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terça-feira, julho 31, 2012

Sight & Sound: 10 Greatest Films of All Time 2012



Faltam poucas horas para o anúncio da lista dos 10 Melhores Filmes de Sempre da Sight & Sound (os eleitos de 2012 serão divulgados, durante o dia de amanhã, no perfil de Twitter da revista).

Realizada de dez em dez anos desde 1952, a lista é formada a partir dos veredictos de críticos de cinema, programadores de festivais, académicos, escritores e diversos cinéfilos. Este ano, o total de participações ascende a 846, nas quais contam-se 2045 filmes mencionados.

Obviamente, o Keyzer Soze não foi convidado a submeter dez títulos para a contagem final. Contudo, se tivesse acesso a um boletim da Sight & Sound, a minha participação ficaria assim disposta:


  1. 2001: ODISSEIA NO ESPAÇO (1968), de Stanley Kubrick.




  2. O ÚLTIMO ANO EM MARIENBAD (1961), de Alain Resnais.




  3. BARRY LYNDON (1975), de Stanley Kubrick.




  4. A MULHER QUE VIVEU DUAS VEZES (1958), de Alfred Hitchcock.




  5. RASHÔMON — ÀS PORTAS DO INFERNO (1950), de Akira Kurosawa.




  6. TEMPOS MODERNOS (1936), de Charles Chaplin.




  7. A CAIXA DE PANDORA (1929), de G.W. Pabst.




  8. BLADE RUNNER — PERIGO IMINENTE (1982), de Ridley Scott.




  9. MULHOLLAND DRIVE (2001), de David Lynch.




  10. FINIS TERRAE (1929), de Jean Epstein.




E quais seriam os 10 filmes que submeteriam à Sight & Sound?

terça-feira, maio 22, 2012

Festival de Cannes 2012 — Dia 6



Dia marcado por chuva torrencial. Uma intempérie que permitiu a chegada de estranhos "convidados" à Croisette...



. VOUS N'AVEZ ENCORE RIEN VU, de Alain Resnais (Em Competição)

Alain Resnais: a irreverência criativa não tem BI

«Foi uma ideia que começou a formar-se quase sub-repticiamente na sala de montagem», Alain Resnais sobre o título do filme, durante a conferência de imprensa de VOUS N'AVEZ ENCORE RIEN VU.

Resnais e o elenco de VOUS N'AVEZ ENCORE RIEN VU posam para as objectivas

«Artfully edited to accentuate the redundant dialogue, VOUS N'AVEZ ENCORE RIEN VU develops a rhythmic echo effect that lasts most of the movie as Resnais destroys the fourth wall and builds it up again several times over», Eric Kohn in indieWIRE

«A tribute to the director's love of theater. More than that, it presents his notion that film and theater are one and the same», Sasha Stone in Awards Daily.

«Despite its moments of charm and caprice, the film is prolix, inert, indulgent and often just plain dull», Peter Bradshaw in The Guardian.

. LIKE SOMEONE IN LOVE, de Abbas Kiarostami (Em Competição)

Elenco de LIKE SOMEONE IN LOVE

Abbas Kiarostami na conferência de imprensa

«O filme não tem princípio nem fim. Tal e qual como a vida é.», Abbas Kiarostami.

Rin Takanashi, a jovem protagonista do mais recente filme de Kiarostami

«The importance of perception cannot be understated here, since the film often buries its cutting ideology beneath a measured narrative pace interspersed with hypnotic silences», Glenn Heath Jr. in indieWIRE.

«Kiarostami still manages to pull the "slow cinema" rug out from under us by literary ending things with a bang», Jordan Mintzer in The Hollywood Reporter.

«Beautifully shot and acted, but the curtain comes crashing down too abruptly», Peter Bradshaw in The Guardian.

