra norma de comédias românticas...



5. O ÚLTIMO A CAIR (1996), de Walter Hill



Outro remake a figurar nesta lista, O ÚLTIMO A CAIR é vagamente baseado no clássico YOJIMBO, O INVENCÍVEL de Akira Kurosawa (que já havia sido reinterpretado por Sergio Leone em POR UM PUNHADO DE DÓLARES). Enquanto que a história original abordava temáticas como a honra e a paz, Walter Hill apostou num 'western do puro e do duro', ofegantemente dominado pela poeira tórrida do deserto norte-americano e a apatia expressiva de Bruce Willis no papel de um solitário que decide, pelo mero prazer de sentir a combustão da pólvora em revólveres, terminar com a luta entre os grupos rivais que avassala a cidade texana de Jericho.

A acção é súbita, explosiva, violenta e quase caricata — uma visão típica dos westerns produzidos nos anos 90 e são exemplos disso RÁPIDA E MORTAL (1995, Sam Raimi) ou HOMEM MORTO (1995, Jim Jarmusch) — e a sequência que destaco de O ÚLTIMO A CAIR demonstra essas características. Se somarmos que o vilão principal é interpretado por Christopher Walken (nenhum actor consegue entrar tão facilmente em "modo automático" de antagonia como ele), estão reunidas todas as condições para um dos 'guilty pleasures' que revejo com mais frequência e admito, muitas vezes, encará-lo como uma referência para o renascimento contemporâneo do género «Oeste Selvagem».



4. DELÍRIO EM LAS VEGAS (1998), de Terry Gilliam



Antes de Terry Gilliam conceber a sua adaptação ao grande ecrã, já eu conhecia e prezava o livro de Hunter S. Thompson, considerando-o como uma daquelas obras totalmente "infilmáveis". Pois bem, o ex-Monty Python provou o contrário ao escolher Johnny Depp (Raoul Duke, um caricatural sósia do romancista) e Benicio Del Toro (no papel de Dr. Gonzo, o inflado advogado do protagonista) para conceber uma das películas mais curiosas e representativas sobre acid trips e excessos característicos de Las Vegas.

DELÍRIO EM LAS VEGAS é inteiramente filmado no estilo que a sequência abaixo demonstra: constantes e surpreendentes representações de alucinações e esquizofrénicos close-ups registados com lentes angulares transformam as personagens em desenhos animados, transmitindo-nos a sensação de que a película decorre num País das Maravilhas adequado para "Alices" sem pavor de caírem na toca do coelho. Para além disso, o filme é povoado pelo mais interessante elenco de cameos de que há memória, com fugazes aparições de Tobey Maguire, Gary Busey, Ellen Barkin, Christina Ricci, Cameron Diaz, Harry Dean Stanton e o próprio Hunter S. Thompson.

No final, tanto o livro como o filme parecem ser uvas da mesma casta...



3. G.I. JANE — ATÉ AO LIMITE (1997), de Ridley Scott



Antes de qualquer consideração, atentemos ao estado da carreira de Demi Moore na época em que G.I. JANE — ATÉ AO LIMITE estreou. Era a actriz mais bem paga e rainha da controvérsia de Hollywood. "Fresca" do sucesso e (sobretudo) polémica que STRIPTEASE gerara, Moore embarcou neste drama militar, sobre as hipóteses do factor girl power no seio do universo machista dos Fuzileiros norte-americanos, disposta a tudo: rapou o cabelo (acto que lhe "engordou" o salário), aumentou a sua musculatura e vociferou algumas das linhas de diálogo mais improváveis para uma actriz do seu estatuto — sendo "Master Chief... suck my dick!" a mais infame de todas.

Mas G.I. JANE — ATÉ AO LIMITE não é um 'guilty pleasure' apenas pela presença de Demi Moore. Ridley Scott aposta sempre muito no visual dos seus filmes, tornando-os atraentes até para os tecnicamente mais leigos, e o filme demonstrou a emergência do talento de um actor escandinavo-americano chamado Viggo Mortensen, que viria a afirmar-se na trilogia de Peter Jackson O SENHOR DOS ANÉIS (2001, 2002 e 2003). Encarnando o sargento de instrução mais duro desde NASCIDO PARA MATAR (1987, Stanley Kubrick), a sua primeira aparição não se consubstancia num chorrilho de humilhantes agressões verbais aos recrutas, mas através da declamação de um dos poemas mais tocantes sobre a fragilidade da natureza humana alguma vez escritos. É essa sequência que agora destaco.

