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segunda-feira, dezembro 13, 2010

"What are your Oscar chances?" #8

SHUTTER ISLAND



Dos filmes mais apontados como favoritos a figurarem entre as nomeações da próxima edição dos Óscares, SHUTTER ISLAND é o que possui a estreia mais longínqua (concretamente, foi a 25 de Fevereiro do presente ano). Tradicionalmente, um lançamento comercial tão "prematuro" costuma ser impeditivo para o desempenho positivo de um filme aquando de indicados e premiados. Mas basta ver o caso de ESTADO DE GUERRA, no ano passado, para se entender que esta não é regra sem excepção.

No que toca a campanhas promocionais em prol da sua elegibilidade, só nas últimas semanas é que a Paramount tem demonstrado maior azáfama. Talvez por isso, aparente ter hipóteses reduzidas. Contudo, a simpatia que a Academia nutre por Martin Scorsese e a sua recente classificação, pelo National Board of Review, como um dos melhores filmes de 2010, poderá surpreender a maioria das "casas de apostas"...

Análise factual:

Desempenho de bilheteira: De toda a carreira de Scorsese, este é o filme com maiores receitas de box-office, tendo arrecadado 128 milhões de dólares no mercado norte-americano e mais de 160 milhões internacionalmente(1). Na lista dos títulos mais vistos em 2010, SHUTTER ISLAND queda-se no 18º lugar(2).

Recepção crítica: É, entre os principais candidatos, o título com maior desequilíbrio em termos de consenso. Registando apenas 59% de aprovação favorável no Rotten Tomatoes(3), SHUTTER ISLAND tanto foi aclamado pela sua portentosa atmosfera de terror como denegrido por não despertar nenhuma envolvência emocional no espectador.

(4)

Avaliação de cenários:

Cenário provável: Na verdade, são dois: ou é totalmente ignorado no momento das nomeações ou, pela já referida empatia com Scorsese, arrecada mesmo a nomeação para Melhor Filme. De acordo com algumas fontes, a adaptação ao romance de Dennis Lehane está bem conseguida, sendo de cogitar uma potencial nomeação a Argumento Adaptado. Contudo, as possibilidades mais sólidas surgem nas categorias técnicas, nomeadamente Fotografia e Montagem.

Cenário de sonho: Sair da cerimónia com, pelo menos, uma estatueta. A possibilidade, levantada por alguns observadores, de nomearem Leonardo DiCaprio para Melhor Actor seria encarada como uma vitória.

Cenário a evitar: O absoluto esquecimento da Academia perante SHUTTER ISLAND.

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Consideram que SHUTTER ISLAND tem mais hipóteses do que os factos parecem antever? Teremos aqui, e para os Oscares, um mistério maior que o próprio argumento do filme? Partilhem a vossa opinião.

sábado, julho 24, 2010

A ORIGEM (2010), de Christopher Nolan



Se existe legado reservado para A ORIGEM, será a sua elevação a padrão de como um blockbuster deve apresentar-se: visualmente atraente, narrativamente inteligente, profundamente envolvente e totalmente satisfatório. Na verdade, existem poucos adjectivos para louvar a dimensão aplicada por Christopher Nolan a um argumento que assume diversos riscos — quer na sua coerência como na capacidade de gerar receitas de bilheteira — do princípio ao fim das suas duas horas e meia de duração. Impressionante? Sim, e ainda só estamos no primeiro parágrafo...

A ORIGEM foi desenvolvido ao longo de dez anos, tempo suficiente para gerar uma ambiciosa história de frenesim onírico, onde as personagens atravessam sonhos dentro de sonhos a um ritmo que estimula a compreensão e fascina os sentidos do espectador. E quando falei anteriormente de riscos, referia-me precisamente ao argumento de A ORIGEM. A sua "pesada" estrutura, com a acção a decorrer em realidades paralelas mas sempre interdependentes, revela a segurança de Nolan enquanto storyteller (definitivamente, um dos melhores da actualidade a trabalhar em Hollywood). Qualquer passo em falso poderia fazer ruir esta complexa linha narrativa; como se se tratasse de um jogo de xadrez, é necessário acompanhá-la desde o início e com redobrada concentração, ou o "xeque-mate" ao espectador é rapidamente infligido.



