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quinta-feira, maio 24, 2012

Festival de Cannes 2012 — Dia 8



. ON THE ROAD, de Walter Salles (Em Competição)

O elenco e realizador de ON THE ROAD

Walter Salles sorri para os fotógrafos

«Trabalhamos num espírito de constante improvisação», Walter Salles, durante a conferência de imprensa para ON THE ROAD.

Kirsten Dunst e Viggo Mortensen: nunca ficam mal na fotografia

«Handsome shots and touching sadness don't compensate for the tedious air of self-congratulation in Walter Salles's road movie», Peter Bradshaw in The Guardian.

«Overall, this just isn't a very good movie. It's repetitive and tedious, one scene after another barely distinguishing itself from the last», Brad Brevet in Rope of Silicon.

«It is a largely successful attempt to bring the book to life», Drew McWeeny in HitFix.

. HOLY MOTORS, de Leos Carax (Em Competição)

Foto de grupo de HOLY MOTORS

barking mad, assim apelidou a crítica HOLY MOTORS; o mesmo se poderia aplicar a Leos Carax

«O cinema é como uma ilha, uma belíssima ilha, onde existe um vasto cemitério. Quando fazes um filme, estás a criar cinema», Leos Carax sobre as auto-homenagens da Sétima Arte.

O sempre excêntrico Denis Lavant

«Leos Carax's experimental odyssey is barking mad, weightless and euphoric – it's what we have all come to Cannes for», Peter Bradshaw in The Guardian.

«HOLY MOTORS evolves with each passing minute, both brilliantly human and purposefully silly, a prism of performance and death so different from other films that it seems to have been beamed down from another planet», Glenn Heath Jr. in Press Play.

«A deliciously preposterous piece of filmmaking that appraises life and death and everything in between, reflected in a funhouse mirror», Megan Lehmann in The Hollywood Reporter.

. IO E TE, de Bernardo Bertolucci (Fora de Competição)

O regresso de Bernardo Bertolucci à Croisette

«Bernardo Bertolucci's IO E TE feels like an attempt to show that age, infirmity and three decades away from his native Italian cinema have done nothing to blunt his touch for capturing adolescent sensual yearning», Peter Debruge in Variety.

. 7 DÍAS EN LA HABANA, de Benicio Del Toro, Pablo Trapero, Julio Medem, Elia Suleiman, Gaspar Noé, Juan Carlos Tabio e Laurent Cantet (Un Certain Regard)

«Like a mojito that overdoes it on the lime juice, the omnibus film 7 DÍAS EN LA HABANA has a few veritable sweet spots but winds up leaving a rather sour aftertaste», Jordan Mintzer in The Hollywood Reporter.



[Fotos: Site oficial do Festival.]

terça-feira, maio 22, 2012

Festival de Cannes 2012 — Dia 6



Dia marcado por chuva torrencial. Uma intempérie que permitiu a chegada de estranhos "convidados" à Croisette...



. VOUS N'AVEZ ENCORE RIEN VU, de Alain Resnais (Em Competição)

Alain Resnais: a irreverência criativa não tem BI

«Foi uma ideia que começou a formar-se quase sub-repticiamente na sala de montagem», Alain Resnais sobre o título do filme, durante a conferência de imprensa de VOUS N'AVEZ ENCORE RIEN VU.

Resnais e o elenco de VOUS N'AVEZ ENCORE RIEN VU posam para as objectivas

«Artfully edited to accentuate the redundant dialogue, VOUS N'AVEZ ENCORE RIEN VU develops a rhythmic echo effect that lasts most of the movie as Resnais destroys the fourth wall and builds it up again several times over», Eric Kohn in indieWIRE

«A tribute to the director's love of theater. More than that, it presents his notion that film and theater are one and the same», Sasha Stone in Awards Daily.

«Despite its moments of charm and caprice, the film is prolix, inert, indulgent and often just plain dull», Peter Bradshaw in The Guardian.

. LIKE SOMEONE IN LOVE, de Abbas Kiarostami (Em Competição)

Elenco de LIKE SOMEONE IN LOVE

Abbas Kiarostami na conferência de imprensa

«O filme não tem princípio nem fim. Tal e qual como a vida é.», Abbas Kiarostami.

Rin Takanashi, a jovem protagonista do mais recente filme de Kiarostami

«The importance of perception cannot be understated here, since the film often buries its cutting ideology beneath a measured narrative pace interspersed with hypnotic silences», Glenn Heath Jr. in indieWIRE.

«Kiarostami still manages to pull the "slow cinema" rug out from under us by literary ending things with a bang», Jordan Mintzer in The Hollywood Reporter.

«Beautifully shot and acted, but the curtain comes crashing down too abruptly», Peter Bradshaw in The Guardian.

. DA-REUN NA-RA-E-SUH / IN ANOTHER COUNTRY, de Hong Sangsoo (Em Competição)

Isabelle Hupert e o realizador Hong Sangsoo

«Os filmes de Hong Sangsoo são dos mais elegantes que conheço», Isabelle Huppert sobre a sua experiência de trabalhar com o cineasta sul-coreano.

Nem a chuva impediu a gala na sessão de gala de IN ANOTHER COUNTRY

«Looks very much like something written on a napkin and shot in the one afternoon that Huppert could come to South Korea. Slight, diverting, forgettable, Peter Bradshaw in The Guardian.

. AI TO MAKOTO / FOR LOVE'S SAKE, de Takashi Miike (Fora de Competição)



«A greatly rewarding, supremely intelligent and undeniably gripping romantic thriller. Plus, it has a surprising amount of laughs along the way and a few musical moments which keep things feeling fresh and unexpected», Chris Haydon in Filmoria.