(O poema é de D.H. Lawrence e reza assim:
"I never saw a wild thing sorry for itself.
A bird will fall frozen dead from a bough without ever having felt sorry for itself.
")



2. OPERAÇÃO SWORDFISH (2001), de Dominic Sena



Dos filmes cujos percursos ficaram imediatamente afectados pelo 11 de Setembro de 2001, OPERAÇÃO SWORDFISH foi o que mais "danos colaterais" registou. A seu favor, tinha produção de Joel Silver, "mago" das super-produções de Hollywood, um elenco de alto calibre (John Travolta, Hugh Jackman, Don Cheadle e, sobretudo, Halle Berry a ocupar a vaga de femme fatale com pouca ou nenhuma roupa), diálogos que podiam muito bem ter sido dactilografados por Quentin Tarantino e sequências de acção quase "orgiásticas" nos seus índices de devastação urbana.

Com todos estes ingredientes, o que poderia falhar? Obviamente, o contexto temporal da sua estreia não foi o mais favorável à sugestão de planos ultra-secretos para derrubar estados que acolhem terroristas como refugiados políticos ou visões de prédios a explodir com contornos demasiado semelhantes aos observados nas Torres Gémeas em 2001 — como resultado, OPERAÇÃO SWORDFISH "desapareceu" rapidamente de circulação. Deste modo, privou-se uma franja considerável de espectadores de um dos actioners que mais empreendeu na difícil tarefa de aliar um argumento coerente com a pura adrenalina ilógica das suas sequências de acção.

E esses mesmos espectadores não puderam escutar a personagem de John Travolta, logo nos minutos iniciais, queixando-se da ausência de realismo que caracteriza a maioria do cinema mainstream norte-americano. Um monólogo que, neste contexto, reveste-se de fabulosa ironia e é o principal factor para a sua classificação de 'guilty pleasure' pessoal.



1. O ÚLTIMO GRANDE HERÓI (1993), de John McTierman



Ridicularizado, menosprezado e esquecido até à medula: foi este o saldo de O ÚLTIMO GRANDE HERÓI aquando da sua estreia e estes sinónimos tornaram-se num rótulo do qual o filme nunca se descolou. Contudo, foi conquistando, ao longo dos anos, um considerável número de fãs (incluindo eu) que se rendeu às suas cenas memoráveis e desenfreado sentido de auto-ironia. Arnold Schwarzenegger troçando da sua própria imagem? O Cinema de grande orçamento made in Hollywood a fazer pouco de si mesmo? A propositada abundância de clichés narrativos e erros de continuidade de uma ponta à outra do filme? Não serão motivos suficientes para se encarar O ÚLTIMO GRANDE HERÓI como algo de único e especial?

Tendo em conta a quantidade de produções menores que, actualmente, obtêm sucesso imediato sem reservas, continua a espantar-me o falhanço crítico e comercial deste filme. Com John McTierman, um dos melhores realizadores de acção (CAÇA AO OUTUBRO VERMELHO, 1990), ao leme das operações, uma irrepreensível interpretação de Charles Dance e Ian McKellen a surgir num divertido cameo como a personagem da Morte de O SÉTIMO SELO (1957, Ingmar Bergman) que emerge literalmente do ecrã de uma sala de cinema, poderia ocupar todo este espaço com as razões para admirar O ÚLTIMO GRANDE HERÓI.

Mas o seu ponto alto é, sem dúvida, a visão do actual Governador da Califórnia, na imaginação do jovem protagonista Danny Madigan (Austin O'Brien), encarnando Hamlet numa adaptação cinematográfica bastante "livre" do clássico texto de William Shakespeare. Poderia ver e rever esta sequência vezes sem conta e nunca me cansar daquele lacónico "Not to be!" que Schwarzenegger murmura antes de acender outro charuto...



terça-feira, abril 28, 2009

5 Momentos Memoráveis

#5: A EXPLOSÃO EM CINEMA

Quando a história e/ou a mensagem do filme é superior à mestria pirotécnica da preparação de uma sequência (literalmente) explosiva.

Pretende-se, neste exercício de nostalgia, destacar a representação de explosões em filmes que não fizeram do "blockbuster" o seu principal desígnio. Exceptuando a sequência que compõe a habitual menção honrosa, os momentos agora destacados encerram um motivo superior ao da mera contemplação de oxigénio em virtuosa combustão. Mas, depois de as vermos, ficam indelevelmente guardadas na memória cinéfila...

NB: este artigo (infelizmente) poderá conter spoilers. 'Procede with caution'.

Menção Honrosa: OPERAÇÃO SWORDFISH (2001), de Dominic Sena



Prematura e injustamente retirado de circulação por ter estreado na véspera do 11 de Setembro, a visualização deste OPERAÇÃO SWORDFISH fica marcada pelos seus cinco minutos iniciais, dos quais se destaca uma das detonações mais virtuosas (em conceito e materialização) da presente década.
Em 2001, era visível a contínua "digestão" do estilo confeccionado em MATRIX (1999), daí que os efeitos especiais, nesta sequência, repercutem e excedem essa influência. Em jeito de curiosidade, refira-se que os "técnicos" responsáveis não tiveram pejo em confessar a dificuldade de apontar, neste grande momento visual, o que é imagem real ou o que é fabricado por computador.