. DA-REUN NA-RA-E-SUH / IN ANOTHER COUNTRY, de Hong Sangsoo (Em Competição)

Isabelle Hupert e o realizador Hong Sangsoo

«Os filmes de Hong Sangsoo são dos mais elegantes que conheço», Isabelle Huppert sobre a sua experiência de trabalhar com o cineasta sul-coreano.

Nem a chuva impediu a gala na sessão de gala de IN ANOTHER COUNTRY

«Looks very much like something written on a napkin and shot in the one afternoon that Huppert could come to South Korea. Slight, diverting, forgettable, Peter Bradshaw in The Guardian.

. AI TO MAKOTO / FOR LOVE'S SAKE, de Takashi Miike (Fora de Competição)



«A greatly rewarding, supremely intelligent and undeniably gripping romantic thriller. Plus, it has a surprising amount of laughs along the way and a few musical moments which keep things feeling fresh and unexpected», Chris Haydon in Filmoria.

. ELEFANTE BLANCO, de Pablo Trapero (Un Certain Regard)

Pablo Trapero

«For all the competence and strength of Trapero's direction, the film is not as powerful as it might have been», Peter Bradshaw in The Guardian.

[Fotos: Site oficial do Festival e Getty Images.]

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Alain Resnais, let's talk a little...



Pergunta: Is the cinema dead, alive, or about to be born?
Resnais: It flows on like a river.



sábado, janeiro 22, 2011

Iniciativas Conjuntas #3

Sem hesitação nem pretensiosismo, afirmo que a comunidade blogger cinéfila é uma das mais dinâmicas em Portugal. Segue um exemplo.

A convite do Roberto Simões, autor do CINEROAD — A Estrada do Cinema, fui desafiado a enunciar cinco filmes que considero serem obras-primas incontestáveis, tendo como critério principal o meu gosto pessoal. Assim, estas foram AS INCONTESTÁVEIS do Keyzer Soze's Place:

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obra-prima, s. f.
1. Obra primorosa, perfeita, das primeiras no seu género.
2. A melhor obra de um autor.



. RASHÔMON — ÀS PORTAS DO INFERNO (1950), de Akira Kurosawa

«Grande responsável por abrir o Cinema Japonês ao mundo ocidental e o meu filme favorito de Kurosawa. Narrativamente revolucionário, a opção de analisar um crime pela perspectiva dos quatros protagonistas, gerando quatro versões totalmente diferentes, é o toque seminal desta obra que hoje cativa espectadores da mesma forma que os atraía há 60 anos. A fotografia é uma das mais inovadoras da história da Sétima Arte e está para surgir o filme que não beba inspiração a RASHOMON. Por fim, as fabulosas interpretações de Toshiro Mifune e Machiko Kyo, de enorme profundidade psicológica, que transformam as suas personagens em objectos de imprevisibilidade e decepção ao longo de todo o filme.»

. 2001: ODISSEIA NO ESPAÇO (1968), de Stanley Kubrick

«Quem me conhece, sabe que esta escolha era obrigatória... :) Possuidor, simultaneamente, das imagens e ideais mais hipnóticos que o Cinema já testemunhou, o filme de Kubrick arrebata pela sua abordagem realista à ficção-científica, expõe tremenda tensão pautada apenas pelo som dos aparelhos de respiração usados pelos astronautas e o seu argumento metafórico, à mercê de diversas interpretações, é exímio na capacidade de nos transformar a todos em "espectadores emancipados".»

. TEMPOS MODERNOS (1936), de Charles Chaplin

«Enquanto principal figura da pantomima no Cinema, Chaplin exibe aqui um magnífico tour-de-force performativo (que, por si só, justificaria o estatuto de obra-prima), explorando temáticas que nunca pareceram tão actuais como hoje e tem um dos finais mais belos de sempre. A comédia, um dos primeiros géneros da Sétima Arte, é brilhantemente tratada com o drama e romance presentes no argumento e, enquanto cinéfilo, quem poderá resistir ao facto de se ouvir, pela primeira vez, a voz do Little Tramp? Inesquecível.»