Quanto à história propriamente dita, é imperativo não descortinar o mistério concebido durante a campanha promocional de A ORIGEM — porque todo o apreciador de cinema merece descobrir A ORIGEM por si próprio. Destaquemos apenas que Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) é o maior perito numa tecnologia chamada "Extracção", que consiste em aceder ao inconsciente de indivíduos explorando a vulnerabilidade humana quando sonha e acedendo, assim, aos segredos mais íntimos e preciosos de um determinado alvo. Mas tal ocupação veio a tornar-se cara para Cobb, obrigado a refugiar-se de uma perseguição que lhe é movida, a nível internacional, pelo seu passado e actividades neste tipo de espionagem empresarial.

Surge-lhe então a hipótese de redenção na forma de Saito (Ken Watanabe), que promete restaurar a imagem de Cobb perante a lei se este aceder a uma tarefa quase impossível: em vez de extrair um segredo, Saito deseja a implantação de uma ideia na mente do seu principal rival de negócios, Robert Fischer (Cillian Murphy). Pela ausência de alternativas, Cobb aquiesce a esta perigosa solicitação, reunindo uma equipa composta pelo seu sócio de longa data Arthur (Joseph Gordon-Levitt), a jovem arquitecta de sonhos Ariadne (Ellen Page), um mestre de disfarces, Eames (Tom Hardy), e o "alquimista" Yusuf (Dileep Rao), transportando-os numa viagem aos níveis mais profundos da consciência humana.

Aos contornos de ficção-científica de A ORIGEM soma-se o lado emocional da personagem de Cobb, que ainda vive torturado pela perda da esposa, Mal (Marion Cotillard). A sua projecção é uma constante presença (e, sobretudo, ameaça) em todos os cenários oníricos a que Cobb acede...



É impossível falar sobre A ORIGEM sem destacar o seu virtuosismo, algo a que Christopher Nolan já nos habituou desde o seu filme de estreia, MEMENTO (2000). Há sequências que ficam indelevelmente (e de forma apropriada, tendo em conta o argumento) "implantadas" na memória do espectador, como a impressionante visão de um comboio atravessando uma avenida repleta de automóveis, ou aquele — já antológico — confronto físico entre Arthur e um produto do inconsciente de Fischer num corredor de hotel em vertiginosa rotação. O mérito, neste campo, vai também para o director de fotografia Wally Pfister, que regista, com magistral irrepreensibilidade, locais tão díspares como o calor de Marrocos ou o gelo dos Alpes.

A banda sonora, outra fantástica criação de Hans Zimmer, pauta os visuais de sonho do filme com grandiosidade e um toque clássico na sua sonoridade. As interpretações são intocáveis, nomeadamente Leonardo DiCaprio que consegue, sozinho, aguentar toda a história. E outros longos elogios caberiam neste texto.



Depois de arrebatar plateias com THE DARK KNIGHT — O CAVALEIRO DAS TREVAS (2008), Christopher Nolan volta a superar quer a sua própria obra como a fasquia das produções que futuramente sairão de Hollywood. A ORIGEM não só é a obra mais original do Verão de 2010, como também reveste-se de um estatuto que originará culto incondicional e múltiplas interpretações filosóficas nos anos vindouros. O último filme que causou semelhante impressão foi, provavelmente, MATRIX (1999) e não é por acaso que estes dois títulos têm sido amiúde comparados.

Em suma, A ORIGEM sonha alto e sonha bem. Nolan engendra um impressionante thriller como poucos conseguem hoje em dia. A vontade de o rever torna-se quase numa obrigação, sobretudo por aquele plano final que nos deixa com um nó de ansiedade na garganta. Mais detalhes só com a visualização. Prometo que serão as melhores duas horas e meia que preencheram nos últimos dias...

sexta-feira, julho 16, 2010

Hollywood Buzz #90

O que se diz lá fora sobre INCEPTION — A ORIGEM, de Christopher Nolan:



«INCEPTION does a difficult thing. It is wholly original, cut from new cloth, and yet structured with action movie basics so it feels like it makes more sense than (quite possibly) it does.»
Roger Ebert, Chicago Sun-Times.

«Though there is a lot to see in INCEPTION, there is nothing that counts as genuine vision. Mr. Nolan’s idea of the mind is too literal, too logical, too rule-bound to allow the full measure of madness - the risk of real confusion, of delirium, of ineffable ambiguity - that this subject requires.»
A.O. Scott, The New York Times.

«If INCEPTION is a metaphysical puzzle, it's also a metaphorical one: it's hard not to draw connections between Cobb's dream-weaving and Nolan's filmmaking - an activity devoted to constructing a simulacrum of reality, intended to seduce us, mess with our heads and leave a lasting impression. Mission accomplished.»
Justin Chang, Variety.

«In a summer of remakes, reboots and sequels comes INCEPTION, easily the most original movie idea in ages.»
Kirk Honeycutt, The Hollywood Reporter.