5.: THE HURT LOCKER — ESTADO DE GUERRA (2008), de Kathryn Bigelow



Ainda sem data oficial de estreia em Portugal (1), tive a sorte de ver THE HURT LOCKER através de um DVD Screener e (permitam-me a opinião) considero-o um dos melhores filmes anti-guerra dos últimos anos.
Centrado no quotidiano de uma equipa de minas e armadilhas estacionada em Bagdad, a rotina, o tédio e as saudades do lar deste específico grupo de militares são quebrados durante tarefas de neutralização de engenhos explosivos, com elevado risco para a integridade física dos intervenientes e proporcionador de índices abismais de adrenalina no espectador. A sequência destacada testemunha a importância da mensagem do filme, imbuída de realismo e comprovativa do à-vontade que Kathryn Bigelow (facto por mim considerado anteriormente) detém ao leme de um actioner.
[o clip está dobrado em italiano, mas tal não retira, nem por um momento, a excelência da sequência.]



4.: O FIM DA AVENTURA, (1999), de Neil Jordan



Poucos arriscam em afirmar que se trata da melhor adaptação de um romance de Graham Greene desde THE THIRD MAN (1949). E é impossível não aclamar os desempenhos dos protagonistas — Sarah Miles (Julianne Moore) e Maurice Bendrix (Ralph Fiennes).
Para além da profundidade emocional que proporciona, este O FIM DA AVENTURA constitui um interessante exemplo, em Cinema, de como uma explosão pode servir propósitos mais complexos do que a originalidade estética na sua encenação. O assombro e indiferença de Sarah pelo facto de Maurice ter escapado ileso à detonação de um rocket V1, durante o bombardeamento de Londres pelas tropas nazis em 1944, assinala a ruptura da relação amorosa entre os dois, cujos verdadeiros contornos só serão revelados no clímax do filme.



3.: FÚRIA SANGUINÁRIA (1949), de Raoul Walsh



James Cagney foi figura incontornável, durante os anos 30 do século passado, na representação do gangster norte-americano que ludibriava a Lei Seca, em obras memoráveis como O INIMIGO PÚBLICO (1931) ou ANJOS DE CARA NEGRA (1939). Nessas personificações, duas características tornaram-se imagem de marca do actor: o criminoso sem escrúpulos e verbalmente pragmático ("I ain't so tough...") no seu derradeiro momento.
FÚRIA SANGUINÁRIA assinalou, em finais dos anos 40, o regresso de Cagney a este género de papel, incendiando (na verdadeira acepção da palavra) o ecrã até à sua irremediável morte pela Polícia, vociferando uma das frases mais célebres da História do Cinema: "Made it, Ma! Top of the world!" ("Consegui, mãe! No topo do mundo!").



2.: DR. ESTRANHOAMOR (1964), de Stanley Kubrick



Naquela que será, provavelmente, a melhor sátira política do Século XX, Stanley Kubrick abordou os dramas da Guerra Fria, construindo uma versão ridícula dos decision makers das super-potências envolvidas e irónica dos medos da população — em pleno auge da ameaça nuclear que "pairava" sobre o planeta!
E bem consigo imaginar a indignação (a crítica da época chegou ao ponto de apelidar a opção como "maléfica e perversa" (2)) provocada pela forma como Kubrick, para rematar um corolário de líderes ineptos e situações surreais, representa a aniquilação nuclear ao som do melancólico mas optimista 'We'll Meet Again', interpretado por Vera Lynn.



1.: ZABRISKIE POINT — DESERTO DE ALMAS (1970), de Michelangelo Antonioni



Considerado, pela generalidade da crítica e cinéfilos (incluindo eu), como o filme menos conseguido de Michelangelo Antonioni, ZABRISKIE POINT — DESERTO DE ALMAS não conseguiu cativar o público aquando da sua estreia nem resistiu ao teste que melhor possibilita a reabilitação de uma obra cinematográfica, ou seja, o da longevidade.
Evidente no seu ímpeto de criticar o capitalismo e materialismo da sociedade norte-americana, Antonioni utiliza a fantasia de Daria (Daria Halprin), mesmo na conclusão da película, para expressar o seu desejo relativamente a tudo o que domina e adormece a percepção do consumidor comum: uma espectacular série de explosões e implosões de objectos comodidades mundanas como uma casa de férias, um televisor, roupas de marca e, até, fast-food. É o melhor momento do filme e, também, desta lista.
(O tema audível durante este onírico momento dá pelo nome de 'Come In Number 51, You're Time is Up' e foi composto por uns — na altura — semi-desconhecidos Pink Floyd).



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