. O ÚLTIMO ANO EM MARIENBAD (1961), de Alain Resnais

«Talvez o "filme cinematográfico" por excelência. Resnais investiga os mistérios da memória, contando uma história quase banal recorrendo à mais arrojada narrativa não-linear (realidade, fantasia e especulação romântica conseguem fundir-se numa única cena, monólogos interiores ecoam pelos corredores do palácio onde a acção acontece) e de uma fulgurante direcção de fotografia que reflecte os sentimentos e as emoções do casal protagonista. Tudo é possível em MARIENBAD... excepto não ficarmos presos ao ecrã.»

. APOCALYPSE NOW (1979), de Francis Ford Coppola

«Nenhum título, antes ou depois, conseguiu representar tão eficazmente aquele velho ditado «a guerra é um inferno». Mas Coppola vai mais longe, e aqui a guerra não é um, é O inferno. A angústia do ser humano num conflito incompreensível expressa-se pela audácia, assombro — a fotografia é exímia em suscitar estados de espírito — e apelo às nossas convicções pessoais que as imagens provocam. Para além disso, ninguém mais ouvirá do mesmo modo a Cavalgada das Valquírias depois de ver este filme.»

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Nota: não deixem de visitar o CINEROAD, onde podem visualizar surpreendentes e diversificadas escolhas por parte da blogosfera cinéfila portuguesa.

Obrigado, Roberto, pelo convite!

quarta-feira, maio 20, 2009

Festival de Cannes 2009 — Dia 8



Eis chegado o dia de INGLORIOUS BASTERDS, (ou como o próprio Quentin Tarantino resume) um "western spaghetti recheado de iconografia da Segunda Guerra Mundial". 10 anos de longa gestação, árduo desenvolvimento do argumento e frenética odisseia para encontrar os actores certos, Cannes teve hoje a possibilidade de assistir a um dos projectos mais badalados para 2009.



As primeiras reacções à première de INGLORIOUS BASTERDS, estranhamente diversas, destacam, de forma unânime, a interpretação de Christoph Waltz, o "vilão de serviço" («um monstro de complexo, refinado e calculista calibre», segundo a Empire) e o descarado revisionismo histórico que ostenta.
Tarantino, na conferência de imprensa, enfatizou o rol de esforços necessários para tornar INGLORIOUS BASTERDS uma realidade, não conseguindo, também, esconder o amor que sente pelo Festival de Cannes: «Para mim e para outros cineastas, não existe sítio igual a Cannes à face da Terra. Aqui, [...] o Cinema importa. Mesmo quando o público apupa um filme, fazem-no por paixão!»

Quentin 'basterd' Tarantino ladeado por Mélanie Laurent e Diane Kruger

Diane Kruger espreita entre Pitt e Tarantino

Alain Resnais, apesar de ter assinado títulos como HIROSHIMA MEU AMOR (1959), O ÚLTIMO ANO EM MARIENBAD (1961) ou O MEU TIO DA AMÉRICA (1980), nunca "convenceu" um júri a atribuir-lhe a Palma de Ouro. Este ano, o veterano (e quase lendário) cineasta francês concorre com LES HERBES FOLLES, obra que salienta o romance proporcionado pelo acaso.



Face à descrição de LES HERBES FOLLES, pela crítica, como o "objecto" de um Resnais mais sereno e menos experimentalista, o cineasta respondeu com a sua opinião acerca do que dita o sucesso na Sétima Arte. «Se eu soubesse que com a câmara à esquerda em vez de à direita, usando uma panorâmica ou mantendo a objectiva fixa, eu atrairia mais espectadores, teria-o feito há muitos anos atrás».
Baseado num romance de Christian Gailly, são muitos os que já apontam LES HERBES FOLLES como o principal favorito ao galardão máximo do certame deste ano...

A equipe de LES HERBES FOLLES

Emmanuelle Devos, protagonista de LES HERBES FOLLES

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