«As engrossing and logic-resistant as the state of dreaming it seeks to replicate, Christopher Nolan's audacious new creation demands further study to fully absorb the multiple, simultaneous stories Nolan finagles into one narrative experience.»
Lisa Schwarzbaum, Entertainment Weekly.

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Hollywood Buzz #73

O que se diz lá fora sobre SHUTTER ISLAND, de Martin Scorsese



«The film's primary effect is on the senses. Everything is brought together into a disturbing foreshadow of dreadful secrets.»
Roger Ebert, Chicago Sun-Times.

«Mr. Scorsese uses his considerable formal dexterity — his intimate, comprehensive understanding of how sound and image work together to create meanings and moods — to conjure a tingly atmosphere of uncertainty and dread.»
A.O. Scott, New York Times.

«Expert, screw-turning narrative filmmaking put at the service of old-dark-madhouse claptrap.»
Todd McCarthy, Variety.

«A remarkable high-wire act, performed without a net and exploiting all the accumulated skills of a consummate artist. It dazzles and provokes. But since when did Scorsese become a circus performer?»
Kirk Honeycutt, Hollywood Reporter.

«Martin Scorsese makes movies as if his life depends on it, never skimping on ferocity and feeling.»
Peter Travers, Rolling Stone.

terça-feira, agosto 25, 2009

Teaser de INCEPTION

E é que conseguiu mesmo cativar a minha atenção:



INCEPTION marca a continuação do registo sombrio que caracteriza Christopher Nolan desde MEMENTO (2000), desta vez com um "thriller de acção e ficção científica situado na arquitectura da mente". E não são palavras minhas, o filme está a ser promovido nestes exactos termos...

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Estreia da Semana



Baseado num romance, escrito em 1961, por Richard Yates, conta a história de um casal (Frank e April Wheeler) desiludido com o esplendor do "American Dream" dos anos 50, cujas intenções de fuga à sociedade superficial em que vivem são, constantemente, goradas pelas circunstâncias que os rodeiam. Os conflitos e mentiras matrimoniais culminam num retrato sinuoso de sonhos defraudados e tragédia iminente.

Recebido de forma morna pela crítica e público norte-americanos, REVOLUTIONARY ROAD assinala o reencontro de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, o par romântico de TITANIC (1997), mas desta vez o enlace entre os dois é marcado por amarguras e ressentimentos, num filme de poderosa carga emocional.

Já tive a possibilidade de ver este REVOLUTIONARY ROAD, e atrevo-me a confessar o quão superior considero ser em relação a THE READER, o filme que, provavelmente, consagrará Kate Winslet com o Óscar de Melhor Actriz no próximo dia 22. Para além do excelente desempenho de Winslet (esposa do realizador Sam Mendes, que assina esta película), destaque para a maturidade do desempenho de Leonardo DiCaprio e, sobretudo, para o scene stealing de Michael Shannon, justamente nomeado para Melhor Actor Secundário.



Em exibição na Sala 1 do Cinema Castello Lopes.

quarta-feira, outubro 15, 2008

Antestreia da Semana



Frank e April Wheeler formam um jovem e próspero casal, residente com os seus dois filhos nos subúrbios de Connecticut nos meados dos anos 50. A segurança e felicidade de ambos encobre uma crescente frustração na capacidade de se sentirem satisfeitos com as suas relações pessoais e carreiras profissionais. Frank encontra-se atolado num emprego de escritório maçador mas bem pago, April é uma dona-de-casa afligida pelos remorsos duma carreira falhada como actriz. Determinados em mostrarem-se superiores à vulgaridade que os rodeia, mudam-se para França em busca do desenvolvimento das suas capacidades artísticas, livres das exigências do capitalismo Americano. Com o seu matrimónio em deterioração, fruto de uma espiral interminável de discussões, invejas e recriminações, o casal vê que o seu sonho de auto-realização encontra-se em risco.

Adaptado do aclamado best-seller de Richard Yates, REVOLUTIONARY ROAD assinala o reencontro de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet desde TITANIC, um duo que poderá atrair espectadores a este drama psicológico de costumes. Realizado por Sam Mendes [BELEZA AMERICANA (1999), CAMINHO PARA PERDIÇÃO (2002) e MÁQUINA ZERO (2005)], tem sido apontado como um forte candidato a figurar entre os nomeados para os principais prémios de crítica cinematográfica, e o trailer já disponibilizado afigura uma película de grande intensidade emocional:



Ainda sem data de estreia anunciada para Portugal.

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