. ELEFANTE BLANCO, de Pablo Trapero (Un Certain Regard)

Pablo Trapero

«For all the competence and strength of Trapero's direction, the film is not as powerful as it might have been», Peter Bradshaw in The Guardian.

[Fotos: Site oficial do Festival e Getty Images.]

segunda-feira, julho 11, 2011

Críticas da Semana

Breve resumo dos principais filmes visualizados esta semana.

WELCOME TO THE DOLLHOUSE (1995), de Todd Solondz

Welcome-To-The-Dollhouse

Dawn (Heather Matarazzo) tem onze anos e sente-se absolutamente incompreendida tanto na escola como na sua própria casa. Feia, descuidada e sem nenhuma perspectiva romântica, a adolescente tenta sobreviver num ambiente, por si só, inflamado e hostil.

Na sua primeira longa-metragem para cinema, Todd Solondz demonstra todo o seu favoritismo pelo estilhaçar do american way of life (que atingiu níveis de "sadismo" em obras posteriores, como HAPPINESS — FELICIDADE), desconstruindo a ilusão de que tudo é mais simples e mais larga na adolescência... sobretudo, se a mesma for vivida nos subúrbios dos EUA, que aqui representam, indiscutivelmente, o alvo favorito do cineasta. Com a poderosa interpretação de Heather Matarazzo (actriz que merece maior reconhecimento) e o seu argumento mordaz, hilariante e incondicional, esta é uma autêntica jóia do cinema independente norte-americano dos anos 90. Muito recomendado.

VALHALLA RISING — DESTINO DE SANGUE (2009), de Nicolas Winding Refn

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Durante anos, um temível e silencioso guerreiro (Mads Mikkelsen) foi mantido prisioneiro e usado para combates a dinheiro por uma tribo celta pagã. Um dia, consegue escapar e decide acompanhar um exército de cristãos determinado a juntar-se às Cruzadas. Contudo, essa viagem fa-lo-à descobrir não só um Novo Mundo, mas também mais sobre si próprio.

No seu estilo brutal, etéreo e alucinatório, VALHALLA RISING será, pessoalmente, um dos melhores filmes que estreou nas salas portuguesas este ano: foge a qualquer género específico, recupera um certo soturno medieval próprio de Ingmar Bergman, Werner Herzog ou Vincent Ward, demonstra impecável trabalho formal (da fotografia à sonoplastia) e até se permite a exibir um descarado revisionismo histórico. Um filme que, apesar de escasso na caracterização das personagens ou em mensagens (se é que pretende transmitir alguma) relevantes, nem tão cedo sairá da memória do espectador. Cinema impressionante e de grande qualidade.

CARANCHO — ABUTRES (2010), de Pablo Trapero

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Na Argentina, mais de 8000 pessoas morrem, todos os anos, vítimas de acidentes de viação. Por trás dessa estatística, floresce um negócio de apólices de seguro ilegais e constantes explorações de "buracos" legais. Sosa (Ricardo Darín) é um advogado que trabalha para uma dessas empresas, cujo destino alterar-se-à por completo quando conhece e apaixona-se por Luján (Martina Gusman), uma paramédica de Buenos Aires.

Drama violento e frontal na denúncia aos sistemas legal e de saúde argentinos, vive da forma estupenda como a atmosfera é encenada — CARANCHO desenrola-se, quase inteiramente, em claustrofóbicas cenas nocturnas — mas falha no lado humano do seu argumento. Não nos é permitido motivações, para além das imediatamente reveladas, que nos faça identificar com as personagens: a distância emocional é omnipresente e o final, frio e narrativamente económico, adivinha-se a meio. No entanto, esta é mais uma prova da vitalidade contemporânea do cinema argentino (lembram-se de O SEGREDO DOS SEUS OLHOS, no qual Darín também era protagonista?), fenómeno que merece toda a atenção.

TRANSFORMERS 3 (2011), de Michael Bay

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Com o curso universitário terminado, Sam (Shia LaBeouf) tenta encontrar um emprego. No entanto, essa tarefa é subitamente interrompida pelos Autobots, que voltam a precisar da sua ajuda para salvar a Terra dos diabólicos planos dos Decepticons, desta vez liderados por Shockwave, um dos maiores aliados de Megatron.

No campo do blockbuster, admito que já vi muito pior (o segundo filme desta saga é um exemplo acabado disso mesmo). TRANSFORMERS 3 até possui um início auspicioso, que criativamente aborda a teoria da conspiração e o revisionismo acerca dos principais feitos da exploração espacial. Contudo, enceta numa estética de metal retorcido e explosões em catadupa — tecnicamente está irrepreensível, mas este título já entrou no meu "manifesto anti-3D" — repetitiva e tremendamente cansativa, numa história que nem clímax tem.

ENRON: THE SMARTEST GUYS IN THE ROOM (2005), de Alex Gibney

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O retrato íntimo de um dos maiores escândalos financeiros de todos os tempos, no qual a Enron, então a sétima maior empresa dos EUA, efectivou durante anos práticas corruptas e fraudulentas, os seus executivos lucraram milhões de dólares e culminou na falência dos seus investidores e empregados.

Mais do que um documentário explicativo e cronológico, ENRON apresenta-se como "drama da vida real", destacando as fragilidades humanas dos intervenientes para provar que foram estas a causar a ruína de um contexto empresarial que tinha tudo para ser venturoso sem recurso a práticas criminosas. Com narração do sempre eficaz Peter Coyote e uma ilustrativa banda sonora (que vai desde o politicamente correcto "Capitalism" dos Oingo Boingo até ao irascível "God's Away On Business" de Tom Waits), é mais um título para a compreensão do actual estado de coisas. Como só o cinema documental consegue proporcionar.